Cotidiano e Fé

Assim na Terra como no Céu

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Por Edilson Holanda

“Como devo orar?” Quem já não pensou assim? Bem, antes mesmo de você ter pensado em perguntar, Jesus Cristo respondeu a essa pergunta, de forma objetiva: “Orai deste modo: Pai nosso que estás nos céus, santificado seja o teu nome, venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na Terra como no céu…” (Mt 6: 9,10).

Uma curiosidade na “reza” que aprendemos: Por que Jesus nos estimula a pedir a Deus que a vontade do próprio Deus seja feita da Terra, assim como é feita no céu? Porque para que a vontade de Deus seja feita na Terra, é necessário que nós também queiramos.

Logo no Éden, Deus nos deu algumas diretrizes da vida na Terra: “… enchei a Terra e sujeitai-a…” (Gn 1:28). Em outras palavras, Ele disse ao Homem: “do portão do céu para baixo, a responsabilidade de governar é sua”. Dali em diante, deveríamos decidir como gerenciar todos os recursos e possibilidades que Deus, desde o início, nos confiou.

No céu, tudo está em ordem. Isto porque o próprio Deus governa. Logo, sua vontade é feita. Enquanto isso, vivemos aqui na Terra vários espécies de caos: com nosso próprio “eu”, no casamento, nos relacionamentos de amizade, na família, na vida financeira, na igreja, na sociedade… Por quê? Simplesmente porque nós, enquanto indivíduos e humanidade, estamos no controle. E neste comando, temos decidido que a nossa própria vontade deve prevalecer.

Todos os dias, conscientemente ou não, fazemos essa escolha: como governo minha vida? A partir da vontade de quem? A consciência dessa realidade não deveria produzir em nós outra consequência a não ser nos quedarmos de joelhos e dizermos: “Senhor, reconheço que a minha vontade tem sido feita. Por isso mesmo, estou assim. Me inspire a fazer a tua vontade em minha vida, assim como ela é feita no céu!”

Não nego que é tentador se ajoelhar e dizer: “Senhor, enquanto fico aqui ao pé de minha cama, choramingando, cansado de tudo, vem mudar todas as circunstâncias em meu lugar, em vez de eu mesmo respirar fundo, pedir da tua graça e encarar de frente a vida”.

Mas não foi essa a oração que o Cristo nos ensinou. Paulo amplia essa compreensão ao esclarecer: “…nós somos cooperadores de Deus…” (I Co 3:9). Não somos marionetes de um teatro formado por Deus. Se considerarmos que há alguma peça, somos então os protagonistas. E decidimos qual enredo vamos seguir: o nosso, o que nos empurraram goela abaixo durante toda a nossa existência mal vivida ou o de Deus.

Pergunta-se, então: quem orará assim: “Pai, estou pronto a santificar o teu nome e cooperar com a construção do teu Reino, porque o que mais desejo é fazer a tua vontade prevalecer aqui na Terra, em vez da minha, assim como ela é feita no céu”?

Procura-se esse tipo de gente.

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