Ceará & Rock

Japinha fala sobre CPM 22, Hateen, Chorão, livro, faculdades, projetos e show em Fortaleza

Foto: Divulgação

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Ricardo Di Roberto ou simplesmente Japinha, como é conhecido um dos bateristas brasileiros mais famosos desde o início deste século. Membro-fundador do Hateen e integrante do CPM 22, banda que o catapultou ao status de celebridade rocker brasileira. Além das duas bandas que integra como baterista, Japinha também possui o projeto Arizona, em que toca violão e canta.

Mas existe um lado do Japinha que não é muito conhecido do grande público. Fora dos palcos, o músico já escreveu um livro, chamado de “Qual é a dele? – O que você precisa saber sobre meninos, na visão de um rock star”, o livro, que foi lançado em 2010, reúne uma série de textos onde o batera fala abertamente sobre os mais variados temas: namoro, traição, sexo, ficadas, tribos, beijos, internet, baladas, ciúmes, paqueras…

Na vida acadêmica, Japinha também é bastante ativo e intenso, prova disso é que ele já possui quatro formações: Administração de Empresas, Turismo, Ciências Sociais e Filosofia. Essa última concluída no ano passado. Em entrevista ao Ceará & Rock, o músico falou sobre suas formações universitárias, carreira, trajetória com o CPM, expectativa para o show em Fortaleza e não fugiu de assuntos delicados, como Chorão e mudanças na formação da banda. Confira o bate-papo com o baterista.

Ceará & Rock: Já se passaram 20 anos desde que a banda foi formada. Como você definiria todos esses anos de trajetória? Houve algum momento em que pensou em desistir do grupo ou até mesmo da carreira musical?

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Ricardo Japinha: Não são poucos anos… Fica difícil resumir em algumas linhas. Mas posso tentar definir como anos vitoriosos em quase sua totalidade, com muitos mais altos que baixos, o que proporcionou a nós uma incrível aventura dentro do mundo da música e dos shows. Pudemos conhecer o Brasil todo, assim como alguns países. Conhecemos muita gente legal e outras nem tanto. Fizemos shows memoráveis e tocamos com bandas incríveis. Pudemos realizar também o sonho de vivermos de música por mais de uma década – isso é bem valioso (ainda mais levando em conta que tocamos punk-rock). E sim, tive alguns momentos em que pensei em desistir… Quando os problemas eram muito grandes e a tristeza toma conta. Mas sempre tudo superado.

C&R: Já que falamos do Wally, gostaria que você comentasse um pouco sobre a saída dele da banda e me falasse como ficou a relação de vocês após esse rompimento.

RJ: A saída dele foi tumultuada e demorou pra resolvermos. Mas com certeza, enquanto ele se mantinha interessado na banda, ele foi muito importante para o CPM22. Depois do rompimento, eu particularmente, nunca mais o vi, já faz sete anos. Por terem acontecido alguns desentendimentos, logicamente a amizade não se manteve a mesma. O que é uma pena, porque vivemos todos bons momentos juntos. Mas as pessoas mudam, e muito.

C&R: Outras duas mudanças que marcaram bastante para os fãs foram as saídas do Portoga e do Fernando. Em quais circunstancias essas saídas aconteceram e qual a relação você mantém com eles, atualmente?

RJ: O Portoga teve um desentendimento feio com o Wally na época e saiu. Não havia mais clima entre os dois. Eu tentei segurá-lo na banda por algum tempo, e até consegui, por uns seis meses, mas eles nem se falavam mais. Achava o Portoga muito importante pra banda, além de ser bem amigo dele. O Fernando saiu por motivos particulares da família dele. Nunca houve nenhum problema com o Fê. Era um ótimo e competente baixista e só somou ao CPM. O Portoga eu vejo pouco e tentei manter um certo contato, mas a vida nos afastou naturalmente – é uma ótima pessoa. O Fernando, a gente tem muitos amigos em comum, ele tem um estúdio super importante no nosso meio, o El Rocha. Sempre mantivemos um ótimo clima de amizade e posso dizer que sou quase um irmão dele, até por sermos japoneses… hehe – mas tenho visto pouco também. É uma pessoa super querida por mim, sempre será.

C&R: Depois do lançamento do “Cidade Cinza” a banda rompeu com a Universal e gravou, quatro anos depois, o “Depois de um Longo Inverno”, de forma independente, que possui uma sonoridade bem diferente daquilo apresentado em álbuns anteriores. O que vocês destacam de diferente neste disco e como foi o processo de produção dele?

RJ: Ele tem alguns sons que mostram claramente nossas influências do ska dentro do punk-rock. Experimentamos instrumentos diferentes dos usuais, como trompete, sax, órgão. A produção foi mais “caseira” mesmo, realizada pelo nosso técnico Alê Russo, nosso baixista Fernandinho (na época), o guitarrista Luciano e pelo amigo Phil (guitarrista do Dead Fish então, e agora tocando com a gente). Fizemos pela primeira vez um disco fora do estúdio Midas (intimamente ligado à Arsenal Music, nosso antigo selo), depois de assinarmos contrato e tornarmos uma banda “maior”. Realmente foi um processo novo de gravação para nós.

C&R: O Acústico foi lançado com o selo da Universal, como aconteceu essa volta à gravadora e o que esse momento tem de diferente do outro?

RJ: A volta foi super amigável, fomos muito bem recebidos de volta. Foi importante sentir este carinho da gravadora. No entanto, nos deparamos com muitas diferenças, em especial do mercado de discos e também como o rock estava colocado na grande mídia e para o público. Tempos difíceis nos dois sentidos. Mas o Acústico foi bem realizado e deu tudo certo.

C&R: Ainda falando do Acústico, como foi o processo de produção dele? E a escolha das músicas, faltaram algumas?

japinha-cpm-22-entrevista-show-fortaleza02RJ: A gente tem mais de 100 músicas, então fica difícil escolher só 20. Tivemos que sacrificar algumas bem queridas, como Anteontem, Além de Nós, Inevitável, Ontem, etc. A escolha foi por eliminação, com base em vários fatores. A produção ficou por conta do inglês Paul Ralphes e de Daniel Ganjaman. Foi um processo longo e prazeroso, pois fomos encontrando aos poucos a sonoridade desejada. Ficamos mais de seis meses ensaiando e gravando, para vermos como ficava.

C&R: Vocês tiveram canções na trilha sonora do filme ‘Jogos Vorazes: Em Chamas’. Como aconteceu? Gosta do filme?

RJ: Sinceramente, não tinha assistido o anterior até então. Mas quando entramos na trilha, fiz questão de ir ao cinema, para ver como soava. Achei um bom filme de ação, com boas doses de ficção e uma interessante crítica aos estados ditatoriais. Até cheguei a assistir o primeiro da série e este último, recém-lançado. Mas não é meu tipo preferido de filme, acho muito comercial. No entanto, a atriz principal é muito bonita e charmosa, então valeu a pena. Ficamos felizes com a escolha, por indicação da nossa gravadora, a Universal Music. Eles precisavam de uma música de uma banda brasileira e que tivesse relação com o tipo de história. Tínhamos a música “13” guardada (não havíamos lançado, era uma sobra) e ela falava sobre pesadelos e medos. Deu super certo.

C&R: O CPM 22 teve problemas com o Chorão. Como aconteceu essa polêmica? Como era a relação de vocês na época da morte dele?

RJ: Houve uma briga bem feia mesmo na época. Ele fazia questão de deixar claro. É uma história muito longa, com vários detalhes, então não conseguiria colocar aqui em uma resposta. Seria uma entrevista inteira. Mas basicamente, foi um mal-entendido ou alguns, que repercutiram e deixaram o cara nervoso. E ele nervoso era violento. Mas por incrível que pareça, na época da morte dele, tudo estava se resolvendo, ele e o nosso vocalista Badauí estavam se conversando por telefone e estavam a fim até de fazerem algumas coisas juntos. Uma pena a morte dele, especialmente pelo jeito que foi.

japinha-cpm-22-entrevista-show-fortaleza01C&R: Você participou de um projeto chamado “Alma de Batera”, onde ensinou bateria para jovens especiais. Pode nos contar um pouco dessa incrível experiência?

RJ: Foi realmente incrível e está sendo. Na semana passada mesmo, gravei um vídeo e entrevista para a rádio de rock daqui, dando uma aula pra eles. O projeto é incrível e ensina bateria para alunos que têm alguma deficiência física, motora ou cerebral. O mais legal é que eles aprendem mesmo (no ritmo deles, lógico) e amam tocar. Fico emocionado sempre que participo, me dá vontade de chorar quando vejo eles arrebentando na bateria. Vale muito a pena, faz ter valido ter me tornado um baterista reconhecido.

C&R: Além do CPM 22, você toca no Hateen, que é uma banda que possui um público bem fiel e uma agenda sempre ativa. Como conciliar as duas bandas? E o projeto Arizona, pode nos falar um pode dele?

RJ: A agenda do CPM22 é a prioridade. Não marco nada de outros projetos se tem show do CPM, ou algum outro compromisso importante com a banda. Teve épocas que era impossível conciliar, pois o Hateen bombou muito entre 2006 e 2008. Tive até que sair da banda. Agora está mais tranquila a agenda e assim, na base da amizade, vamos conciliando. Tenho um substituto que toca lá, quando não vou. Já o Arizona é um projeto bem recente, não tem nem um ano, e nele eu canto e toco violão. É uma banda acústica (com bateria, baixo e violões), onde tocamos vários covers e alguns sons meus. Serve para me divertir, extravasar e diversificar um pouco meu trabalho. Tenho me divertido bastante nestes shows, bem menores, mas bem intensos.

C&R: Não bastasse toda essa atividade como músico, você é formado em Administração de Empresas, em Turismo e em Ciências Sociais. E, além disso, ainda escreveu o livro “Qual é a dele?”, lançado em 2010 e fruto de mais uma atividade sua, que é a coluna na revista Atrevida. Que importância dá às suas formações e a cada trabalho que exerce?

RJ: Eu penso que cada fase, cada projeto, cada estudo, cada trabalho que realizei tem sua importância e participação no que sou e no que fiz até hoje. As faculdades, as bandas, escrever, minha vida pessoal, tudo isso é a minha história e a minha relação com o mundo. Dou muita importância a tudo e tento aprender um pouco a cada passo que dou, inclusive com os erros. Ainda vem muito mais pela frente, se Deus quiser. Tem mais uma faculdade que não está na pergunta, me formei em Filosofia também, no ano passado.

japinha-cpm-22-entrevista-show-fortalezaC&R: Sobre o show que deverão apresentar para o público de Fortaleza, será acústico ou o público deve se preparar para os moshs?

RJ: Podem se preparar para os moshs. A turnê do acústico foi encerrada em dezembro. Guitarras na orelha!

C&R: O que mais podemos esperar dessa apresentação? E vocês, o que esperam de mais esse show?

RJ: O bom e velho CPM de sempre. Muita energia, atitude, rapidez, músicas conhecidas da galera e saudades de Fortaleza. Faremos uma espécie de coletânea de todos os nossos discos em quase duas horas de show. Os shows em Fortaleza são sempre muito bons. Não vemos a hora…

C&R: Quais os projetos do CPM 22 para 2015? E os de Hateen e Arizona?

RJ: O CPM22 pretende compor um álbum novo de sons inéditos e já começar o processo de produção neste ano mesmo. Além disso, iremos excursionar com a banda “plugada”, já que ficamos um tempão no acústico, pra matar saudades. O Hateen anda compondo também, e o Arizona vem fazendo shows pelo estado de São Paulo. Pretendo expandir em breve, ir para outros estados. Já temos um webclipe, quem quiser checar, chama-se “Agora Chega”, está no Youtube. Em breve, lançarei outro single, neste formato, provavelmente da música “Remédio”. Quem sabe o Arizona também não chega em Fortaleza…

C&R: Mais uma vez agradeço pela oportunidade de conversar com você. Deixe um recado para seus fãs e nossos leitores.

RJ: Eu que agradeço, é sempre um prazer falar com o pessoal de Fortaleza. Aos amigos, fãs e leitores, um grande abraço, um ótimo 2015, e se puderem aparecer no show, venham animados porque vai ser bem divertido. A gente tá ansioso por sábado. Abração! Beijão!

NOITES PONTO.CEO CPM 22 é uma das atrações da segunda edição do Noites Ponto.CE, que acontece neste sábado, 28, na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, a partir das 19h. O evento ainda contará as presenças do Strike, de Minas Gerais, e das cearenses Rocca Vegas e Minerva.

Serviço – Minerva, Rocca Vegas, Strike e CPM 22
Data: 28 de fevereiro
Horário: 21 horas
Local: Praça Verde do Centro Cultural Dragão do Mar de Arte e Cultura
Ingressos: Kangaço (Galeria Pedro Jorge – 2º Andar – Centro), Boundless (Shopping Aldeota), Touch (North Shopping, Via Sul, Iguatemi e RioMar).
Ingressos online: Ingressando
Valores: R$ 42,00 Pista (Meia); R$ 52,00 Ingresso Social Pista; R$ 72,00 Front Stage (Meia); R$ 82,00 Ingresso Social Front Stage
Realização: Empire e D&E Entretenimento

Na compra do ingresso social é obrigatório levar 1 kg de alimento no dia do evento.

Confira vídeos da banda CPM 22:

CPM 22

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=ixSBB2z0uwg[/youtube]

Regina Let´s Go

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=hFFeF5D3rrM[/youtube]

Dias Atrás (Acústico)

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=Y2D7QlxhUP8[/youtube]

Um Minuto Para O Fim Do Mundo

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=x7UHl9Kf2CI[/youtube]

Confira vídeos da banda Hateen:

Hateen – 1997

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=9El8tJ-pTRU[/youtube]

Hateen – Você Não Pode Existir – Clipe / Curta Metragem

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=qMIEusVt2TM[/youtube]

Hateen – Depois Que Todos Vão Embora

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=-TdbsZg6CC4[/youtube]

Confira vídeo do projeto Arizona:

Arizona – Agora Chega

[youtube]https://www.youtube.com/watch?v=6gr4AZlPtdI[/youtube]

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