Cotidiano e Fé

O absurdo da alienação romana

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O século XXI continua à sombra dos dogmas alienantes da Idade Média. Sob subvenção estatal, travestida de movimento cultural ou folclórico, continuamos assistindo a boa fé do povo sendo usada para perpetuar a idolatria e difundir lendas sem nenhum fundamento histórico ou escriturístico.

Raciocine comigo, apenas por um momento! De onde retiraram a ideia de que Maria, mulher abençoada, elogiada, destacada na Bíblia como mãe de Jesus e serva do Senhor, teve uma IMACULADA CONCEIÇÃO, ou que ela tenha sido ASSUNTA AO CÉU?

Se seguimos a tradição de homens, a tradição da instituição chamada igreja, qualquer dogma inventado, idealizado por qualquer pessoa, vira verdade absoluta e dogma de fé, mesmo que não tenha sido registrado na Bíblia.

O que teria Jesus, Pedro, João, Tiago, Paulo e outros escritores canônicos dito a respeito da Imaculada Conceição ou a Assunção de Maria? Só não saberia responder quem nunca leu o Novo Testamento, ou, se leram, já não se recordam do conteúdo.

Se podemos inventar ou interpretar qualquer fato, dito “misterioso”, de modo a transformá-lo num dogma de fé capaz de levar pessoas a confiar seus bens, saúde, vida pós-morte a deuses e episódios que não passam de lendas incorporadas em estátuas e monumentos imóveis, não deveríamos chamar isso de Cristianismo.

Tenho a certeza de que a maioria dos sacerdotes romanos não creem em tais dogmas, mas advogam-no por não terem coragem para confrontar ou denunciar a falácia do que chamam de “crença popular”.  Não estamos dizendo que pessoas não tenham o direito de adorar ídolos de pau e pedra, fazer oferendas ou promover procissões. Mas, em se tratando da perspectiva bíblica de vida eterna, tem algo muito importante em jogo – a vida de cada ser humano, pelo qual Jesus morreu – só Ele foi o legítimo mediador e intercessor diante do Pai (cf. João 14:6). O que não podemos é deixar de argumentar, dizer, chamar a atenção para que não confundam romanismo com cristianismo, cuja essência está em Jesus e não em Maria.

Cristo morreu na cruz, Cristo ressuscitou, Cristo foi assunto ao céu, Cristo está à direita do Pai, Cristo voltará… verdades absolutas, bíblicas testemunhadas pela humilde serva do Senhor, Maria, simplesmente Maria.

Claro que tais assertivas provocam reações adversas em quem não está disposto a pensar, ou abrir o coração para a VERDADE. Jesus mesmo disse: “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (João 8:32). Mas, se você agir com bom senso e coração aberto, vai compreender a diferença entre cristianismo e crença popular, pois isso fará diferença quanto ao destino eterno e a sua relação com o Deus da Bíblia.

A imaculada conceição de Maria não tem fundamentação bíblica, tendo sido inventada por um decreto papal. Foi no dia 8 de dezembro de 1854, na presença de 54 cardeais e 140 bispos, que o papa Pio IX declarou na bula “INEFFABILIS DEUS” o seguinte dogma: “É de Deus revelada a doutrina que sustenta que a bem-aventurada Virgem Maria, no primeiro instante de sua conceição, por singular graça e privilégio do Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, o Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, e dessa maneira deve ser crida por todos os fiéis.”

Deve ser crida por todos os fiéis, a quem? Ao Vaticano e não a Cristo, com certeza. A partir daí, oficialmente, os católicos romanos passaram a crer que Maria nasceu imaculada, sem pecado, não tendo herdado o pecado de Adão, comum a toda criatura.

Todavia, o que os católicos romanos ignoram é que essa crença foi rejeitada durante séculos por grandes líderes da própria Igreja Católica Apostólica Romana. Eles defendiam, o que a Bíblia ensina, que somente um ser humano poderia ter nascido sem pecado, e esse é JESUS CRISTO, o DEUS ENCARNADO. Ninguém mais!  Nem mesmo Maria.

Essa era a posição de SANTO ANSELMO que disse o seguinte: “Mesmo sendo imaculada a conceição de Cristo, não obstante, a mesma Virgem, da qual ele nasceu, foi concebida na iniquidade e nasceu com o pecado original, porque ela pecou em Adão, assim como por ele todos pecaram. “

SÃO TOMÁS DE AQUINO, o mais importante dos teólogos católicos, não aceitava essa doutrina. Ele disse: “A bem-aventurada Virgem foi santificada antes de receber vida? (…) se a bem-aventurada Virgem houvesse sido santificada de qualquer modo antes de receber a vida, nunca teria incorrido na mancha do pecado original; e, portanto, não teria necessidade da redenção e da salvação que é por Cristo, de quem se diz: Ele salvará o seu povo dos seus pecados. (…) logo a santificação da bem-aventurada Virgem foi depois de receber a vida”.

SÃO BERNARDO declarou que “Só o Senhor Jesus Cristo foi concebido do Espírito Santo, porque era o único santo antes da sua conceição.” Certamente, por causa desse dogma, a Igreja viu-se obrigada a criar e decretar um outro dogma quase cem anos depois, ou seja: O DA ASSUNÇÃO DE MARIA EM CORPO AO CÉU.

A Bíblia declara que o salário do pecado é a morte, e por causa do pecado o homem morrerá e seu corpo se desfará na terra voltando ao pó donde era (veja Romanos 6:23 e Eclesiastes 12:7); A questão levantada, então, era: Poderia o corpo de Maria corromper-se na sepultura após sua morte?

Se de fato ela era imaculada (sem pecado), poderia ela sofrer a penalidade do pecado? Por causa disso em 1º de novembro de 1950 a Igreja criou o dogma de que Maria foi assunta ao Céu em corpo, ou seja seu corpo não foi consumido na sepultura. E a Igreja ainda diz que tais dogmas são revelações de Deus que devem ser cridas por todos os fiéis, e que, se não o fizerem, naufragarão na fé e se condenarão a si mesmos!

Trata-se de uma ação autoritária, aleatória, infundada e que tem implicações para a eternidade. Se você conseguiu ler até o final deste artigo, reflita na possibilidade de crer no que a Bíblia ensina sobre Jesus e sobre Maria e não nas conjecturas romanas que induzem o povo ao erro e à observância de feriados que atrapalham o progresso de um povo que precisa mais de Cristo e menos de Roma.