Bola ao Alto

Medalhista olímpica, Helen Luz fala sobre o Projeto Cesta de Três e defende o trabalho nas categorias de base para o sucesso do basquete no Brasil

Retribuição ao esporte, ao basquete. Assim nasceu um sonho de três irmãs, atletas vitoriosas, que participaram de todas as principais conquistas do basquete nacional: o Projeto Cesta de Três. Suas fundadoras, as irmãs Cintia Luz, Silvia Luz e Helen Luz tinham o sonho de dar a oportunidade de ensinar o basquete a outras crianças, assim como foi dada essa chance a elas. Pela seleção brasileira, as “Irmãs Luz” conquistaram vários títulos como as medalhas olímpicas de Prata e Bronze nas Olimpíadas de Atlanta (1996) e Sydney (2000), o mundial de 1994 (Austrália), sul-americanos de 1991 (Colômbia), 1993 (Bolívia), 1995 (Brasil), 1997 (Chile), 1999 (Brasil), 2001 (Peru), 2005 (Colômbia), 2006 (Paraguai), 2009 (Equador) e 2010 (Chile).

O Projeto Cesta de Três foi fundado em 2007 e funciona, atualmente, em Louveira, cidade do interior do estado de São Paulo, que fica a 70km da capital. Ele acontece em duas escolas municipais, a EMEF Vila Pasti e EMEF Melissa Sicalhoni, atende 200 crianças na faixa etária de 7 a 12 anos e para participar, elas precisam estar matriculadas nas respectivas escolas. O projeto tem o incentivo da Lei Paulista ao esporte (ICMS) no qual o Governo do Estado é o responsável, além da parceria da empresa FINI e apoio da prefeitura local juntamente com a Secretaria de Educação. Através da lei conseguem comprar todo o material necessário (bolas, cones, escadinha, uniformes, coletes) e manter a contratação da equipe (1 Coordenador, 2 educadores físicos e 2 estagiários).

A Helen Luz conversou com o Bola ao Alto sobre o trabalho realizado no Cesta de Três e comentou também sobre o cenário do basquete brasileiro.

Bola ao Alto – Como é o dia a dia de treinos? De que forma vocês procuram passar os ensinamentos da modalidade?

Helen Luz – Os treinamentos são desenvolvidos de forma lúdica sempre colocando o basquete como referência, ou seja, qualquer exercício tem que ter uma bola de basquete. O projeto tem o intuito de massificar e fomentar a modalidade. Os treinamentos são desenvolvidos pelos professores contratados depois de cada reunião mensal que a equipe de trabalho realiza. Temos dois coordenadores que se encargam dessa parte.

B.A. – De que forma vocês conseguem promover campanhas para envolver a sociedade com o esporte e com o projeto?

H.L – Divulgamos através das mídias sociais e de alguns meios de comunicação da cidade. Fazemos palestras também com os alunos abordando alguns temas como drogas, bullying, e trazemos os ídolos do esporte para um contato mais próximo com a s crianças. Esse ano tivemos a visita da Magic Paula, Anna Barthod (atleta e capitã da seleção Sueca de basquete) e o jogador Rafael Luz que é o padrinho do projeto.

(Rafael é irmão de Cintia, Silvia e Helen, e joga, atualmente no Franca).

Magic Paula ao lado de Helen Luz em visita ao Projeto Cesta de Três.

B.A. – Algum talento já foi descoberto e encaminhado para categoria de base de algum clube? Isso é um dos objetivos do projeto?

H.L. – Por enquanto ainda não, mas o nosso desejo é que isso aconteça no futuro.

B.A. – Gostaria de saber um pouco sobre a sua visão do basquete brasileiro atualmente. Temos o NBB que está a cada ano mais forte, ajudando no desenvolvimento e visibilidade da modalidade no masculino, a LBF que ainda engatinha, mas também é uma promessa de levantar nosso basquete feminino.

H.L. – Penso que o basquete brasileiro ficou muito tempo parado achando que grandes ídolos iriam surgir. Não é assim que funciona. Se você não trabalhar para o desenvolvimento e massificação da modalidade fica difícil querer conquistar algo lá na frente. Hoje penso que o masculino está bem estruturado, se tem uma liga bem organizada, isso facilita no crescimento da modalidade. Já o feminino como você bem disse, está retomando o crescimento aqui no Brasil, através da LBF.  Mas o que mais me preocupa é como se está ensinando na base. Já acompanhei alguns jogos pela internet de campeonatos de base feminino e vejo muitas equipes com suas atletas sem fundamento, não entendem o jogo, só defendem em zona, sem posicionamento correto dentro de quadra, enfim, a base é o grande desafio para o sucesso da modalidade. Tem que ter um olhar mais crítico nesse momento de formação do atleta para que os frutos sejam colhidos lá na frente.

O Projeto Cesta de Três acontece em Louveira, cidade do interior de São Paulo, e desenvolve o basquete com 200 crianças de 7 a 12 anos.

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