Cotidiano e Fé

Experiência de um 11 de Setembro globalizado

Saí de Fortaleza às seis da manhã do dia 10 de setembro de 2010. Meu vôo seguiu direto para São Paulo e lá peguei outro avião para o Panamá. Em seguida, outra aeronave, até meu destino final, na Guatemala. Confesso que, ao sair de Fortaleza, não havia percebido a proximidade da data da minha viagem com a dos atentados terroristas contra as torres gêmeas nos Estados Unidos, somente quando estava na segunda aeronave foi que percebi.
Ao meu lado estava sentada uma jovem baiana, de Salvador, filha de pais gaúchos e que mora atualmente em Brasília. Seu destino era os Estados Unidos, mais precisamente Nova York, onde iria se encontrar com seu noivo estadunidense (em sete horas de viagem dá pra saber muita coisa!).
Durante a conversa, lembrei a jovem da coincidência da data que ela iria entrar nos Estados Unidos. O seu avião, que partiria do Panamá na noite do dia 10, chegaria no início da manhã do dia 11 de setembro em Nova York. A jovem, entorpecida pela paixão, até então não havia associado as datas. Pensou nos transtornos que iria enfrentar logo na chegada ao aeroporto. Descemos juntos no Panamá e logo a soteropolitana se perdeu na multidão cosmopolita que enchia aquele grande aeroporto panamenho.
Segui minha viagem em outro avião, que partiu do Panamá para a Guatemala, já estava há dez horas dentro de um avião, sem contar com a espera nos aeroportos. Duas horas depois, enfim, Cidade da Guatemala. No entanto, na fila de imigração para carimbar meu passaporte veio a surpresa.
Um policial guatemalteco me encaminhou até uma sala onde fui interrogado sobre os motivos que levava um brasileiro à Guatemala, pois, segundo ele, eu me enquadrava no perfil de um terrorista que ingressa ilegalmente nos Estados Unidos, desembarcando na Guatemala, para não levantar suspeita e burlar a fiscalização, seguindo via terrestre para o México, e, finalmente, avançar a fronteira estadunidense.
Depois de muitas explicações e horas de espera fui liberado. Contudo, me veio à mente o que iria passar a multicultural baiana nos Estados Unidos e outros viajantes, como eu, ao redor do mundo. Espero que um dia essa data seja realmente esquecida e possamos viver no mundo com menos medo e mais paz.

AUTOR: PLAUTO ROBERTO DE LIMA FERREIRA
Oficial da Polícia Militar do Ceará