Cinema às 8

Os 8 últimos vencedores do Oscar de Melhor Filme, do melhor para o pior

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12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, é baseado no romance homônimo de Solomon Northup. Com nove indicações ao Oscar, revelou Lupita Nyong’o, que levou o Oscar de Atriz Coadjuvante (e outros oito prêmios) em 2014

Todo ano é a mesma coisa. Há o favorito da crítica e, às vezes, do grande público, quase sempre puxado pelo hype ou pela bilheteria (beijo grande, Avatar!). A verdade é que a Academia é facilmente seduzida por quem segue à risca suas diretrizes, seja por obras de cunho social e/ou histórico importantes ou quando Hollywood escolhe ficar na própria caixinha (oi, La La Land). Mas há, também, espaço para surpresas, como quando Kathryn Bigelow e seu impressionante Guerra ao Terror levaram os prêmios principais da noite concorrendo com James Cameron.

Um dia antes da 89ª cerimônia do Oscar, os editores/críticos do Cinema às 8 olham para trás para comentar os oito últimos vencedores da categoria de Melhor Filme, listados do melhor para o pior em votação interna. Só lembrando que os títulos citados saíram com, pelo menos, duas estatuetas.

12 Anos de Escravidão (2014)
Vencedor de 3 Oscar.

Cruel, doloroso. 12 Anos de Escravidão é uma obra que pulsa mesmo anos após sua premiação. O filme de Steve McQueen foi uma escolha política em um ano de bons candidatos. O tema racial é importante e há uma dívida histórica com a população escrava e o filme retrata bem o período com um personagem marcante – apesar de alguns deslizes no roteiro. O ano trazia ainda bons candidatos, em especial a ficção científica intimista Gravidade e a dramédia megalomaníaca e politicamente incorreta O Lobo de Wall Street. Saiu com um gosto amargo para os fãs do sempre injustiçado Martin Scorsese, mas “12 Anos” persiste como uma obra necessária. (Por André Bloc)

Guerra ao Terror (2010)
Vencedor de 3 Oscar.

Kathryn Bigelow fez história no Oscar. Foi a primeira diretora consagrada pela Academia, o que chega a ser irônico quando lembramos que o filme chegou ao Brasil direto em DVD e só ganhou repercussão depois de consagrado. O roteiro de Mark Boal, com quem Bigelow voltou a trabalhar no competente A Hora Mais Escura (2012), mergulha de forma visceral no psicológico dos soldados durante a Guerra do Iraque para provar o quão viciante consegue ser o vazio do conflito. Brilhantemente dirigido, foi indicado em nove categorias, empatado com Avatar, e deixou James Cameron e Tarantino (Bastardos Inglórios) só na vontade. (Por Rubens Rodrigues)

Spotlight: Segredos Revelados (2016)
Vencedor de 2 Oscar.

Com total domínio do recorte que queria mostrar, Tom McCarthy fez um filme sóbrio e prático. Deixou o livro do jornal Boston Globe, Betrayal: The Crisis in the Catholic Church, com a série de reportagens ganhadora do Prêmio Pulitzer, de lado, e resolveu contar como a equipe jornalística revelou o escândalo de pedofilia na Arquidiocese Católica norte-americana. No Oscar, 2016 não foi um ano exatamente difícil, mas concorrendo com Mad Max – Estrada da Fúria e O Regresso, o que saísse dali seria uma surpresa. O resultado foi uma das mais merecidas escolhas de Melhor Filme dos últimos anos. (Por Rubens Rodrigues)

O Artista (2012)
Vencedor de 5 Oscar.

Em busca de retomar o espírito de um dos períodos mais frutíferos do Cinema, o filme emula a estética e a falta de diálogos falados em suas sequências. O resultado é uma obra que ao mesmo tempo é eficiente em sua proposta, como também traz uma história interessante, ainda que não seja exatamente original. Ponto positivo por retratar bem a derrocada da carreira dos filmes mudos em prol do advento da fala. (Por Hamlet Oliveira)

Argo (2013)
Vencedor de 3 Oscar.

O Oscar de 2013 foi difícil. Na categoria Melhor Filme, ainda que bons concorrentes estivessem na lista, filmes que dividiram a crítica como Django Livre e Lincoln acabaram abrindo espaço para o entediante Argo, um drama que mostra, vejam só, como Hollywood pode ajudar a resolver até mesmo complicadas crises internacionais. Por mais que conte com uma direção competente de Ben Affleck e um bom elenco, esses elementos não foram suficientes para sustentar uma obra hoje já esquecida pelo grande público. (Por Hamlet Oliveira)

Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (2014)
Vencedor de 4 Oscar.

Diretor com um grande sentimento de amor próprio, Iñarritu, após filmes considerados vanguardistas em seu início de carreira, hoje divide a crítica com suas obras. Com Birdman não foi diferente. Tecnicamente impecável, é difícil não perceber que, no fundo, se trata apenas de um filme pretensioso e excessivamente confiante em si mesmo, como seu diretor. Foi responsável, no entanto, por trazer o competente Michael Keaton de volta aos holofotes. (Por Hamlet Oliveira)

Quem Quer Ser um Milionário (2009)
Vencedor de 8 Oscar.

A obra de Danny Boyle não só mostrou o quanto o ano era fraco, mas o quanto o discurso sentimentaloide estava em voga. Entre os cinco indicados, um era moralmente ambíguo, mas bem filmado (O Leitor), outro era dos piores filmes de um dos grandes diretores de sua geração (O Curioso Caso de Benjamin Button), mais um era ótimo, mas soava arrastado para parte da crítica (Frost/Nixon). Ou seja, restava Milk: A Voz da Igualdade, um filme que não é brilhante, mas era a escolha clara. Além deles, tivemos o esnobado O Lutador. E todos estes são melhores do que a história “meritocrática” do garoto indiano que ganhou milhões em um game show. Candidato sério a pior escolha recente do Oscar. (Por André Bloc)

O Discurso do Rei (2011)
Vencedor de 4 Oscar.

Na época, Tom Hooper ainda não era tão mal visto por seus planos “tortos” e excesso de grandes angulares. Parte do ódio a O Discurso do Rei se deve a boa concorrência que enfrentava no ano. Entre os concorrentes, destacam-se dois longas: Toy Story 3 e A Rede Social. O Discurso do Rei é uma história bem contada, baseada em fatos ocorridos há 60 anos. Um passado conhecido. A Rede Social é uma história dinâmica, contemporânea e que lança luz sobre o que estamos vivendo. A escolha da Academia foi, mais uma vez, anacrônica – sem condizer com a realidade do mundo. (Por André Bloc)

 

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