Cinema às 8

“Pantera Negra” marca uma das origens mais eficientes da Marvel

Com 10 anos de estrada, o Universo Cinematográfico da Marvel (MCU) trouxe benefícios e malefícios para o Cinema. Do ponto de vista dos fãs, ver os heróis clássicos ganharem a devida roupagem na sétima arte, com história bem trabalhadas, é fascinante. Perde-se o tom caricato que adaptações de quadrinhos costumavam possuir e um tom mais denso trouxe benefícios ao gênero. Por outro lado, a fórmula da Casa das Ideias mostrou, com o passar dos anos, um cansaço palpável, com filmes repetitivos e vilões cada vez mais fracos narrativamente.

O primeiro longa do estúdio em 2018, “Pantera Negra”, veio como uma das maiores expectativas para o ano. Afinal, um herói negro como protagonista não era visto nas salas de cinema desde a trilogia “Blade”. Trazendo Ryan Coogler, responsável pelo ótimo “Creed” (2015), para seu time de diretores, a Marvel acertou em desenvolver não só uma origem eficiente para o personagem, como abordar temas relevantes para o cotidiano.

Partindo poucos dias após os eventos vistos em “Capitão América: Guerra Civil” (2016), T’Challa (Chadwick Boseman) volta à Wakanda para assumir o trono como rei. Após uma rápida disputa pela coroa, problemas surgem quando o traficante de vibranium, Ulysses Klaue (Andy Serkis), procura conseguir chegar até o país africano e assumir o controle do metal. Em paralelo, o mercenário Erik Killmonger (Michael B. Jordan) também possui assuntos pendentes para resolver em Wakanda e T’Challa está diretamente envolvido neles.  

Apesar de ter sido introduzido em “Guerra Civil”, o Pantera Negra recebe aqui sua verdadeira origem. Por mais que T’Challa seja o herdeiro verdadeiro, ele ainda precisa se provar diante de seu povo. Para tanto, o filme investe em um design de produção impressionante, com Wakanda se apresentando como um país africano futurista. O aspecto tradicional do continente ainda está presente nas locações. Mesmo com toda a tecnologia e carros voadores disponíveis, os costumes das nações foi honrado no filme, com múltiplas representações de povos.

Ao lado do protagonista, as Dora Milaje, guardas-costas reais formadas apenas por mulheres, são destaques pela intensidade que trazem aos combates, com ótimas coreografias e personalidades afiadas. Chefiado por Okoye (Danai Gurira, a Michonne de “The Walking Dead), o grupo brilha sempre que surge em cena. No lado dos antagonistas, Andy Serkis traz um vilão maníaco, uma proposta que se encaixa bem na personalidade gananciosa de Klaue.

A melhor atuação, no entanto, está com Michael B. Jordan. Seu Killmonger possui motivações críveis e bem desenvolvidas, que entram em embate direto com as percepções de mundo de T’Challa. Nesse ponto de vista, não há lado certo; ambos possuem pontos válidos e falhos nas propostas de mudar o mundo. Por evitar ser unilateral, o personagem já se qualifica como um dos antagonistas mais bem escritos do MCU.

Dito isso, boa parte da mensagem de “Pantera Negra” pode ser vista no excelente prólogo. Em poucos minutos, Coogler consegue definir não somente as crises dos protagonistas, como também fazer um resumo da situação enfrentada pela comunidade negra estadunidense, que há séculos busca uma igualdade que pode jamais chegar. É logo aí, por essa mensagem, que o longa se diferencia de seus irmãos, ao colocar conflitos reais no mesmo patamar da ficção.  

Cercado de expectativas, “Pantera Negra” cumpriu as promessas e trouxe um filme relevante, com discussões atuais sobre a comunidade negra, além de ser um longa de origem que faz juz ao seu protagonista. Já um sucesso de bilheteria, o longa mostra que ainda há fôlego na Marvel para continuar a expandir o elenco de super-heróis nos cinemas.

Cotação: nota 6/8

Ficha técnica

Pantera Negra (EUA, 2018). De Ryan Coogler. Com Chadwick Boseman, Lupita Nyong’o, Danai Gurira e Michael B. Jordan. 135 min.

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