Cotidiano e Fé

Amor bandido

Homem sai da cadeia onde estava preso por agressão à ex-mulher e a mata na frente dos filhos.

Homem mantém ex-mulher em cárcere privado por 70 horas.

Rapaz invade apartamento e mata ex-namorada depois de mantê-la refém por 100 horas.

Homem põe fogo na ex-mulher na frente dos filhos.

Homem proibido de se aproximar há menos de 300 metros da ex-mulher, invade seu local de trabalho e atira nela várias vezes, em frente de outras pessoas.

O motivo de todas essas agressões, que temos visto cada vez mais frequentemente nos noticiários, vai muito além da dor de um amor não correspondido ou do ciúme da pessoa amada. A motivação nasce de um sentimento doentio, que não pode ser chamado de amor, no máximo de amor bandido.

Este amor doentio que destrói quem se diz amar é produzido por um sentimento de posse, que vê o outro como uma parte inseparável de si mesmo, como um objeto a ser controlado. Este “objeto” passa a ser o centro, a razão e o sentido da vida de quem o possui. É através de sua posse e controle que o seu dono se sente valorizado, reconhecido, importante. Daí o medo de perdê-lo. E o profundo desespero de sentir-se totalmente perdido, se o outro for perdido.

Este amor desvairado é um distúrbio emocional, a codependência, cujas principais características são:

* Sentir-se responsável pelos sentimentos, pensamentos, ações, necessidades, escolhas, vontades, bem-estar e destino do outro.

* Dizer “sim” quando quer se dizer “não”.

* Estar sempre querendo agradar aos outros. Viver tentando provar aos outros que se é bom.

* Ter medo de errar. Buscar desesperadamente amor e aprovação.

* Tolerar abuso para não perder o amor de outras pessoas.

* Manter relacionamentos destrutivos.

* Sentir-se aprisionado em um relacionamento por medo de ficar só.

* Ter medo de expressar emoções de maneira aberta e sincera.

* Viver ajudando as pessoas a viverem. Acreditar que elas não sabem viver por si mesmas.

*Tentar controlar situações e pessoas através da culpa, ameaça, manipulação e conselhos, assegurando assim que as coisas aconteçam da maneira que se quer.

* Sentir que precisa fazer alguma coisa para sentir-se aceito e amado pelos outros.

Para quem se percebe assim, há esperança no poder de transformação de Deus das nossas emoções, mente e coração. É Ele que nos assegura nosso verdadeiro senso de significado pessoal e propósito de vida. Visto que você é precioso e honrado à minha vista, e porque eu o amo, darei homens em seu lugar, e nações em troca de sua vida (Isaías 43:4).

Para saber mais, venha para a palestra “Codependência”, próxima sexta, dia 26, às 19h30, no anfiteatro do Colégio Kerigma (R. Oswaldo Cruz, 3401, esquina com Tibúrcio Frota). E se você precisa de ajuda nesta área, no Celebrando Restauração (endereço acima), funcionam grupos de apoio para homens e mulheres que lutam com a codependência, toda sexta-feira, a partir de 19h30.

 

Por Síria Giovenardi