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Camila Albuquerque: cearense é a primeira brasileira a arbitrar lutas do UFC

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A veterinária e praticante de sanda (modalidade do kung fu) ingressou na arbitragem de MMA em 2012 | Foto: Camila de Almeida/O POVO

A veterinária e praticante de sanda (modalidade do kung fu) ingressou na arbitragem de MMA em 2012 | Foto: Camila de Almeida/O POVO

Uma caminhada de sete anos de arbitragem, que venceu preconceitos, nocauteou piadinhas e finalizou ignorantes, triunfou no último domingo, 24, no Ultimate Fighting Championship (UFC) realizado em Porto Alegre, com o ginásio Gigantinho lotado. A protagonista dessa história é Camila Albuquerque, 30, árbitra cearense da Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA). Ela se tornou a primeira brasileira e segunda mulher do mundo a arbitrar lutas da maior organização de artes marciais mistas.

Natural de Fortaleza, ela viveu o auge da carreira – até o momento – em Porto Alegre. Depois de participar como “sombra” no UFC em Uberlândia (novembro de 2013), onde observou como era feito o trabalho dos árbitros no evento, ela recebeu o chamado definitivo da Comissão para arbitrar. A ficha só caiu quando Bruce Buffer, famoso apresentador de lutas do UFC, anunciou seu nome como a árbitra responsável pela segunda luta da noite em Porto Alegre, entre Douglas Silva e Cody Gibson. “É tudo muito rápido. Foi o momento mais tenso, quando ele chamou meu nome. Caramba, é verdade! Quando começou, que chamou para o centro do octógono para iniciar o combate, aí relaxei. Ali foi que pensei: ‘estou fazendo o que sei fazer, que já fiz várias vezes'”, conta Camila em entrevista ao Blog Clube da Luta/O POVO.

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Após o fim do duelo, ficou a expectativa se tinha ido bem, que acabou confirmada com as parabenizações dos colegas. A cearense ainda voltou a entrar no octógono mais uma vez, ao arbitrar a única luta feminina da noite, entre Marion Reneau e Jéssica Bate-Estaca. “Foi emocionante. Na hora da luta, eu fico tão concentrada, focada na arbitragem, observando se está tudo certinho, que não consegui visualizar esse momento, de ser a primeira brasileira a arbitrar no UFC. Mas depois, quando desci, percebi também o momento especial de três mulheres no octógono”. Além do momento histórico vivido dentro do cage, Camila viveu outra experiência única. “Esse evento em Porto Alegre, foi o primeiro que minha mãe assistiu. Ela achou lindo e violento, ao mesmo tempo. Mas gostou bastante. Minha família me apoia”, completa.

Medicina veterinária é mais uma paixão da cearense | Foto: Camila de Almeida/O POVO

Medicina veterinária é mais uma paixão da cearense | Foto: Camila de Almeida/O POVO

Novos sonhos, Ronda Rousey e vaidade
Loira de olhos claros, Camila também chama a atenção pela beleza, assim como a campeã peso-galo feminino do UFC, Ronda Rousey. Apesar da vaidade, a cearense prefere focar na arbitragem e deixa o título de “musa” para a americana e as ring girls. “Minha mãe costuma dizer que dos cinco filhos, eu sou a menos vaidosa. Mas assim, tem que ter os cuidados básicos. Gosto de me maquiar, de estar com uma roupa legal e com as unhas feitas. Mas, eu deixo esse cargo de musa para a Ronda. Acho que não tem isso. A arbitragem boa é aquela: ‘quanto menos aparecer na luta, melhor ela é’. A função é deixar a luta rolar. Acho que focar muito no árbitro não é muito legal”.

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Após estrear no UFC, a veterinária apaixonada por lutas já planeja novas metas. “As ambições vão ganhando novo espaço à medida que as coisas vão acontecendo. Meu sonho era chegar ao UFC. Agora que cheguei, o sonho é chegar ao card principal. Depois, é pegar um cinturão. Uma luta feminina pelo cinturão é bem mais viável”, projeta.

Inspirações
A caminhada da cearense é marcada por dois nomes: Fernando Moura e Mário Yamasaki. O primeiro é seu amigo e treinador, além de ser árbitro de MMA, e foi um grande incentivador na carreira de Camila. O segundo já tem longa trajetória na arbitragem e é referência nacional e mundial. “O Fernando é meu maior apoiador, desde sempre. Ele me instigou e me estimulou, e fechou todos os eventos para mim. Meu currículo é o que é por conta dele. Na arbitragem nacional é o Mário, que é meu professor e meu mestre. Foi ele quem me ensinou. Ele não se tranca de passar conhecimento, passa tudo que sabe e mostra o caminho”, relata.

Trajetória
Camila é formada em medicina veterinária e dona de uma clínica no bairro Luciano Cavalcante, em Fortaleza. Ela teve seus primeiros contatos com as artes marciais no kung fu, quando aceitou o convite de uma amiga e passou a treinar em 2005, e nunca mais parou. Três anos depois, ela já iniciava a trajetória na arbitragem, após fazer um curso para arbitrar lutas de sanda, uma modalidade do kung fu. Apaixonada pela função, ingressou na arbitragem de MMA em 2012, quando participou do curso do conceituado árbitro de artes marciais mistas, Mário Yamasaki. De lá, para cá, estudou bastante, se filiou à CABMMA e arbitrou 135 lutas em 45 eventos.

Vídeo – Veja os melhores momentos da entrevista

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