Clube da Luta

O retorno do Dragão

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Enquanto o MMA foi se consagrando com o jiu jitsu, muay thai, boxe, wrestler, fazendo com que por vezes outras artes marcias fossem deixadas de lado, ele atraiu novamente o interesse das pessoas pelo karatê. Há quem o chame de Karatê Kid brasileiro. A prova disso foi sua luta mais recente. Um chute à la Daniel Sam aposentou – literalmente – o norte-americano Randy Couture.

Se você acompanha as competições do Ultimate Fighting Championship (UFC), já sabe que estamos falando do brasileiro Lyoto Machida, apelidado de O Dragão. Após duas derrotas consecutivas e especulações de que poderia ser demitido do evento caso perdesse mais uma vez, Lyoto brilhou em sua última luta, oferecendo espetáculo aos organizadores do UFC (reveja o golpe).

Agora, o brasileiro – que já conquistou o título de sua categoria e acabou perdendo para o também brasileiro Maurício Shogun – caminha mais uma vez para brigar pelo cinturão dos meio-pesados. Seria o próximo da fila na disputa pelo título, se o norte-americano Quinton Rampage Jackson também não tivesse ganhado sua última luta.

Para ele, ainda há uma esperança de tentar logo tirar o cinturão de Jon Jones, o atual campeão. Rampage machucou a mão. Mas, segundo o detentor do título, sua próxima luta será mesmo contra o norte-americano e em breve. Nada oficial foi dito ainda. Muito menos a luta foi marcada. Por enquanto, como presente de estreia do nosso blog, trazemos uma entrevista especial do Clube da Luta com Lyoto.

O brasileiro falou sobre a reviravolta em sua carreira, sobre sua preparação para o próximo combate e ainda aconselha quem quer ser lutador profissional. Confiram!

Clube da Luta: Após duas derrotas consecutivas, você brilhou em sua última luta contra o Randy Couture. Deu espetáculo aos organizadores do evento e caminha mais uma vez para brigar pelo cinturão. Você realmente chegou a ser ameaçado de demissão? Como funciona isso no UFC?

Lyoto Machida: O UFC é um evento internacional em total expansão de mercado e que visa o melhor para os seus fãs. Tenho certeza que o Dana (White, dono do UFC) ao comentar algo nessa linha, estava incentivando o público e a mim mesmo. E pelo jeito de certo, não foi mesmo?  Bom para todos. (risos)

Fotos: Divulgação/UFC

Clube da Luta: Agora, com a vitória do Rampage no último sábado, ele teria a chance de disputar o título antes de você, mas a situação acabou ficando incerta porque ele acabou machucando a mão na última luta. Isso muda alguma coisa em seus treinamentos? Você já sabe qual será seu próximo combate? Como tem se preparado?

Lyoto: Infelizmente, o Rampage se contundiu e acredito que não poderá disputar o título. Faz parte da nossa profissão. Não tenho ainda o meu adversário definido nem qual o UFC. Vamos aguardar. Por enquanto procuro manter a forma física com treinos de manutenção em minha academia em Belém até saber data e local do evento, quando começo a preparação com maior intensidade.

Clube da Luta: Você tem alguma luta preferida em sua carreira no UFC? Alguma que tenha gostado mais ou achado mais bonita?

Lyoto: Gosto muito de ver os brasileiros lutando.  Eles estão lá defendendo nosso País, a nossa bandeira, dando ao povo brasileiro o orgulho de simplesmente ser brasileiro.

Clube da Luta: Na sua opinião, por que o Brasil tem tantos destaques no MMA e, consequentemente, no UFC?

Lyoto: Os brasileiros são criativos por natureza e, ao mesmo tempo, suportam adversidades que são encontradas num país em desenvolvimento como o nosso. Garra, criatividade e superação dos obstáculos da vida fazem com que tantos talentos apareçam.

Clube da Luta: O que você aconselharia aos atletas do Ceará que sonham em ser grandes lutadores?

Lyoto: Eu diria para eles uma frase do navegador Amyr Klink: “A pior coisa que pode acontecer na vida de uma pessoa não é quando seu projeto não dá certo, seu plano de ação não funciona ou quando a sua viagem termina no lugar errado. O pior é não começar. Esse é o maior naufrágio”.


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