Bola ao Alto

Representantes cearenses são convocadas para seleção brasileira

“Fazer parte da seleção (brasileira) sempre foi um sonho porque antes de perder a perna eu jogava futebol e tinha esse sonho, treinava para isso. Eu entrei em depressão porque achava que minha vida tinha acabado depois do câncer e da perda da perna, mas depois que eu entrei no basquete minha vida foi voltando ao normal”. Essa declaração é da atleta cearense Oara Uchôa, pivô do time da ADESUL/CEPID (Associação D’eficiência Superando Limites). No basquete há cinco anos, Oara começou no esporte adaptado pela natação e quando foi convidada para jogar basquete, se apaixonou.

Oara é pivô e joga basquete há cinco anos. (Foto: Divulgação)

Assim como Andreia Farias, sua companheira de equipe que tem uma longa lista de conquistas na modalidade. “Comecei o basquete em 2007, logo no início de quando eu estava conhecendo sobre o meu novo estado de estar na cadeira de rodas. Em uma associação eu conheci o esporte por duas meninas que conversavam sobre e me fizeram o convite”.

A ala Andreia já participou de várias competições internacional com o Brasil. (Foto: Divulgação)

Elas são talentosas e apaixonadas por basquete. Tanta dedicação faz dessas mulheres exemplos, principalmente por representarem nossa nação. Isso mesmo, recentemente foram convocados para a terceira etapa da Seleção Brasileira Feminina de Basquete em cadeira de rodas junto com o técnico Lidio Andrade, visando a participação nos Jogos Parapan-americanos 2019 que acontecerá na cidade do Lima/Peru, no período de 23 a 31 de agosto. A lista final da convocação sai em julho.

“Vestir a camisa da seleção e representar uma nação é de uma responsabilidade muito grande e eu amo. Não consigo pensar muita coisa a não ser na vontade de jogar, dar o meu melhor sempre para tentar conseguir uma medalha. É um prazer imenso, uma honra representar o Brasil”, afirma a ala Andreia, que desde 2008 participa de competições nacionais e internacionais pela seleção brasileira, como Jogos Paralímpicos em Atenas, China e no Brasil.

Para Oara, o objetivo é claro, conseguir a vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020. “É a realização de um sonho estar na seleção e espero ficar na convocação final para jogar o Parapan e, principalmente, garantir a vaga para a Paralimpíada. Me vejo como exemplo para os atletas que treinam comigo e que estão começando, isso não tem preço”, destaca a pivô que já teve a oportunidade de disputar Copa América, Sulamericano e Mundial com a seleção do Brasil.

Oara e Andreia com o técnico Lidio Andrade. (Foto: Divulgação)

Em Fortaleza, elas treinam duas vezes por semana no CEPID – Centro de Profissionalização Inclusiva para a Pessoa com Deficiência e com a seleção brasileira, durante uma semana no CT Paralímpico em São Paulo.

O técnico Lidio Andrade afirma que a convocação de Andreia e Oara é fruto de um trabalho bem feito e de muita dedicação das atletas. “Vejo como a realização de um sonho delas que mesmo com algumas dificuldades que temos como material, bola, horário para treino, apoio, elas tiram dessa adversidade, motivação para continuar, tanto elas quanto o grupo que trabalha com vontade e se ajuda”.

Lidio comenta ainda sobre a importância da presença das atletas na seleção para o crescimento da modalidade no estado do Ceará. “Para o estado é uma visibilidade muito boa, você ter atletas que já participaram de Paralimpíadas, outras competições internacionais como Mundial, Parapan, Sulamericano. No caso das duas é possível ver determinação de vir treinar, a Oara começou a treinar dizendo que queria chegar na seleção e hoje ela conseguiu, isso é fruto de um trabalho que deve ser mais visto pelo poder público e privado, que precisam acreditar mais no trabalho que é feito pelos profissionais do estado”, finaliza.