Clube da Luta

Análise: os pontos altos e baixos do UFC Fortaleza, que teve público de 10 mil espectadores no CFO

Evento contou com 13 lutas e ocorreu no ginásio do CFO. Foto: Gustavo Simão/Especial para O POVO

Foi para a conta a 3ª edição do UFC realizada em Fortaleza. O retorno do maior evento de MMA do mundo à capital cearense ficou marcado por uma noite de lutas vibrantes e de alto nível, com direito a atuações de gala das atrações principais: José Aldo, Demian Maia, Charles do Bronx e Marlon Moraes. Sem contar na vitória de Thiago Pitbull, único atleta cearense que esteve em ação. Das 13 lutas, os desfechos foram bem variados: foram 4 nocautes, 4 finalizações e 5 por decisão dos juízes.

Diferente de dois anos atrás, o evento não teve cheia. O público divulgado foi de 10.040 espectadores, bem abaixo em relação a edição passada que ocorreu na cidade, também no CFO. De forma geral, o UFC Fortaleza passou no teste no quesito segurança e acomodação, mas deixou a desejar na programação – que não teve treino aberto, uma ausência bastante notável – e valores altos cobrados por ingressos, lanches e estacionamento.

A boa notícia, para os fãs, é que Fortaleza segue no radar do UFC e em breve deve receber novas edições. Na conferência pós-evento, o vice-presidente internacional do UFC, Dave Show, elogiou o nível das lutas, a segurança, a qualidade hotel que recebeu o staff, atletas e equipes e o engajamento dos fãs nas atividades realizadas. “Ficamos animados como evento transcorreu e nós sempre olharemos Fortaleza como local potencial para receber um evento ao vivo do UFC”, afirmou o executivo.

O Blog Clube da Luta elencou 3 pontos positivos e 3 negativos do evento realizado no último sábado, 2. Confira!

PONTOS ALTOS

1) LUTAS EMPOLGANTES: a chatice não teve espaço. O público que foi ao CFO se divertiu com as lutas. Foram 13 duelos marcados por intensidade e muita competitividade, como o público gosta. Destaque para as performances de alto nível dos brasileiros Demian Maia e Charles do Bronx, que deram ‘aula de jiu-jitsu’ em suas vitórias, por finalização. Aldo protagonizou o ponto alto da noite, com um nocaute avassalador sobre Renato Moicano, levando o público. Único cearense em ação, Thiago ‘Pitbull’ mostrou raça e encarnou o espírito Rocky Balboa (que começa sendo castiga e vira o combate) para confirmar sua vitória por decisão dividida. A luta principal, entre Marlon Moraes e Raphael Assunção, também foi empolgante, intensa na parte em pé e no solo, onde o combate teve o seu desfecho. O carioca Jhonny Walker protagonizou o nocaute da noite, em apenas 15 segundos de luta.

2) SEGURANÇA: a onda de ataques que vem acontecendo em Fortaleza desde o início do ano gerou uma forte nuvem de desconfiança quanto à segurança do evento, gerando um certo clima de apreensão de atletas e profissionais de imprensa que vieram de fora. Mas nesse quesito o UFC não teve problemas. Com forte policiamento (beneficiado pelo fato do show ter sido sediado no mesmo local que serve de base para a Força Nacional, que conta com grande efetivo na cidade) na parte interna, externa e arredores, nenhum ocorrência de médio ou grande porte foi registrada, antes, durante e após o UFC.

3) ACESSO, ACOMODAÇÕES E HORÁRIO: de forma geral, o público não teve dificuldade de acesso ao adentrar no ginásio do CFO. O fluxo de chegada e saída transcorreu de forma rápida. Ao contrário da primeira vez edição realizada na cidade (2013), em que público sofreu com o calor do ginásio Paulo Sarasate, a temperatura estava agradável, com o sistema de climatização respondendo bem à demanda. As acomodações do ginásio – considerado um dos mais modernos do País, com capacidade para até 15 mil espectadores sentados – atenderam as expectativas do público. O começou no horário previsto (19h) e terminou até mais cedo do que estava programado, por volta de 0h15min.

PONTOS BAIXOS

1) PRESENÇA DE PÚBLICO: o CFO esteve longe de ficar lotado no último sábado, 2. Era possível notar vários pontos vazios no ginásio, principalmente nas arquibancadas superiores do equipamento. Logo após o fim do evento, a direção do Ultimate divulgou que o público foi de 10.040 espectadores. Uma queda de 28,7% em relação a edição passada realizada em Fortaleza, no mesmo CFO, em março de 2017, que contou com 14.069 pagantes.

2) PREÇO SALGADO: o preço dos ingressos desagradou a muitos fãs que, mesmo sendo muito fãs de MMA, não tiveram como arcar sua ida ao evento. O ingresso mais barato, de arquibancada superior, a meia-entrada, saiu por R$ 75. Um ingresso de boa visibilidade, um pouco mais do próximo do octógono, saia por R$ 200 (a meia-entrada do setor premium). Para além do ingresso, o valor dos serviços no dia do evento eram salgados. A taxa média do estacionamento cobrado pelos vigilantes de carro foi de R$ 20. Também houve queixa no valor dos lanches. A água saia por R$ 7, mesmo preço dos salgados. A saída, pra muita gente, foi recorrer aos preços populares dos quiosques e barraquinhas de lanche montados no entorno do ginásio, para aguentar a 6 horas de evento.

3) ATRAÇÕES PARA OS FÃS: a programação pré-evento ficou bem menos caprichada e variada, em relação a última vez que o UFC esteve na cidade. Apesar de noites de sessão de autógrafos com Minotauro e as Octagon Girls na terça e na quinta-feira, o UFC Fortaleza teve um desfalque grave na agenda: o treino aberto, considerado o ponto de interação entre atletas e fãs (em 2017, essa atividade ocorreu no Shopping Iguatemi, na quarta-feira). A estrutura montada para os fãs na pesagem e no dia do evento também foi bem mais modesto que a vez passada, com menos stands e pontos de ativação e entretenimento, que ajudam aumentar a expectativa para o grande momento das lutas. A decoração do evento, em si, foi mais acanhada que a de 2017. As sessões de autógrafos no ginásio, na sexta e sábado, ocorreram para um público restrito, de convidados.

Recomendado para você