Blog do Maranhão

Por que celebrar os 50 anos da Batalha de Stonewall?

A convite do O POVO, 50 personalidades respondem porque se deve celebrar a Batalha de Stonewall, que chega hoje aos 50 anos

“Para homenagear àqueles que iniciaram a luta por igualdade e para não esquecermos da nossa responsabilidade em continuar exigindo nossos direitos garantindo melhor qualidade de vida da futura geração de LGBTIQ+. A Rebelião de Stonewall foi um grito de liberdade e pedido por respeito; ela nunca deve ser esquecida e sempre será celebrada”.

Ailton Botelho, empresário

“Celebrar os 50 anos de Stonewall é reconhecer e respeitar a história dos direitos homossexuais e principalmente dos direitos humanos. A revolta de Stonewall se tornou um símbolo de resistência da comunidade LGBT que segue lutando junta até hoje contra a discriminação política e social que atinge seus membros em todas as partes do mundo.”

Alex Bernardes, diretor do Fórum de Turismo LGBT do Brasil

“Celebrar as lutas contra a opressão de todos os tipos é um importante elemento da memória. O ato de celebrar ativa tanto o orgulho quanto a lembrança de que as conquistas acontecem todos os dias. Stonewall foi um marco na luta pelos direitos das pessoas LGBTQI+ que deve ser celebrado, tanto para lembrarmos que o amor e a liberdade vencem a ignorância, quanto para lembrarmos todos os dias que a luta por dignidade continua”.

Alex Mourão, professor universitário

“O acontecimento no bar Stonewal foi um marco na luta dos nossos direitos LGBTS. Lembrá-lo é reforçar essa importância e não perder de vista que os nossos direitos ainda não foram conquistados e que falta muito. Temos que celebrar, honrar e a cima de tudo, nos orgulhar de ser quem somos.”.

Augusto Rossi, publicitário

“Em tempos de discursos de ódio, violência e intolerância, é mais do que necessário relembrar e celebrar esse momento histórico que representa o ‘basta’ que devemos dar, todos os dias, para o preconceito e para os retrocessos nos direitos dos LGBTs”.

Bob Yang, cineasta e empresário

“Stonewall é a característica mais forte da luta contra os abusos sociais e policiais. Devem os celebrar a força da luta emanada dos LGBTQ+. Mostrar que a luta é a força de impulsão para a conquista dos direitos fundamentais de sobrevida e dignidade. Não existe conquista social em uma sociedade desigual sem luta de classe. Porque celebrar? Porque devemos manter vivo o fogo da luta de nossos iguais. Faça as adversidades estarem sempre a seu favor. SOMOS VORAZES. SOMOS RESISTÊNCIA E LUTA”.

Caio José, militante de movimentos sociais LGBTQ+

“A partir dos eventos de Stonewall, a população homossexual começou a entender que era uma guerra, que tinha um exército e poderia lutar. Foi quando os LGBT saíram da condição de invisibilidade para dizer que eram também uma força política. Quando aqueles pioneiros foram para a rua, eles inspiraram gente mundo afora e gerações além, e pela primeira vez foram exigir respeito. Do lodo da intolerância brotou uma flor”.

Chico Fireman, jornalista e crítico de cinema

“Acho que toda a população LGBTQ deveria celebrar e ter orgulho de Stonewall. Foi um marco importante para a aceitação da nossa comunidade. Certamente inspirou a comunidade brasileira e hoje, apesar de ainda termos um longo caminho pela frente, podemos dizer que somos mais toleradas pela sociedade e continuaremos lutando por igualdade”.

Clarissa Rocha, bióloga

“Em tempos obscuros e ameaçadores dos direitos humanos, em tempos de retrocesso às liberdades individuais, celebrar Stonewall é reafirmar democracia e a cidadania como valores planetários. Os nacionalismos extremistas, a xenofobia, o racismo, a homofobia, a misoginia são expressões da intolerância à alteridade que precisamos enfrentar e superar. Trazer a memória de Stonewall aos dias de hoje é expressar a potência daqueles que continuam a lutar para derrubar o preconceito e a discriminação. Stonewall vive!”

Cláudia Leitão, diretora do Observatório de Fortaleza e professora da UECE.

“A importância em celebrar os 50 anos do Stonewall é, principalmente, homenagear a todos envolvidos nesse tempo tão Largo e ainda com tanto sofrimento em vários países. Tempo largo no sentido de realmente muito tempo para abolir preconceitos, homofobia e toda essa carga ruim que o movimento tenta sucumbir e sair com muito sucesso. É bom lembrar que nunca foi fácil. As novas gerações de LGBT também tem o direito e o dever de conhecer sua história para que sua visibilidade e segurança seja cada vez mais ampla e real. Happy Pride Day!”

Clóvis Casemiro, diretor da IGLTA no Brasil

“Stonewall é um marco na história LGBTI, extremamente importante para os dias atuais, porque essa revolução inspirou a revolução em outras partes do mundo, inclusive no Brasil. Então, essa celebração é importante para mostrar realmente que nós estamos aqui, que algumas coisas mudaram, mas outras não, e nós precisamos mudar. E no Brasil essa revolução aconteceu justamente na época da Ditadura, onde o LGBTI era considerado bandido. Às vezes até não ser ligado à Política, mas a ditadura já ligava ‘atos comunistas’ aos LGTBI para justificar os atos bárbaros praticados contra a comunidade. E hoje nós estamos numa situação muito parecida. O preconceito ainda segue. Então é muito importante celebrar Stonewall sim. É um evento que revolucionou e que representa essa vontade de sair da marginalidade imposta. É um símbolo de luta, um símbolo de reconhecimento e empoderamento do espaço que nós merecemos como seres humanos. Então, nos respeitem. Porque realmente nós estamos aqui e se for preciso nós vamos para a briga”.

Cristiano Sousa, roteirista, produtor e diretor audiovisual, é diretor do Festival Internacional de Cinema e da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás

“A sociedade sempre impôs que nós, LGBTs, deveríamos nos envergonhar do que somos, Stonewall nos ensinou que termos orgulho é a melhor resposta a isso”.

Daniel Peixoto, cantor e compositor

“Porque a luta por respeito e igualdade de direitos não acaba. É preciso estar atento e forte contra a homofobia e a estupidez, que saíram do armário no Brasil. Como em Stonewall, é com união e coragem que enfrentaremos essa batalha. E será só mais uma”.

Daniella Cronemberger, jornalista e cineasta

“Stonewall é um marco das lutas do movimento LGBT no mundo. Quando a gente coloca Stonewall como um marco importante no ativismo, nas lutas pelos direitos humanos a gente coloca também que ele vai trazer todas as questões da negação do reconhecimento das identidades de gênero, das orientações sexuais, das manifestações afetivas, das manifestações eróticas da população LGBT pelo mundo. Celebrar Stonewall hoje é reconhecer que existe uma desigualdade social, onde o demarcante que está colocado são os desejos, são afetos. Então, a gente precisa discutir Stonewall como um marco histórico todos os dias, nas lutas das pessoas LGBTs e das que têm menos acesso social. Eu acredito que as periferias são também uma demarcação de Stonewall. Acredito que as manifestações artísticas produzidas pela população LGBT nos grandes centros urbanos também são uma comemoração de Stonewall”

Dediane Souza, jornalista e Coordenadora Executiva da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual

“Não consigo viver a minha vida sendo um lgbtq sem lembrar desses 50 anos. A minha vida nestes 32 anos me faz lembrar dessa história. Eu sou esta história. Todas as lutas e conquistas devem ser lembradas. Eu mando essa mensagem com os olhos marejados, imaginando que a pessoa que sou hoje, as lutas que faço hoje são frutos de 50 anos atrás”

Dênis Lacerda, ator e drag queen, integrante do Coletivo As Travestidas

“Deve-se celebrar Stonewall porque nos lembramos da opressão que se impôs num passado não tão longínquo e nos acercamos da coragem de criar modos de vida sempre mais plurais. Stonewall é criação, resistência, vida!”.

Emanuel Freitas, professor da UECE

“Celebrar Stonewall é compreender a imensidão que nos tornamos quando nos unimos a favor de uma causa! Faz-se necessário que entendamos o processo de exclusão social que a população LGBT historicamente sofre para podermos compreender o quão importante esse momento foi. Impedimentos de entrar em alguns lugares, segregação social com uso do banheiro por mulheres transexuais e travestis, parecem nos remeter a meados do ano de 1969. Porém 50 anos depois ainda sofremos muito e muito disso! Stonewall foi um marco histórico, talvez se não tivéssemos nos ‘rebelado’ naquele momento histórico, ainda estivéssemos à mercê das migalhas que nos eram dadas pela sociedade! Que possamos unificar nossa luta e fazer valer todos os nossos direitos!”

Erikah Souza, mulher transexual e professora de Matemática.

“Celebrar Stonewall é marcar a importância dos atos de contra discurso e mesmo daqueles que à primeira vista parecem extremados. Foi no corpo a corpo, no pedra a pedra, que Marsha e suas companheiras e companheiros conseguiram inaugurar amplamente algo muito maior que um movimento, mas a visibilização de um modo de existência. É importante também pensar como esse momento nos força a pensar nas questões raciais , de classe e de gênero no interior LGBTQI: o discurso de Sylvia Rivera é o máximo exemplo que mesmo entre pessoas que clamavam por respeito e direitos civis, há uma hierarquia violenta”

Fabiana Moraes, jornalista e professora universitária

“Stonewall é o marco, o começo de uma luta fundamental pelos direitos civis das minorias e que serviu de um start, um grande despertar da comunidade LGBT. A noite do dia 28 de junho serviu para mostrar que a comunidade LGBT, quando unida, pode fazer a diferença com o apoio da comunidade. Aqueles dez dias de confronto nos Estados Unidos, na década de 1960, representaram um grito por libertação, preso na garganta por gerações e séculos, e foram a garantia de direitos assumidos pelos LGBTs em diversas partes do mundo a partir de então. Por que celebrar Stonewall? Os direitos adquiridos desde então ainda são muito frágeis para a comunidade LGBT. Basta olharmos para alguns países como Rússia, China, Irã, Nigéria, Egito e centenas de outros onde os gays são proibidos de existir. Outros tantos, como o Brasil, onde se mata LGBTs diariamente. Celebrar Stonewall, ao menos para nós que já temos alguns direitos adquiridos, é a garantia de que não permitiremos o retrocesso. Um retrocesso que bate em nossa porte diariamente”.

Flávio L. Prestes, Jornalista e organizador da LGBT Conference Gramado

“Nesta época em que os direitos humanos estão sob intensa ameaça de cerceamento pelos podres poderes da vez, a celebração dos 50 anos do Levante de Stonewall se faz imprescindível como símbolo e alento da luta contra o preconceito, a prepotência e a arbitrariedade sofridas pela população LGBTQ nos dois hemisférios. É importante lembrar que mesmo hoje ainda somos o alvo preferencial de fundamentalistas (religiosos ou não) cada vez mais em ascensão no espectro político mundial e que até a revolta de junho de 1969 toda e qualquer oposição à intolerância vigente nas instituições não passavam de solitárias batalhas pela sobrevivência. A partir de então, as conquistas pela igualdade perante as leis e a própria aceitação por parte da sociedade passaram a ser coletivas e assim vem se consolidando contra os abusos de um sistema terrivelmente injusto e excludente. Juntos somos mais fortes, eis a principal lição deste marco histórico e sua relevância nos dias atuais deve ser comemorada por todos que concorrem para um mundo melhor e mais justo”.

Fran Viana, agente de viagens e pesquisador musical

“Se hoje a palavra ‘empoderamento’ é chave de qualquer movimento ativista, para os LGBTQ+ ela começou a fazer sentido na Revolta de Stonewall. Celebrar Stonewall é não se esquecer de que um dia a gente precisou lutar pelo direito de ser o que se é e pelo direito de amar – direitos essenciais que eram para ser básicos a toda a população, mas que eram (e ainda são, né?) vetados aos LGBTQ+. É lembrar de que juntos somos mais fortes e de como um movimento tomou corpo tão rápido sem apoio da mídia tradicional e numa época onde nem existiam mídias digitais! Lembrar de Stonewall é lembrar que um sentimento coletivo deve ser transformado em resistência!”

Gabriel Baquit, publicitário e empreendedor

“Stonewall é mais que um marco temporal de quando o movimento LGBT toma forma. É uma referência, um modelo de conduta que nos ensinou o que significa resistência e reação nas lutas por direitos que travaríamos dali para frente. É preciso lembrar que durante a Rebelião de Stonewall, quem primeiro decidiu não se calar diante da violência policial foi Sylvia Rivera (1951-2002), uma transexual que atualmente é um dos ícones do movimento trans. É irônico que quem iniciou o que seria a maior referência de resistência na nossa história seja justamente uma integrante de uma comunidade ainda tão hostilizado dentro do próprio movimento, que são as Travestis e Transexuais. Então, acho que não basta conhecer os fatos. Temos que fazer o dever de casa, refletir sobre quem somos, sobre onde estamos, o custo da nossa luta e, principalmente, reverenciar os sujeitos, as pessoas que romperam o silêncio naquele 28 de junho de 1969”.

Guilherme Cavalcante, jornalista e ativista LGBT

“Por que celebrar Stonewall? Porque é a celebração de uma luta pela igualdade de direitos, pelo reconhecimento e pela diversidade. Porque é a comemoração de um passado ainda tão presente para tantos de nós. Porque buscamos, ainda, um mundo mais justo, no qual os afetos, os desejos e os sujeitos possam ser livres, de verdade.

Henrique Codato, Professor e Pesquisador Unifor/UFC.

“Celebrar é ativar a memória, mola impulsionadora das mudanças e dos avanços. A história das lutas pelos direitos LGBTs demarcou, no dia 28 de junho de 1969, em um bar de Nova York, chamado Stonewall Inn, o marco de uma luta que ficou conhecido como as Rebeliões de Stonewall. Celebrar esse acontecimento é relembrar e pontuar esse marco simbólico de luta que foi muito importante para a liberação do movimento gay, para o respeito pela diversidade e para a luta pelos direitos LGBT nos EUA e no mundo. Stonewall entrou para a história como o ato simbólico que faltava para que mudanças radicais pudessem ser vistas como necessárias e urgentes em todo o mundo. Em tempos de intolerância e de discursos que beiram o fascismo, precisamos mais do que nunca celebrar, porque celebrar é resistir. É visitar a memória para que possamos avançar na construção de um presente e de um futuro sem preconceitos e intolerâncias. Não se constrói um mundo mais justo sem o respeito pela diversidade humana, por isso é tão necessário e importante que celebremos cada conquista. Viva a diversidade! Viva as lutas LGBTs!”.

Herê Aquino, diretora e pesquisadora teatral.

“Celebrar Stonewall é celebrar o direito e o dever de sermos nós próprios!”

João Costa, empresário, dono da Trombeta Bath Lisboa

“No mundo inteiro é referência, o primeiro levante dos homossexuais contra a opressão no pós-Guerra. Mas acrescento que a própria comunidade LGBT precisa ser constantemente lembrada que quem estava na linha de frente da batalha de Stonewall eram mulheres trans negras, que, 50 anos depois, seguem sendo o grupo mais vulnerável do espectro do arco-íris. É preciso prestigiar e honrar o pioneirismo delas”.

João Ximenes Braga, escritor

“Penso que celebrar Stonewall é importante pelo fato de que foi um momento transformador, quando deixamos de aceitar passivamente toda a violência com a qual sempre fomos tratados, foi o maior BASTA! que demos até então, mas ainda precisamos de mais transformações, como a de Stonewall. E precisamos celebrar também os nossos, em quem reverberou tudo aquilo, aqui no Brasil? Quem foi pra rua aqui e disse: Basta!, precisamos saber mais sobre a nossa história nesse sentido”.

Julia Katharine, atriz, roteirista e cineasta

“Stonewall é um evento que se tornou uma data consolidada nos Estados Unidos nos anos 1960. No momento em que vivenciávamos na história a triste e dura realidade da questão do “homossexualismo”, que era tido e visto como uma doença. Nessa época em que a homossexualidade vivenciava esse cenário de ser tido como doença surge essa chamada ‘rebelião’, conhecida por muites como a “Rebelião de Stonewal”, consolidando como marco histórico do ativismo e militância LGBTQI+. Logo depois desse momento surge a criação de novos grupos militantes, não só nos Estados Unidos como outros países se engajando nessa “Rebelião”. Esse marco não tem como única importância o fato histórico, como também vem para afirmar as lutas e trajetórias através do ato político e de construções políticas”.

Kaio Lemos, mestrando em Antropologia (UFC)  e presidente da Associação Transmasculina do Ceará (Atransce)

“Celebrar Stonewall é, sobretudo, celebrar o reconhecimento das lutas e das resistências cotidianas de populações que historicamente têm seus direitos negados e retirados. Em 50 anos de Levante nos corpos, vozes e cores aumentaram o tom da celebração da vida, do amor, do orgulho e da diversidade. Viva Marsha P. Johnson lá e todas e todes daqui que já somaram e ainda somam nessa luta colorida”.

Labelle Rainbow, ativista LGBTI

“Celebrar Stonewall é celebrar momento em que a comunidade LGBT se uniu entorno da luta pelo exercício regular dos direitos a vida, da integridade física e da dignidade da pessoa humana”.

Leandro Prior, Coordenador Nacional de Segurança Pública da ANLGBTI

“Porque Stonewall trata de amor. E amor é de se celebrar! Stonewall é um símbolo de resistência e esperança de uma sociedade mais justa e incondicionalmente mais amorosa. Acho importante comemorarmos os avanços, para que os retrocessos não ousem bater à porta novamente. Não há armário certo que nos prenda mais uma vez a essa maluquice das pessoas de se intrometerem na nossa vida afetiva, quererem saber com quem você se deita”.

Lilih Curi, cineasta

“Acabei de ler um livro que é uma minibiografia do Harvey Milk, falando também sobre a produção do filme Milk. E está tudo ali. Tudo o que aconteceu em Stonewall em 69 foi reverberado pelo Milk nos anos 1970, culminando em 1978. A ideia continua sendo aquela de entender nosso passado, para mudar nosso presente e construir nosso futuro. E se assumindo, para que a visibilidade empodere as pessoas. Hoje no Brasil a gente tem parlamentares assumidamente LGBTQI+, e isso é super importante, enfim temos representantes de fato. E tudo começou com Stonewall. Por isso a importância de celebrar essa data, que sempre será um farol. Lembrar que existiu esse fato é sempre um arsenal de esperança”.

Lufe Steffen, cineasta

“Celebrar Stonewall é reconhecer a luta dos que nos antecederam e se fortalecer para as muitas questões que ainda temos que enfrentar no que se refere à LGBTfobia. Os LGBTI+ enfrentam até hoje as mais diversas violências físicas e simbólicas, o que significa que nós não podemos descuidar em dar continuidade a essa revolução que começou há 50 anos, mas no que ainda temos tanto a avançar. O Brasil é o país que mais mata LGBTI+ no mundo. Com a recente criminalização da LGBTfobia pelo STF poderemos ao menos contar com um pouco menos de impunidade e ter dados concretos sobre esses crimes para que possamos cobrar políticas públicas voltadas para essa população. Mas ainda temos muito a avançar, no Brasil e no mundo. Que esse olhar para o passado nos inspire a prosseguir na luta”.

Mara Beatriz, jornalista e membro do Coletivo Mães pela Diversidade

“Celebrar Stonewall é lembrar que há 50 anos a população LGBT luta por cidadania, equidade e liberdade de ser, amar e existir. De acordo com o último relatório da ILGA, ser homossexual ainda é crime em 35% dos países filiados à ONU. Portanto, a data serve para nos lembrar que no Brasil precisamos avançar muito, mas temos importantes conquistas a comemorar, como a união civil homoafetiva e a equiparação da homo/transfobia ao racismo, como recentemente reconhecida pelo STF. Querem silenciar nossas vozes, mas ninguém vai voltar pro armário!!!”

Marcela Lopes, Jornalista, mestre em comunicação e coordenadora da Aliança Nacional LGBTI em Brasília.

“Por que comemorar Stonewall? Hoje nós devemos comemorar Stonewall para que essa luta continue. Para que nenhum direito historicamente conquistado nos seja tirado. Porque cada gay vive seu Stonewall interno: uns já externaram sua revolução particular e hoje têm orgulho de ser gay. Outros ainda estão sofrendo sua repressão particular. A comemoração a Stonewall tem um papel muito importante nessa libertação interna. É fazer chegar àqueles que ainda estão reprimidos e dizer: ‘Ei, cara, olha pra mim! Eu sou Delegado de Polícia e sou gay; eu sou juiz e sou gay; eu sou sapatão e sou babá. Vem com a gente! É normal ser o que se é e fazer o que se quer independente de sua sexualidade. Vem! Nós juntos somos mais fortes e ninguém solta a mão de ninguém’.  Mas ao mesmo tempo dizer: ‘Olha, venha no seu tempo e, quando vier, saiba que estamos aqui fora para te apoiar’. Essa visibilidade, principalmente nos setores que mais se destacam da sociedade é muito importante para mostrar que nós temos os mesmos direitos que qualquer pessoa e vamos continuar lutando para que todos eles sejam reconhecidos, até o dia ideal em que o preconceito seja uma coisa tão absurda que seja inconcebível sequer lembrar que ele existiu”.

Marco Mayer, delegado da Polícia Civil

“Celebrar Stonewall como possibilidade de afirmação das múltiplas formas de ser e de viver. Em tempos sisudos onde as democracias têm revelado sua face autoritária, rememorar a luta de Stonewall constitui um modo de manter viva a memória dos corpos, de ontem e de hoje, inconformados com a norma e que desafiaram e continuam a desafiar com suas existências o controle biopolítico do poder, as formas como ele se exerce através das normas sociais e os seus efeitos perversos nas vidas das pessoas. Stonewall continua viva e pulsante enquanto existirem corpos incorformados, abjetos, que expõem a fragilidade e a ficcionalidade dos dispositivos regulatórios que buscam controlar, normatizar e assujeitar as subjetividades. Reviver Stonewall é preciso como forma de promover a desnaturalização do sexo, do gênero e do desejo, expondo seu caráter  socialmente fabricado que contribui para sustentar estruturas de poder desiguais, excludentes e violentas. Rememorar essa data não apenas pelo seu caráter simbólico e pela sua significância histórica, mas também como possibilidade de criação permanente de um mundo onde todxs caibam e onde a diferença encontre lugar como uma forma ética do exercício pleno de uma democracia”.

Mário Fellipe, Doutorando em Sociologia (PPGS-UFC) e Psicanalista em formação pelo Corpo Freudiano.

“Stonewall talvez tenha sido o momento onde eu descobri que o sentimento coletivo poderia ser um agente de mudança, ou a busca dela. Normalmente o único sentimento coletivo, para mim famoso, era a histeria, sempre tão negativa. É provável que quem estivesse sentado à mesa de Stonewall não soubesse que o clamor pela liberdade precisasse atravessar 50 anos, ganhando a força de vozes entoadas ao redor do globo, mas ainda assim, solicitando o mínimo. Entender a força do coletivo é motivo mais que necessário para a celebração anual da data e para inspiração que deve transpor todo e qualquer conceito pré-concebido. Revisitar Stonewall é estar de olho no futuro, tendo consciência de que ali, os alicerces foram feitos de forma profunda e inquebrável. Naquele dia algo aconteceu, e nosso tecido social jamais pode ser cerzido de forma idêntica, ainda bem”.

Munira Rocha, publicitária

“Há meio século, houve uma defesa ferrenha dos direitos da comunidade LGBT+. A luta por existir, portanto, não é de agora. Tivemos conquistas, mas ainda há muito a ser assegurado. Parece-me emblemático, inclusive, o nome da rebelião, que traduz a batalha diária de ser lésbica, gay, bi, trans e todos que não compõem o sistema binário. Veja-se a força simbólica: Stone, do inglês, significa pedra, e Wall, parede. Festejamos hoje aquela gênese, aquele gérmen de luta que impulsionou conquistas e nos move nestes tempos nefastos de intolerância. Fiquemos atentos. Como homem trans, sei das dificuldades e entraves sociais ainda enfrentados. Precisamos manter e colocar como pauta urgente a manutenção da inquietude, a exemplo daqueles aqueles homens e mulheres nova iorquinos, que com vozes altas, cara limpa e grito alto foram capazes de reverberar o óbvio: existimos, estamos aqui e seremos resistência. Somos pedra. Somos parede. Somos muralha. Somos resistência. Somos luta. Somos todos Stonewall”.

Murilo Gonçalves, homem trans, professor universitário, mestre em Direito, advogado. Sócio fundador BSG Advogados – Coordenador da Área de Defesa de Direitos LGBT+ e Pro Bono

“Celebrar Stonewall pra mim é celebrar a minha existência e estar vivo hoje como cidadão LGBT, é nessas pessoas que fizeram esse levante e tiveram coragem de lutar pelo direito de ser quem foram e quem são,que eu me espelho pra seguir militando. Stonewall é todos os dias é luta é resitência”.

Narciso Junior, Coordenador Especial de Politicas Públicas para LGBT –Secretaria Estadual de Proteção Sociais

“É importante celebrar Stonewall porque, embora o mundo e as leis tenham avançado bastante desde 69 e por causa da Rebelião de Stonewall, ainda nos dias atuais pessoas que não se identificam com os padrões heteronormativos impostos pela sociedade continuam vítimas de preconceito, violência e exclusão. Enquanto a diversidade de gênero e sexualidade não forem entendidas com naturalidade e todos os seres humanos não forem tratados como iguais, a luta continua”.

Paula Góes, tradutora

“Celebrar Stonewall é celebrar a vida, a luta cotidiana para amar e existir, é demarcar um momento na história do mundo em que pessoas lutaram por algo tão simples e humano: o amor! Ele é um divisor de águas: da invisibilidade e das violências silenciadas, para a ação política e organizada, para aquilo que podemos chamar de ativismo e militância LGBT. Stonewall esteve e sempre estará em cada LGBT que não aceita calado a submissão aos padrões cisheteronormativos.”

Paulo Diógenes, artista e titular da Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual de Fortaleza

“Por que Stonewall foi um marco. Demos uma resposta clara, um troco. Stonewall era um bar frequentado por gays, trans e lésbicas de baixa renda. Não eram apenas brancos de classe média. Eram negros, latinos que se rebelaram contra a violência policial recorrente. Quero lembrar que muitos acontecimentos ocorreram antes e outros depois. Foi uma onda fortalecida por uma mudança cultural que também ocorreu mundo afora. Aqui em São Paulo, temos a nossa Stonewall brasileira, as mulheres lésbicas que protestaram no Ferro’s Bar. Aquele evento foi um marco também. O dia 19 de agosto é a data que marca o movimento lésbico de Sampa por causa desse evento. É bom lembrar que a comunicação não era rápida e fácil. Esses eventos ocorreram em todo o mundo. Stonewall é um marco, mas precisamos dar luz às nossas lutas também”.

René Guerra, cineasta

“O levante do Stonewall Inn revela, para nossa contemporaneidade, dois fatos aos quais somos tributários: o protagonismo das travestis e afeminadas (e outras identidades de gênero não canônicas) nestas manifestações e o futuro agenciamento dos movimentos gay e lésbico organizados. O registro destas manifestações é de celebrar o gueto como o catalisador destas subjetividades, como produtor de uma subcultura elevada a uma ontologia transgressora e libertadora. Eu gosto de ver com este olhar mais analítico e fazendo isso eu repenso a nossa trajetória de perdas, vitorias e conquistas. Viva os 50 anos do levante do Stonewall”.

Roberto Muniz Dias, dramaturgo, escritor e educador

“Celebrar o levante de Stonewall é celebrar a vida, por ser o marco da nossa resistência à LGBTfobia no mundo. Ele é parte da memória LGBTI e é símbolo da nossa luta. Para o movimento LGBTI brasileiro, em tempos de retrocesso e de negativas dos nossos direitos de cidadania, celebrar o orgulho LGBT em seus 50 anos é reacender a chama do nosso espírito de luta”.

Samilla Aires, transexual, ativista dos Direitos Humanos de LGBTI+

“Stonewall é um marco na história de luta da nossa comunidade LGBTQIA+. Esse fato representa o primeiro grande passo dado no sentido de não mais se esconder, não mais aceitar as violências impostas e ir às ruas para gritar o direito de liberdade. As Paradas da Diversidade fazem alusão a este momento histórico, em que saímos nas ruas para celebrar as conquistas, denunciar violências e afirmar a existência e resistência de nossos corpos oprimidos. Hoje subimos em trios, erguemos bandeiras coloridas e cantamos/gritamos em homenagem à gerações passadas que pagaram altos preços para a liberdade que temos e Stonewall é esse ponta pé inicial de coragem”.

Silvero Pereira, gênero fluido, diretor do Coletivo As Travestidas

“Comemorar a Revolta de Stonewall faz parte de um processo de disputa histórica sobre a narrativa que constrói nossa sociedade. ‘Na minha época não tinha isso’ é o famoso chavão dos mais velhos sobre LGBTs. Mas isso acontece por causa de uma historiografia clássica que é branca, masculina e heterocentrada que tenta apagar o tempo todo acontecimentos como esse, que é um marco no movimento LGBT mundial. Por isso, é importante comemorar os 50 anos de Stonewall, porque a repressão policial ainda está presente no dia-a-dia das minorias. O estado, com o avanço de forças políticas conservadoras, tem sido cada vez mais esse braço de repressão aos sujeitos subalternos. E por fim, precisamos relembrar Stonewall porque foi um movimento protagonizado por pessoas trans. Viva Silvia Ryvera! Viva Marsha! Viva Stonewall! Viva o movimento LGBT brasileiro!”

Tavares Neto, ator e membro do Outro Grupo de Teatro

“Celebrar Stonewall é resistir para existirmos. Todos os dias temos a obrigação de fazermos a ‘Revolta de Stonewall’. Eu, enquanto artista, através da arte provoco a sociedade para que ela entenda que essa luta é de todas nós!”.

TchaKa, drag queen

“Eu tenho pra mim que, em 2019, a gente deve celebrar Stonewall não apenas pelo marco que ele é do início da luta pelos direitos LGBT. Isso é o óbvio, é o que todo mundo deveria saber e respeitar. Mas, para além disso, Stonewall é uma celebração pela união, pela força do coletivo. Drags, trans, lésbicas, gays, simpatizantes estavam lá, fazendo barricadas JUNTOS, entendendo que o inimigo REAL e IMEDIATO é aquele ali do outro lado da rua, apontando armas pra intimidar a liberdade de cada um ser o que é, sabe? O que Stonewall tem que lembrar, além do óbvio, é que a luta identitária JAMAIS pode ser maior que a luta dos LGBTs por igualdade de direitos. Quem participou do movimento em 1969 tem muito a ensinar para a gente, 50 anos depois. O autoritarismo dos policiais de Nova York está em todo canto – das redes sociais às esquinas noturnas – e a gente precisa entender que a união dos participantes de Stonewall é mais necessária que nunca”.

Thalles Walker, publicitário

“Sempre vai ter quem diga que já havia ativismo gay antes do Levante de Stonewall. É verdade: na Europa e nos Estados Unidos existiam associações e revistas voltadas aos homossexuais desde, pelo menos, a década de 1940. Mas era tudo muito secreto, e quase sem nenhuma repercussão fora de um círculo muito pequeno. Stonewall mudou tudo isso. Foram três dias de revolta, com farta cobertura da imprensa e adesão de simpatizantes não-LGBT. Por isto o levante é considerado o marco zero da história da luta pelos direitos igualitários: foi por causa dele que se realizou a primeira Parada do Orgulho Gay, um ano depois, que aos poucos foi ganhando muitas outras letras e se espalhando por inúmeros países. Ainda não valorizamos o suficiente a participação de negros e mulheres trans no levante, mas hoje não é dia de problematizar. É dia de festa. Stonewall é uma vitória de todos: gays, lésbicas, trans, não-binários, ricos, pobres e até mesmo dos heterossexuais. Porque um preconceito não é ruim só para a minoria oprimida. É ruim para a sociedade como um todo. É ruim para todo mundo. E Stonewall ajudou a tornar esse mundo menos ruim”.

Tony Goes, colunista da Folha de S. Paulo, roteirista e publicitário

“Stonewall é um marco na luta LGBT e uma lição importante para nós, porque evidenciou pela primeira vez que o enfrentamento aos opressores é a única saída possível para garantir que LGBTs tenham os mesmos direitos de qualquer cidadã ou cidadão de qualquer país. Neste momento em que o Brasil tem um presidente que fere contumazmente a nossa Constituição pregando o extermínio das populações LGBT+ é imprescindível esse enfrentamento. Em Fortaleza, Stonewalls quase diárias têm acontecido nas atividades culturais promovidas pelos coletivos LGBT+ da periferia, onde os grupos estão reagindo com firmeza e coragem a ações policiais  que investem contra suas atividades culturais. A LUTA CONTINUA. LGBTFÓBICOS NÃO PASSARÃO!”

Verônica Guedes, diretora do For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual

 

 

 

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