Cotidiano e Fé

Roubaram meu kit de sobrevivência

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Por Edilson de Holanda

Há três semanas, fui assaltado.  Arma na cabeça, ameaça de morte (a mim e a minha noiva). Tensão, estresse, medo. Levaram todos os pertences que poderiam naquele momento. Curiosidade? Foi às 18hs em uma área nobre de Fortaleza.

Apelidava minha bolsa (que foi roubada)  de “kit de sobrevivência”.  Imprudentemente, carregava nela o que julgava necessário para pequenos ou até grandes imprevistos do dia-a-dia: algum dinheiro, cartão bancário, mp4, determinados documentos, aparelhos de celular,  carregador, uma boa leitura, alguns itens pessoais… e até uma caixinha de som portátil.

Passado o susto inicial, pensei: “Como vou me virar sem o meu kit de  sobrevivência?”. Nos primeiros dias, restou a sensação de falta. Mas hoje, sem querer, me dei conta: “Como posso dar o nome de ‘kit de sobrevivência’ a meros objetos ‘que a traça come’?”.

Muito do que adquirimos e usufruímos adere ao nosso cotidiano de forma tal que parece impensável nos desprendermos dessas “cerejas de bolo”. O supérfluo assume o papel de necessário, nos tornando dependentes.

Por que o apego ao que não é imprescindível à nossa felicidade? Lançar os olhos sobre o que é meramente terreno nos trás sofrimento, além de nos afastar de nossa realidade enquanto filhos de Deus: somos, sim, dependentes, mas unicamente de Sua Graça.

Não padeci o quanto imaginava, por terem levado meus pertences. Mas, há três semanas, se desafiado por Deus, teria eu coragem de doá-los a quem tivesse mais carência? E se de repente Cristo lhe instasse a “compartilhar” o seu carro, já que ele está “a serviço do rei Jesus”?

Foi o apóstolo Paulo quem disse: “aprendi a viver contente em toda e qualquer situação. Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez; tudo posso naquele que me fortalece”. (Fp 4.11-13)

Se você encontrasse Paulo se deleitando em uma rede na praia, tomado água de coco, e perguntasse: “Paulo, do que você precisa?” Ele diria: “Eu só preciso de Deus”. E se o visitasse em uma cadeia, debaixo de açoite, e lhe fizesse a mesma pergunta, ele responderia “Eu só preciso de Deus”.

Estamos preparados para perder, se for preciso? Do que você necessita para estar satisfeito? Qual é sua fonte de bem-estar e segurança? Onde está seu kit se sobrevivência?

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