Blog do Maranhão

Um governo à beira da implosão?

Não haveria de causar espanto a natureza belicosa do governo Bolsonaro.  O discurso biliar que o caracteriza desde os tempos de parlamento já prenunciava o tom colérico de seu mandato no Palácio do Planalto. Mas acreditava-se que, uma vez eleito e empossado, sua carga rançosa fosse direcionada aos inimigos usuais (reais ou imaginários). No entanto, o que se assiste, e assombra, é uma guerra intestina em seu governo – e com uma participação efetiva do presidente.

O que vinha sendo desenhado ao longo dos quatro primeiros meses do ano, ganhou contornos vívidos na última semana. Há uma ruidosa queda de braço em curso. Mais que isso, há uma disputa, explicitada, pela ascendência sobre Jair Messias. Consequentemente, sobre o projeto de País que será tocado a partir do resultado deste embate.

De um lado, o escritor, astrólogo, e autoproclamado filósofo, Olavo de Carvalho, mentor do clã Bolsonaro. Do outro, a ala militar que integra o governo. O primeiro não disfarça mais que atua para forçar o presidente a implementar o que ele chama de “Revolução Cultural”. Não faltam especialistas que traduzam esse movimento como uma estratégia de ruptura do estado de direito, o ocaso das instituições e o estabelecimento de um canal direto entre o presidente e “o povo”.

O segundo, veja só, estaria brigando para manter a ordem institucional, e por isso teria se tornado alvo do ódio de Olavo e seus asseclas (traduzido em posts onde a escatologia é língua oficial).

Apesar de avocar imparcialidade nesta querela, não foram nem são poucos os acenos de Bolsonaro aos chamados Olavetes. Assim como, num arremedo de “morde e assopra”, um ou outro afago público aos generais. Como será o amanhã? Responda quem puder.

Émerson Maranhão / Jornalista do O POVO

 

 

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