Blog do Maranhão

O desserviço da novela “O Sétimo Guardião”

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Nany People dá vida à personagem Marcos Paulo em O Sétimo Guardião

Não cabe nos dedos de uma mão a quantidade de desserviços que a novela O Sétimo Guardião (TV Globo) presta para a causa LGBT+. Escrita por Aguinaldo Silva, a trama parece se esforçar para soar antipática a homossexuais, trans e afins.

A começar pela decisão da personagem transexual Marcos Paulo (Nany People) em não adotar o nome feminino. E mesmo tendo feito a cirurgia de redesignação sexual optar por seguir sendo chamado de registro. Com isso, o autor ridiculariza a questão do uso de nome social, direito recém-adquirido e tão importante para a população trans.

E o que é mais grave, à toa. Não há nenhuma função dramática nesta recusa da personagem. A trama não anda nem desanda com isso. É apenas um chiste do autor. Desprovido de qualquer graça, diga-se.

Mas não é só. Marcos Paulo também é usualmente chamado de “viado” e “bicha” pela vilã Valentina e não esboça a menor reação. Sua transexualidade, aliás, não é respeitada por nenhum personagem da trama.

Sem falar no pensamento extremamente preconceituoso em relação a LGBTs reverberado pelo personagem Nicolau (Marcelo Serrado). Tudo bem que se trata de um personagem machista e equivocado, ridículo, em síntese. Mas a reafirmação permanente de que dança é coisa de menina e artes marciais de menino lembra uma certa ministra fundamentalista e sua fixação por cores como elemento definidor de gênero.

Não deixa de ser engraçado, aliás, que a novela ecoe uma polêmica real, uma vez que Aguinaldo Silva justificou sua opção pelo realismo fantástico da trama para se afastar completamente do noticiário. Ironias do destino.

Não satisfeito, o autor ainda colocou na trama um personagem afetadíssimo que insiste em negar sua homossexualidade. Ainda por cima, Adamastor Crawford (Theodoro Cochrane) nutre paixão platônica pelo “bofe rústico” Junior (José Loreto), que obviamente é heterossexual e homofóbico. Situação mais que clichê, repetido à exaustão nas tramas de Aguinaldo.

Para completar, nos próximos capítulos os tais guardiães descobrirão a traição de Erico (Dan Stulbach). Como castigo pela deslealdade à irmandade secreta o prefeito será “condenado” a só sentir tesão por homens (ui!).

É óbvio que uma novela não tem a obrigação de ser “politicamente correta” ou prestar serviço a esta ou aquela causa. Mas o tratamento que a homossexualidade e a transexualidade estão recebendo em O Sétimo Guardião é desrespeitoso, para dizer o mínimo. E ponto.

 

 

 

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