Cotidiano e Fé

Egito: em meio ao caos, pode haver boas novas

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O que você espera de um país onde um ditador governa há 30 anos, e, a despeito de abrigar um espetacular acervo do patrimônio cultural da humanidade, 40% das pessoas vivem na pobreza? Enquanto você pensa na resposta, milhões de egípcios cansaram de esperar.

Despertado pelo exemplo do povo da Tunísia que despachou seu ditador Ben Ali para “bem longe dali”, o Egito se convulsiona para fazer o mesmo com a múmia viva do faraó disfarçado de presidente, Hosni Mubarak. Mas o desafio é maior, pois o Egito possui exército forte, financiado pelos EUA e desperta grandes interesses internacionais, inclusive do Brasil de quem é o maior comprador entre países árabes.

Mesmo com internet e celulares bloqueados, os cidadãos fazem o que podem. De advogados a desempregados, de mulçumanos a cristãos, gritam com que o restou de suas gargantas já roucas e lotam praças em protesto, contra tanques de guerra, balas de borracha (ou não) e jagunços montados à camelo arrojados pelo ditador para pisotear a multidão. Segundo a ONU, já são mais de 300 mortos e milhares de presos e feridos.

No tempo de Moisés, há mais de 3000 anos, o faraó não deixava sair os hebreus escravizados. No decorrer da história, foi a vez do próprio povo egípcio ser oprimido em sua terra, assim como o foram os judeus antigos. Hoje, vemos uma inversão de papéis. O estado de Israel se manifesta em apoio ao faraó Mubarak, pela estabilidade da região. A História está sempre à procura de oprimidos de qualquer religião e faraós cegos, mesmo diante das 10 pragas.

Em meio ao caos, uma imagem. Uma imagem simples e singela. Jovens de mão dadas. Quem são? Cristãos. Onde estão? No protesto fora-Mubarak da Praça Liberdade no Cairo. O que estão fazendo? Protegendo colegas mulçumanos que estão no horário de sua prece tradicional. Eles não estão em discussão religiosa, é ora de protestar por dias melhores, é hora de proteger desconhecidos, é hora de amar, simplesmente. Lembre que no início do ano, 21 cristãos foram mortos em uma igreja em Alexandria, o que incendiou disputas religiosas. Até isso eles superaram. O Cristo destes rapazes, está vivo, amando amigos e inimigos, talvez futuros amigos.

Estes jovens deram o exemplo de hoje. Mesmo diante do desespero, pode haver bom testemunho.

Pelo Twitter, acabei de pegar a imagem de um tailandês, que passou por uma turca, depois de ser postada por um egípcio.  A imagem de um gesto vai girar o mundo, dando um simples testemunho, que fala mais claro que minaretes, torres, altares, tribunas e púlpitos, sobre o que é tolerância e também cooperação cidadã interreligiosa.

Fiquei pensando o que posso fazer: vou lembrar do Egito em oração, vou divulgar #foraMubarak. Vou repassar o recado:

Exemplo de Tolerância: Cristãos nos protestos do Egito protegem islâmicos durante suas preces #Tahrir #Egipt #foraMubark
Estou recebendo sugestões.

Por: Murilo Marques