Cotidiano e Fé

“Não nos sentimos responsáveis”

“No mundo de hoje, as repercussões são quase instantâneas: pastores queimam o Corão na Flórida;  reação violenta no Afeganistão; pelo menos 20 pessoas mortas, incluindo funcionários da ONU.

“Não nos sentimos responsáveis”, disseram Terry Jones e Wayne Sapp, os pastores-juizes encarregados dessa igreja “do fogo”. O que querem dizer com isso?

Estariam reconhecendo que são irresponsáveis? Ou que, simplesmente, não fizeram nada demais?

Se essa pregação fosse tida como exemplo, as mortes no Afeganistão não teriam responsáveis diretos. A ONU poderia dizer que não tem responsabilidade pela segurança de seus funcionários. Os exércitos estrangeiros naquele país teriam razão em declarar que essas mortes são apenas efeitos colaterais de uma guerra responsável. Ninguém seria responsável por nada, nesta Babel mundial.

A verdade é que esses apóstolos do ódio se igualaram em método à Ku Klux Klan, ou ao IRA, ambos grupos violentos que se dizem cristãos. Queimaram em seu coração a própria Bíblia, quando exorta à moderação, ou quando retrata a misericórdia de Deus com seu povo infiel. Queimaram a vida e obra de Jesus, com seus ensinamentos de Amor. Queimaram o Sermão do Monte, que ensina “bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5:9).

Julgamentos atrapalhados como esse não decretam a morte de livros, ou de religiões, mas de pessoas inocentes. Mais uma brincadeira com fogo, e já podem cobrar o dízimo dos fabricantes de armas de guerra.

 

Por Murilo Marques