Blog do Maranhão

“Ó quarta-feira ingrata (que tanto demorou a chegar…)”

Da Gentilândia ao Farol da Barra, do Sambódromo aos Quatro Cantos, do Baixo Augusta à Praia de Iracema. Onde quer que houvesse folia neste Carnaval o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e seu séquito foram lembrados. E, certamente, não da maneira como gostariam. A homenagem às avessas se deu de diferentes formas. Mas pode-se estabelecer dois padrões que se repetiram País afora.

O primeiro deles foi a proliferação de fantasias com referência às denúncias de candidaturas laranja no partido do presidente. O segundo foi o coro que se formou nos blocos citando nominalmente Bolsonaro e com teor impublicável neste espaço tão nobre.

Sem falar nas referências ao governo e seu entorno em alegorias e fantasias das escolas de samba, em letras de hits carnavalescos, nas plaquinhas perguntando pelo Queiroz e na reação ao desfile dos bonecos de Olinda representando o presidente e a primeira-dama, Michelle (alvos de vaias e latas de cerveja).

Definitivamente, Bolsonaro esteve onipresente na folia. E se revelou muito incomodado por ser objeto de tantos protestos populares. Tanto que reagiu com o fígado nas redes sociais já a partir do domingo, no meio da folia. Sua resposta às ruas teve direito a ameaças, provocações a jornalistas e artistas, e chegou ao seu extremo com a publicação do polêmico vídeo de golden shower. Ao contrário do que pensam os foliões e que está imortalizado na letra do clássico frevo de Luiz Bandeira, para o presidente a ingrata Quarta-feira de Cinzas demorou – e muito – a chegar!

Émerson Maranhão – Jornalista do O POVO

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