Blog do Maranhão

Sérgio Mamberti: “Acho que a gente não pode parar”

“Acho que a gente não pode parar”

| teatro | Prestes a completar 80 anos de idade, um dos maiores atores do Brasil segue no palco e faz planos para o futuro

Sérgio Mamberti é um dínamo. Quase uma força da natureza que espalha energia por onde passa. Não importa se em cima do palco, uma de suas maiores paixões; se na militância política, outra de suas devoções; ou quando visita as memórias de uma trajetória que chega às oito décadas de existência e 63 anos de carreira. Nesta entrevista exclusiva ao O POVO, o ator santista fala de sua formação profissional, de seu encantamento pelo cinema, de seu envolvimento com o Partido dos Trabalhadores, do qual foi um dos fundadores, e da força motriz que o mantém com a energia de um menino.

O POVO – Como as artes cênicas entraram em sua vida?

Sérgio Mamberti – Eu sou de Santos. E Santos era uma cidade que tinha uma intensa vida cultural e um teatro belíssimo. Por ser um porto, as companhias teatrais que vinham para São Paulo passavam por Santos, na ida ou na volta. Papai era o diretor social do clube. Então ele trazia companhias como a do Procópio (Ferreira)… Nós éramos sócios também de uma associação que trazia concertos, espetáculos de Margarida Lopes de Almeida, que era uma grande diseuse, como se chamava na época, que era uma senhora que recitava poesias. Eu me lembro que, quando era pequeno, ter ido a concertos regidos pelo Villa Lobos. Então, eu vi muita coisa. As rádios tinham seus elencos, então, eles traziam os elencos das rádios. Tinham as radionovelas, as cantoras, os cantores… A gente tinha hábito, também, de ir a São Paulo nas férias de julho e no verão. Passávamos 15 dias em São Paulo para ver cinema, para ver teatro, para ver musicais para crianças, para encontrar com a vida cultural da capital. Eu e meu irmão (o também ator Cláudio Mamberti) crescemos nesse meio. Quando eu tinha 14 anos, Patrícia Galvão, a famosa Pagu, se transferiu para Santos. Ela casou com um jornalista de lá. E aí eu passei a conviver com a Pagu, através do Clube de Cinema de Santos, que foi um dos pioneiros do Brasil. Então, eu cresci um dentro desse ambiente. Tanto eu quanto meu irmão.

OP – Esse contato precoce com a arte propiciou um início mais cedo no ofício de atuar?

Mamberti – O Cláudio, na escola, já fazia operetas, atuava e tudo… Eu não, eu me reservava um papel mais no backstage, vamos dizer assim. Eu falava: “Não, eu acho que eu quero ser um diretor, eu quero trabalhar nos bastidores”. Porque para mim era uma coisa meio inatingível o trabalho de ator. Mas eu me apaixonei por línguas logo no início. Com 14 anos já falava Inglês. E Francês a gente aprendia no colégio. Eu saí do ginásio falando francês. Uma loucura, né? E aí, eu resolvi fazer parte de um grupo de teatro da Aliança Francesa, como ator. Foi a primeira vez que eu pisei num palco. Era um esquete de um autor francês chamado Tristan Bernard, chama-se Revelação, era um esquete cômico, com aquele sabor francês, aquela fleugma do mordomo francês – e eu acabei fazendo outros mordomos na vida (risos). Era um mordomo que entrava para falar com a madame, que estava ao telefone, e dizia: “Madame, eu tenho uma coisa importantíssima para falar com a senhora”. E ela: “Por favor, então diga o que é, porque eu estou no telefone”. E ele falava assim: “Só que eu esqueci completamente” (risos). E na hora que eu falei isso, o público explodiu numa gargalhada. E eu achei aquilo uma delícia e não queria mais sair de cena (risos). Em seguida, eu fiz O Urso, do (Anton) Tchekhov. Aí, o doutor Alfredo Mesquita, que era professor emérito da Escola de Arte Dramática, fez uma conferência ilustrada do ensino de teatro, e aí isso me despertou realmente o instinto teatral. E eu falei: “Eu quero ser ator”. Mas eu não podia dizer para o meu pai. Para eles eu estava falando que ia fazer Arquitetura, porque eu realmente gostava muito.

OP – Então, sua ida a São Paulo foi para estudar Arquitetura?

Mamberti – Eu fui fazer cursinho em São Paulo para Arquitetura, mas eu não saía dos teatros. Eu ia para a porta do Teatro Municipal com outros amigos que eu arrumei. O preço dos ingressos era muito caro, né? Então, a gente ficava lá, dava um dinheirinho para o porteiro e entrava para assistir a companhias francesas, companhias de dança, Marcel Marceau… Então, eu não estudava o cursinho. Passei na parte artística do vestibular de Arquitetura, mas não entrei na faculdade. E fui selecionado entre os dez primeiros da Escola de Arte Dramática. Aí falei: “Pai, olha, a Arquitetura vai ficar para mais tarde. Por enquanto, o que está funcionando é eu ser ator”.

OP – Como foi sua experiência na Escola de Arte Dramática?

Mamberti – A Escola de Arte Dramática foi uma coisa apaixonante! Eram professores extraordinários, de nível uspiano, entendeu? Embora oficialmente a escola não fosse. Era uma coisa fantástica! E a gente também tinha a oportunidade de encontrar com toda a classe teatral. Os produtores de teatro iam ver os exames da escola. E toda a estrutura da Escola de Arte Dramática de São Paulo era do Conservatoire, da França, uma coisa bem tradicional. Mas, ao mesmo tempo, você tinha ali uma possibilidade de fazer História do Teatro, aulas de expressão corporal, de esgrima, de interpretação… A gente dissecava para poder entender todo o teatro grego, que é a base do teatro moderno. A gente estudava a Odisseia, a Ilíada (ambas de Homero), com professores especializados nestes textos. E, ao mesmo tempo, vinham as grandes companhias de teatro estrangeiras, companhias italianas, companhias americanas e a gente fazia figuração. Sem fala, mas em contato com aqueles grandes atores. Então, foi uma formação muito sólida, muito importante.

OP – O que o senhor considera o marco inicial de sua carreira?

Mamberti – Efetivamente, eu começo a minha carreira com Antônio Abujamra, que tinha acabado de chegar do Berliner Ensemble (em Berlim), onde foi estudar (Bertolt) Brecht, e do estágio com o Roger Planchon (diretor francês), que de uma certa maneira já é um contraponto do Jean Villar (diretor francês) do Théâtre National Populaire (em Paris), que era um contraponto à Comédie-Française, que era o mais tradicional dos teatros. Aí, eu fui assistir aos ensaios de Raízes (de Arnold Wesker), com Cacilda (Becker) e o Ambujamra falou: “Olha, eu quero montar um grupo com atores jovens, para desenvolver essas teorias que eu quero trabalhar na minha chegada aqui. Eu não quero ficar só dirigindo a partir dos convites de atores. Eu quero ter o meu próprio grupo”. O TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) foi a semente, né? Mas dali vieram companhias como a da Cacilda, da Tônia (Carrero). Então, eu estreio com Abujamra em 1962, depois de me formar na Escola de Arte Dramática, com Antígone América, que era uma adaptação do clássico grego Antígone, mas adaptada ao teatro moderno. Já numa perspectiva mais de um teatro político e numa contraposição também ao Arena e ao Oficina, que tinham adotado uma linha mais stanislavskiana que brechtiana.

OP – Eram tempos de grande efervescência cultural e intelectual.

Mamberti – Você veja que era uma caldeirão, uma ebulição de ideias, Todo mundo ia assistir aos espetáculos de todo mundo e tal. O TBC foi um pouco demonizado, porque era considerado um teatro mais, vamos dizer, tradicional, né? Entenda, minha geração foi uma geração muito politizada. Foi um período que a gente acreditava que realmente a gente podia promover as grandes transformações sociais no Brasil. Toda a vanguarda do teatro, que vinha do teatro estudantil, (Gianfrancesco) Guarnieri, Vianninha (Oduvaldo Vianna Filho) todo mundo, todos nós nos filiamos ao Partido Comunista.

OP – Este grupo que o Abujamra lhe convidou foi o Decisão, primeira companhia que o senhor integrou. Como foi esta experiência?

Mamberti – Eu começo a fazer, no grupo Decisão, em São Paulo, um teatro de repertório. Nós fizemos Fuenteovejuna, de Lope de Vega. É uma cidade que é torturada por um alcaide e resiste à tortura. Eu me lembro que na época, era o Brasil de Jango (João Goulart), e houve uma crítica que estávamos sendo pessimistas. “Imagine, tortura! Um tirano? Não, não! Estamos num momento em que a gente vai fazer uma revolução socialista!” e tal. Mas o Abujamra era mais pessimista. Ele achava que o Jango estava sendo movido por baixo, entendeu? E que a elite não iria perdoar o fato de ele querer fazer reformas de base e tal. E aí nós fizemos Terror e Miséria do III Reich (Brecht), que é a ascensão do Hitler. O que também na época foi considerado uma ousadia, porque era muito pessimista, enquanto a América do Sul estava no próprio processo revolucionário. E parece que foi premonitor, na verdade. Por último, nesta primeira fase do Decisão, nós fizemos O Inoportuno, do (Harold) Pinter, que era um autor do Teatro do Absurdo, e da solidão, e foi o trabalho que eu ganhei meu primeiro prêmio, que foi o prêmio Saci (do jornal Estado de S.Paulo). Com isso, minha carreira já se consolida em seu terceiro ano. Eu ganhei o prêmio de melhor coadjuvante junto com Paulo Autran, concorrendo com Juca de Oliveira e Renato Borghi, fazendo o (personagem) Mick.

OP – Na sequência, o senhor se muda para o Rio de Janeiro.

Mamberti – Aí o que acontece, a gente começa a fazer uma turnê nacional com O Inoportuno. Pegamos o golpe de 64 em Porto Alegre (RS), o que muda de repente a paisagem. Aí, na volta, nós levamos O Inoportuno para o Rio e eu me instalei lá. Você veja, a gente sempre age de uma forma premonitória. O Abujamra tinha encontrado uma peça, que chamava-se O Patinho Torto ou Os Mistérios do Sexo, do Coelho Neto. Uma comédia, um vaudevillezinho, baseado numa história real, de uma menina hermafrodita, que fazia parte da sociedade mineira, que no final se transformava num homem. E convidamos, então, os remanescentes do Centro Popular de Cultura da UNE, do Movimento de Cultura Popular do Recife veio o João das Neves e o (Carlos) Vereza, e veio o (José) Wilker. O Wilker não fez parte deste espetáculo, mas estava nessa leva, junto com o Luiz Mendonça, que foi o primeiro Cristo da Paixão (de Nova Jerusalém). Essas pessoas estavam chegando no Rio de Janeiro sem emprego e nós fizemos esse espetáculo que foi um sucesso. Enquanto isso, nós preparávamos Electra, de Sófocles, com a Glauce Rocha e com Margarida Rey, que veio do TBC. E foi um acontecimento, Electra. A gente estreia em São Paulo, depois fez algumas viagens. Mas aí, eu já me desligo do grupo Decisão e começo uma carreira solo. Faço A dama do Maxim’s (de Georges Feydeau), com a Tônia Carrero, que era um vaudeville, e foi meu primeiro trabalho com (Gianni) Ratto (diretor), e em seguida volto para minhas raízes políticas e participo, no Opinião, do Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, do Vianninha e do Ferreira Gullar. Que é uma peça maravilhosa, que merecia ser remontada.

OP – Foi nessa época que aconteceu seu casamento?

Mamberti – Sim. Nessa época eu casei e a Vivian (Mehr) fazia parte de nosso grupo, e aí a gente começa a ter os filhos. Então, eu começo a minha carreira profissional, mas dentro sempre desse perfil de uma militância política e de uma experimentação (estética), mesmo com todas as dificuldades para manter uma família. Naquela época, a gente não prestava muita atenção, né? (risos). Eu tive três filhos. Meu primeiro filho nasceu quando eu tinha 25 anos. Meu terceiro filho nasceu, eu tinha 30 anos! (risos). Eu passei um bom tempo no Rio, mas aí eu vi que eu tinha que voltar para São Paulo.

OP – Por quê?

Mamberti – Porque o Oficina tinha me convidado para fazer O Rei da Vela. E lá estavam os meus pais e os pais da minha mulher, que nos ajudavam com as crianças, nós só tínhamos dois nessa época. Mas eu não consegui me acertar economicamente com o Oficina. Aí, o Plínio (Marcos) estava lançando Navalha na Carne e me convida para fazer o Veludo. Eu faço o Veludo. E o Veludo era aquela explosão, né? De repente, um homossexual que é um personagem em cena, entendeu? Um personagem de 15 minutos, mas você entrava em cena aplaudido e saía de cena aplaudido. Naquela época, os espetáculos de teatro eram em três atos, com de duas horas e meia de duração, no mínimo. E o Plínio Marcos escreve uma peça de uma hora e 15 (minutos)! Eu me lembro das pessoas perguntarem assim: “Mas vocês vão cobrar o preço do ingresso integral?” (risos). E a Navalha foram dois anos de sucesso, primeiro grande sucesso de público. Porque as outras peças foram sucessos artísticos, mas do ponto de vista de bilheteria, eram mais difíceis. E nesse mesmo momento Rogério Sganzerla (cineasta) me chama para fazer O Bandido da Luz Vermelha, baseado no Veludo.

OP – Ele lhe conheceu fazendo o personagem?

Mamberti – Eu conheci o Sganzerla quando ele chegou de Santa Catarina. Eu sempre fui muito cinéfilo. E ele veio trabalhar diretamente junto à Cinemateca. Sganzerla era um geniozinho, talento extraordinário! Ele o Gustavo Dahl (cineasta). Eles, bem jovens, já escreviam sobre cinema no recém-lançado suplemento literário do Estado de S. Paulo.

OP – Como foi o convite para o filme?

Mamberti – Quando o Rogério viu Navalha na Carne ele me disse: “Tem um personagem, que eu não desenvolvi ainda, que eu quero que você faça. É o personagem que vai abordar o bandido da luz vermelha nas escadarias do Municipal. Ele entra no carro e dá uma cantada no bandido. É uma cena episódica, uma cena curta, mas eu quero que você faça dela uma cena de impacto”. E eu: “Tá bom, vamos lá fazer”. E aí chegou o dia da filmagem, eu chego no set e pergunto pelo meu texto. “Não, não tem texto. É tudo na base da improvisação mesmo”. E me perguntou: “O que você vai fazer para seduzir o bandido da luz vermelha?”. Eu falei: “Sei lá! Vou dar uma receita de pudim de maracujá (risos)”. E eu na hora inventei uma receita de um pudim de maracujá, totalmente construída no improviso, e se transformou num clássico, e a minha cena foi aplaudida de pé em Nova York, nos festivais internacionais. E até hoje quando o filme passa, 50 anos depois, é uma cena marcante. E O Bandido continua absolutamente moderno, continua atual.

OP – Como é que se estabelece a sua relação com o cinema?

Mamberti – A minha formação foi dentro do Clube de Cinema de Santos. Com 12 anos, eu já assistia aos clássicos. A minha companheira de cinema era a Pagu. Aliás, eu só fui descobri que a Pagu era a Pagu muito tempo depois (risos), porque para mim era ela a Patinha. O marido dela, o Geraldo (Ferraz Gonçalves), chamava ela de Pat, Patinha. Ela era uma menina! Um espírito jovem, apaixonada pelo teatro! E eu andava com a Pagu pra cima e pra baixo. E o diretor do Clube de Cinema de Santos era um francês muito culto. Com 12 anos, eu ouvia palestra de Paulo Emílio Salles Gomes e via os grandes clássicos do cinema. Já com 14 anos eu vinha sozinho para São Paulo para ver os filmes na Cinemateca. Nessa época eu cheguei a ver uma média de 300 filmes por ano. Depois, eu fui fazer o curso na Cinemateca, do Paulo Emílio, aí conheci o Jean-Claude Bernadet (crítico e cineasta), o Sganzerla e o Dahl. Conheci também o Walter Hugo Khouri, que frequentava a Cinemateca, conheci os estúdios da Vera Cruz, que para mim era uma coisa fantástica! Então, o cinema sempre fez parte da minha vida. Na verdade, até hoje eu alimento o sonho de dirigir cinema (risos). Já pensou? Nas minhas comemorações dos 80 anos, eu estou trabalhando um roteiro… Gostoso, né?, aos 80 anos a gente estar fazendo planos de mudar, até de experimentar outra linguagem.

OP – Ao longo da nossa conversa, o senhor falou diversas vezes em política, do papel político da arte. O senhor foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) e mantém-se fiel ao PT até os dias de hoje.

Mamberti – Exatamente.

OP – Como o senhor vê a atual situação? Como o senhor avalia essa eleição recente, que foi marcada por uma forte onda antipetista?

Mamberti – Olha, eu acho que quando a gente fala de cultura, tem que falar também de comunicação. Eu acho que esse monopólio absurdamente ostensivo dos meios de comunicação, justamente a serviço de uma elite conservadora, criou uma imagem muita negativa (do PT). Começou com a questão do Mensalão, depois veio a execração da Dilma (Rousseff), dizendo que ela não tinha condições e tal, e se fez do PT um grande bode expiatório, ignorando tudo aquilo que nós realizamos. Eu estava vendo uma entrevista do Lula no Datena e ele dizendo: “No meu governo tem espaço para todo mundo”. E o (Barack) Obama dizendo assim: “Você é o dirigente mais importante do mundo”. E era mesmo! Eu participei de várias viagens internacionais representando a cultura e o Lula era visto como a maior liderança internacional, de um país que saiu de 13º para a quinta economia do mundo, com conquistas sociais espantosas. Agora tem alguns aspectos que a gente deveria fazer uma autocrítica.

OP – Por exemplo?

Mamberti – Perceber que a área de comunicação ficou pouco democratizada. Embora a gente tenha criado a EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), as grandes emissoras continuaram, de uma certa maneira, com esse conjunto de atividades. Então, essas são algumas críticas que eu acho que devem ser feitas. Um governo de coalizão sempre é muito difícil, porque você convive com muitas diferenças. Num país que sempre foi dominado por uma elite extremamente predatória. No primeiro governo Lula, tinha o José de Alencar (como vice), mas já com a Dilma era o PMDB, que é um partido difícil nesse sentido, que sempre esteve muito acomodado, muito inserido nesse processo conservador e predatório. Então, foram dificuldades muito grandes. Eu acho que nós emancipamos economicamente muitas pessoas, mas faltou que em termos da educação e da cultura a gente conseguisse ter avançado mais, embora nós tivéssemos avançado muito. Mas, principalmente, houve uma demonização (do PT), e muitas vezes baseada em coisas que absolutamente não eram verdadeiras.

OP – O que lhe mantém no palco aos 80 anos?

Mamberti – Em primeiro lugar, minha vitalidade (risos). O Rodrigo (Lombardi) fala que eu tenho 80 com energia de 40. Mas é verdade, eu estou sempre muito ativo. Continuo vendo oito, 10 filmes por semana; vou sempre ao teatro, continuo estudando, continuo procurando sempre novos textos, continuo militando politicamente, lutando por Lula livre, por um Brasil melhor e acreditando sempre que a cultura tem esse papel transformador e é isso que talvez seja a coisa mais forte. E ver que eu tenho uma continuidade, não só através dos meus filhos, mas também nas novas gerações de artistas. Eu acho que a gente não pode parar. Enquanto a gente tiver saúde, deve seguir. Mas dialogando principalmente com as novas gerações, com as novas plateias. E já pensando nas próximas produções (risos).

Senhor Green

SÉRGIO MAMBERTI volta aos palcos de Fortaleza neste sábado em apresentação única do espetáculo Visitando o Sr. Green, de Jeff Baron, acompanhado de Ricardo Gelli no elenco. Às 21 horas, no teatro RioMar Fortaleza.

Prole

OS TRÊS FILHOS de Sérgio Mamberti seguiram a carreira artística. Fabrício Mamberti, 50, é diretor e produtor de novelas da Rede Globo; Carlos Mamberti, 52, produz os espetáculos do pai; e Duda Mamberti, 54, é ator.

Celebração

A PROGRAMAÇÃO DE comemoração dos 80 anos de Sérgio Mamberti (a serem completados no próximo dia 22) inclui uma exposição em São Paulo de fotos e colagens realizadas por ele; o lançamento de seu livro de memórias; a apresentação do espetáculo Visitando o senhor Green, no teatro Tchékhov, em Moscou; e uma viagem de carro pelo Sul da Itália com os três filhos neste mês.

 

Recomendado para você