Bola ao Alto

Entrevista: Luiz Felipe Soriani, número 1 do ranking nacional da FIBA de basquete 3×3

A paixão pelo basquete começou cedo, aos 7 anos. Com 14, o santista Luiz Felipe Soriani decidiu sair de casa em busca do sonho de ser jogador profissional na modalidade, fazendo sua formação de base no extinto COC/Ribeirão Preto. O atleta teve passagens por vários clubes como Bauru, Sorocaba, Rio Claro, Lins, jogou uma temporada no Chile, no Alemán de Concepción e, em Santos, há três anos começou a jogar o basquete 3×3. Soriani se dividia entre o basquete de quadra e o 3×3, quando ainda no primeiro ano, a equipe se classificou para a final do mundial em Abu Dhabi.

Principal nome do basquete 3×3 no Brasil, o jogador tem 29 anos, defende o São Paulo DC e é, pelo segundo ano consecutivo, o número 1 do Brasil pela Federação Internacional de Basquete, a FIBA. A modalidade vai estrear nas Olimpíadas de Tóquio 2020 e Soriani conversou com o Bola ao Alto sobre a carreira, expectativa para viver o sonho olímpico e profissionalização da modalidade no Brasil.

  • Participar das Olimpíadas é a realização de um sonho? O que o Brasil pode esperar de sua seleção?

Acredito que participar das olimpíadas é o sonho de todo atleta e comigo não é diferente. Tenho esse sonho desde criança e, de repente, a modalidade 3×3 se torna olímpica, fazendo com que isso passe a estar mais próximo. Claro que ainda falta muito até la, mas os trabalhos e treinamentos se tornam a prioridade para a busca desse sonho. O Brasil hoje joga no nível das melhores equipes do mundo, mas ainda falta estrutura e equipes profissionais que se dediquem somente a isso como já acontece com a maioria dos países no mundo. Acredito que isso pode mudar a partir de 2018 e, com certeza, teremos muitas chances de trazer uma medalha olímpica nessa modalidade.

  • Como é a rotina no São Paulo DC?

A gente ainda encontra algumas dificuldades para manter uma rotina, principalmente pela falta de incentivo que temos na modalidade aqui no Brasil, então tentamos nos encontrar pelo menos duas vezes na semana para realizar os treinamentos.

  • O basquete 3×3 está se tornando uma peça importante no desenvolvimento do basquete em geral?

Com certeza, pelo fato do esporte ser mais acessível para população, é o famoso basquete de rua jogado em praças e parques que agora se tornou profissional. Os torneios são sempre em algum lugar turístico, não é preciso um ginásio ou uma estrutura muito grande para a realização dos eventos. Com pouco tempo que a modalidade existe já vemos uma grande mobilização de garotos e garotas pelo esporte.

  • No Brasil, estamos vivendo um momento diferente para o basquete. Qual a sua perspectiva sobre a modalidade no país e o que ainda pode ser feito para que consigamos alcançar resultados melhores?

É recente a notícia que o esporte se tornou olímpico, mas já vemos algumas mudanças, por exemplo, da CBB para com o esporte, com a criação do circuito brasileiro. A ANB também criou uma liga 3×3 esse ano. Claro que ainda falta muito, falta incentivo, ainda não temos no Brasil uma equipe que consiga se dedicar somente ao 3×3, e para que isso aconteça é necessário mais investimento no esporte.

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