Cotidiano e Fé

Repensando o Natal

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O natal, ao contrário do que muitos imaginam, não é uma festa essencialmente cristã. Autoridades eclesiásticas e estudiosos reconhecem que o cristianismo sofreu uma forte influência pagã durante os séculos II e III quando os imperadores, supostamente convertidos ao cristianismo, tentaram decretar uma “conveniente” cristianização do império.

No século III D.C., por exemplo, no ano 274, o imperador romano Aureliano, na tentativa de unificar o seu domínio, escolheu o deus sol invencível (solis invictus) como a divindade suprema para todo o império. Natal era a comemoração do nascimento do sol invicto “Natale Solis Invictus”, no dia 25 de Dezembro – o solstício, o retorno do sol a sua posição mais elevada – quando a data era comemorada com bebida, comida, presentes e muita folia.

O Édito de Milão, promulgado por Constantino e Licínio no século IV D.C., proibia a perseguição dos cristãos e oferecia facilidades aos que se declarassem seguidores de Cristo, de modo que os pagãos idólatras foram adaptando suas crenças aos símbolos e figuras cristãs como forma de sobrevivência e conveniência política.

Papai Noel, outro mito natalino, surgiu na Holanda, em meados de 1920, e foi absorvido pelo oportunismo americano que transformou Nicolau de Mira, nascido no mês de dezembro, em garoto propaganda dos que fabricam, comercializam e lucram com a sensibilidade popular, principalmente a das crianças.

Nesta lamentável paganização e comercialização da fé cristã, o homem moderno continua física, emocial e espiritualmente carente, enquanto lhe é oferecido uma gama de produtos incapazes de torná-lo plenamente realizado.
As ofertas desnecessárias, os crediários abusivos, as reuniões desprovidas da real amizade, as ações em favor dos privilegiados, as rodadas de bebidas e as ladainhas religiosas não parecem retardar o processo de decadência de uma sociedade que se afasta de Deus.

Para não parecer apocalíptico, resta-nos a esperança de que os verdadeiros cristãos se dignem à promoção do expurgo espiritual desta data natalina. Quem sabe numa outra data, histórica e biblicamente mais precisa, sem ‘Papai Noel’, sem presentes, sem árvores e sem comilança, pudéssemos focalizar na pessoa do Senhor Jesus Cristo.

O Jesus menino, esperança de vida plena, abundante e eterna, seria, portanto, reconhecido, adorado e vivenciado pela prática dos seus ensinos, pelo exemplo da sua vida sacrificial, pelo poder perdoador da sua morte e pela viva esperança da sua ressurreição que o reconduziu à condição de Deus vivo, presente e salvador de todo aquele que nEle confia.

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