Clube da Luta

De porteiro a policial: a vida paralela de lutadores de MMA no Ceará

Fernando Germano se divide entre as atividades de porteiro e de lutador de MMA | Foto: reprodução/Facebook

Fernando Germano se divide entre as atividades de porteiro e de lutador de MMA | Foto: reprodução/Facebook

A vitória dentro do octógono é o principal momento de uma trajetória muitas vezes dividida entre treinos preparatórios, o estudo e outra profissão. No mundo das artes marciais mistas é comum a vida paralela de lutadores, que precisam conciliar os horários na academia, na universidade ou no trabalho.

Alguns casos são famosos, como o do cearense José Maria “No Chance” que mesmo lutando pelo UFC precisou continuar trabalhando como garçom para completar a renda. A situação é mais comum ainda em eventos locais, quando as organizações pagam bolsas de baixo valor.

No Ceará, os atletas de organizações locais revelaram uma rotina com atividades diversas. Germano Santana, lutador de MMA da Global Fight, precisa conciliar os treinos com o trabalho de porteiro de condomínio. Na última edição do BKF, realizado no Náutico Cearense, o porteiro-lutador levantou a bandeira da profissão e nocauteou o adversário com 45 segundos de luta.

“Divido minha vida entre treinar, trabalhar e o tempo com a família. Entro 7h da manhã no trabalho e saio 19h. Saio do trabalho e vou para a academia. Quando folgo é um dia inteiro treinando, de 8h até 22h”, contou ao Blog Clube da Luta, do O POVO.

Policial do 15º Distrito Policial (DP), localizado na Cidade 2000, Sasso Sales Oliveira faz parte da turma de atletas que dividem seus horários para entrar no octógono. Para o peso meio-médio da Team MG, é bem mais fácil sair na trocação com um adversário no octógono do que combater a criminalidade na Capital cearense.

“A bandidagem está solta na Capital. Com certeza, o trabalho de policial é mais difícil. Tenho minha profissão definida que é de policial. Luto por prazer, porque amo o que faço, é um hobby”, afirma Sasso.

Pai de três filhos e com a esposa grávida do quarto, o policial do MMA ainda precisa se dedicar aos horários da faculdade. “Preciso dividir muito bem o tempo. As pessoas que chegam para mim dizendo que não praticam o esporte por falta de tempo, estão de conversa fiada. Sou formado em Administração, faço faculdade de Direito pela manhã, trabalho o resto do dia e treino nos meus intervalos. O fim de semana é da minha família. Dou conta de tudo isso!”, garante o meio-médio.

Vendedor de celular finalizador
Imagina você entrar numa loja para comprar um aparelho celular e dar de cara com um funcionário com o rosto ferido e o olho roxo? De vez em quando, o vendedor e atleta de MMA Antônio “Pedreira” Araújo precisa contornar esta situação e explicar aos clientes que os ferimentos são resultados de um combate.

“Já aconteceu bastante. Vários clientes, que não me conhecem, já chegaram na loja falando: ‘Rapaz, deixe de brigar no meio da rua, isso é feio’. Preciso sempre explicar: ‘Doutor, isso é minha profissão, é a carreira que quero seguir”, conta Pedreira.

[youtube]https://youtu.be/k1513b7_QQU[/youtube]

Segundo o lutador da Gracie Barra, a dupla atividade acaba atrapalhando o rendimento máximo nas lutas de MMA. De 7h até 17h, Antônio trabalha na loja de celulares, enquanto de 17h até 22h, ele entra em ação nos treinos. “Se eu me dedicasse 100%, daria para fazer um melhor espetáculo para o público, mas como os patrocínios são muito complicados no Estado, preciso dividir meu tempo”, completa.

Mesmo sem o “100%” desejado, ele venceu cinco adversários e perdeu apenas duas, uma delas para o ex-TUF Brasil 4, Leandro Higo.

Futuro engenheiro civil focado no MMA

Calou trabalha o "ground and pound" em luta no BKF | Foto: reprodução/Facebook

Calou trabalha o “ground and pound” em luta no BKF | Foto: reprodução/Facebook

Para Lucas Calou não existe negociação. Os estudos no curso de Engenharia Civil ficam em segundo plano ao lado do sonho de lutar em um grande evento. Ele precisa contar com a compreensão dos professores, quando tem que faltar uma aula para treinar ou lutar.

“Meu foco é a luta. Faço primeiro toda minha planilha de treino para depois, nos momentos que posso, encaixar as outras atividades. A universidade onde estudo me dá uma flexibilidade de horários. Tento fazer no máximo uma cadeira por dia”, explica Calou.

A caminhada como estudante de Engenharia ainda vai durar dois anos. Mas, Lucas não tem dúvida de largar os estudos, caso apareça uma oportunidade no MMA. “Sou aberto quanto a isso. Caso tudo der certo e eu for chamado para um grande evento, vou largar os estudos e depois voltar. Eu sei que é uma profissão de risco (a de lutador), mas meu foco principal é a luta”, finaliza o atleta da Nova União.

Recomendado para você