Blog do Maranhão

Hoje é dia de ‘Bacurau’ no tapete vermelho de Cannes

Assinado pelos pernambucanos Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, Bacurau tem sua première mundial hoje, na competição oficial do Festival de Cannes. Protagonizado por Sonia Braga e pelo alemão Udo Kier, o longa tem no elenco quatro atores cearenses

Émerson Maranhão / emerson@opovo.com.br

No fim da tarde desta quarta-feira, dia 15 de maio, o cineasta Kleber Mendonça Filho cruzará mais uma vez o tapete vermelho do Grand Théàtre Lumière. O principal palco do 72º Festival de Cannes receberá a sessão de gala de Bacurau, novo longa-metragem do pernambucano, coescrito e codirigido com Juliano Dornelles, e único representante brasileiro na competição pela cobiçada Palma de Ouro.

O festival é o mesmo em que, há três anos, Kleber concorreu com Aquarius e onde chamou a atenção da imprensa internacional ao denunciar, junto com o elenco do filme, que o Brasil estaria vivendo “um golpe contra a presidente Dilma Rousseff”, que pouco depois sofreria impeachment.

“Não sou político, sou um cineasta. Fizemos o protesto naquela época porque simplesmente fazia sentido, inclusive não foi nada planejado”, declarou Kleber Mendonça Filho à agência AFP. “Mas a gente realmente está querendo exibir Bacurau. Exibir em Cannes um filme foda sobre o Brasil vai ser nosso tipo de protesto”.

O novo longa do diretor, o terceiro de sua carreira, foi rodado há um ano no Sertão do Seridó, divisa do Rio Grande do Norte com a Paraíba. As filmagens duraram dois meses e três dias e movimentaram uma equipe de 150 pessoas.

A história do filme se passa no fictício Bacurau, pequeno povoado do sertão brasileiro, que dá adeus a dona Carmelita (Lia de Itamaracá), mulher forte e querida, falecida aos 94 anos. Dias depois, os moradores de Bacurau percebem que a cidade não consta mais no mapa.

Bacurau é um projeto que vem sendo desenvolvido desde 2009, quando era só uma ideia, até ser filmado em 2018. Enquanto o roteiro se transformava, o país e nosso cotidiano também. Estrear em Cannes nesse ano de 2019 é dar um lugar de respeito ao Brasil, seu cinema e sua cultura”, comenta Juliano Dornelles, no material de divulgação do filme.

À frente do elenco, Kleber Mendonça Filho repete a parceria com Sonia Braga, protagonista de Aquarius, e trabalha pela primeira vez com o alemão Udo Kier, que tem em sua vasta filmografia títulos como Berlin Alexanderplatz, de Fassbinder, Garotos de Programa, de Gus Van Sant, e Melancolia, de Lars Von Trier.

Outros destaques do elenco de Bacurau são os cearenses Silvero Pereira (Lunga), Rodger Rogério (Carranca) e Fabíola Líper (Nelinha), além do carioca radicado no Ceará Uirá dos Reis (Raolino).

Silvero e Fabíola, por sinal, têm presença confirmada na première do filme, que começa às 22 horas (horário de Cannes e 17 horas, aqui no Brasil), assim como os diretores e a produtora Emilie Lesclaux. Além deles, outros nomes do elenco, como Udo Kier, Karine Teles e Bárbara Colen também passarão pelo tapete vermelho.

Um páreo duro

Nesta edição da competição oficial, o filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles terá entre seus concorrentes alguns dos maiores nomes do cinema mundial contemporâneo.

É o caso do espanhol Pedro Almodóvar, que apresentará o autobiográfico Dolor y Gloria, em que volta a trabalhar com Antonio Banderas e Penélope Cruz; do veterano italiano Marco Bellocchio, que disputa com Il Traditore, que tem coprodução brasileira e a atriz Maria Fernanda Cândido no elenco; do britânico Ken Loach, que venceu a Palma de Ouro em 2016 com I, Daniel Blake, e que volta à disputa com Sorry, we missed you; e do norte-americano Quentin Tarantino, que apresentará o aguardado Once upon a time… in Hollywood, protagonizado pela dupla Leonardo Dicaprio e Brad Pitt (FOTO), 25 anos depois de vencer o prêmio principal com Pulp Fiction.

Sem falar no também norte-americano Terrence Malick, que já venceu a Palma de Ouro de Melhor Filme por A Árvore da Vida (2011) e de Melhor Diretor por Cinzas no Paraíso (1979); ou dos irmãos Dardenne, dupla belga que conseguiu o feito de ter duas Palmas de Ouro de Melhor Filme na estante: Rosetta (1999) e A Criança (2005).

Nesta edição do festival, Malick concorre com A Hidden Life. Já Jean-Pierre e Luc Dardenne apresentam Le Jeune Ahmed.

Completam a seleção oficial The Dead Don´t Die, do norte-americano Jim Jarmusch; Portrait de la Jeune Fille en Feu, da francesa Céline Sciamma; Sibyl, da francesa Justine Triet; Matthias & Maxime, do canadense Xavier Dolan; Parasite, do sul-coreano Bong Joon-Ho; The Whistlers, do romeno Corneliu Porumboiu; Roubaix, Une Lumiere, do francês Arnaud Desplechin; Frankie, do norte-americano Ira Sachs; Atlantique, da francesa Mati Diop; It Must Be Heaven, do palestino Elia Suleiman; The Wild Goose Lake, do chinês Diao Yi’nan; Little Joe, da austríaca Jessica Hausner; Mektoub, My Love: Intermezzo, do franco-tunisiano Abdellatif Kechiche; e Les Misérables, do francês Ladj Ly.

 

 

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