Cinema às 8

Bird Box – sem correr riscos

Longas sobre futuros apocalípticos surgem a todo instante. Seja por meio de infecções, ataques de zumbis ou fim dos recursos que mantém a humanidade viva, as possibilidades para o fim dos tempos são inúmeras e cabe às mentes criativas buscar por novas abordagens. Um dos últimos grandes lançamentos de 2018, Bird Box traz, além da sociedade devastada, o fator da supressão de um dos sentidos mais importantes para a sobrevivência: a visão.

Dividido em duas linhas do tempo, o filme de Susanne Bier apresenta Malorie (Sandra Bullock), que junto da irmã, Jessica (Sarah Paulson), aguarda pelo nascimento do primeiro filho. Em meio a rotina comum, uma crise de suicídios em massa começa a afetar países europeus. A onda logo chega aos Estados Unidos, forçando Malorie a se refugiar com estranhos dentro de uma mansão. Sem explicações sobre o que está causando os suicídios, a única pista que os sobreviventes possuem é de que não podem manter os olhos abertos em locais exteriores.  Por conta disso, todos precisam utilizar vendas nos olhos ao saírem de um local seguro. 

Cinco anos depois, Malorie luta para chegar a um destino desconhecido, ao lado de duas crianças. Dessa forma, Bird Box se divide entre a busca pela sobrevivência nos momentos iniciais da crise, e quando o mundo já se estabeleceu dentro da nova realidade existente. Um dos acertos do longa está em não apostar em respostas claras sobre o acontecido, algo que poderia levar a trama para um caminho familiar para quem já viu outros filmes com temática semelhante.

Ainda assim, o desenvolvimento da narrativa não difere dos clichês do gênero. Dentro da mansão, os sobreviventes se diferenciam pelos estereótipos de cada um: uma pacifista, outro que desconfia de todos, o rapaz amigável, entre outros. Falta ao roteiro de Eric Heisserer, com uma carreira que varia desde o incrível A Chegada até Premonição 5, formas apropriadas de criar tensão. Todos os momentos pelos quais os personagens passam por situações complexas se resolvem de forma rápida, sem gerar grandes consequências.

Por sofrer diversos traumas de perdas de forma consecutiva, Malorie vai, aos poucos, criando uma personalidade firme, para evitar que outras pessoas importantes em sua vida também morram. Nesse ponto, a atuação de Sandra Bullock é precisa ao criar uma personagem crível tanto nos primeiros momentos da crise quando Malorie já está habituada ao cotidiano modificado. A falta de nomes para as crianças também auxilia a reforçar o aspecto de endurecimento da sobrevivente. Outro destaque da trama é Tom, vivido por Trevante Rhodes, de Moonlight. Apesar do grande tempo de tela, pouco é dado pelo roteiro para que o personagem se desenvolva de forma apropriada.

Com elementos que lembram filmes como Um Lugar Silencioso e Fim dos Tempos, falta a Bird Box a criação de uma identidade particular. Por mais que a história de Malorie seja intrigante, o universo do longa não consegue passar a mesma relevância para o expectador.

Cotação: 4/8

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