Cotidiano e Fé

A “sorte”, o “azar” e a fé no invisível

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*Por Orlando Neri

Você é sortudo ou azarado? Em 2007, minha esposa foi sorteada com um pacote completo de 7 dias em um cruzeiro com destino a Fernando de Noronha e eu, claro, desfrutei do passeio com ela, pois minha esposa é “sortuda”. Mas eu, definitivamente, sou ”azarado”.  E você? É possível que você acredite ser tão azarado a ponto de ser movido pela “lei de murphy”, aquela que diz que se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.

Sorte ou azar. Essas são maneiras populares de encararmos pequenos incidentes que, às vezes, não têm muita explicação, mas, infelizmente, não são respostas capazes de satisfazer questões mais profundas do ser humano. O que fazer quando somos surpreendidos pelo inexplicável? A quem pedir socorro? O que fazer quando somos surpreendidos pelo imprevisível?

A verdade é que todos temos pavor do imprevisível. Como saber se vou ser feliz no casamento ou, até, se, realmente, vou me casar? Será que vou conquistar a profissão que tanto almejo? Como saber que não tenho uma doença terminal? Dinheiro… Será que vou ter o suficiente? Perguntas sem respostas prontas, diante da perplexidade da vida e dos seus imprevistos. Sorte ou azar? Acaso ou propósito? Coincidência ou providência?

Se você tem pavor do imprevisível  é exatamente o “não saber” que cria a necessidade da fé. Diante da perplexidade da vida, não temos controle algum e é, aí, que percebemos como somos frágeis e efêmeros. O grande paradoxo é que a confusão da vida torna a fé necessária. A questão não é se você tem ou não tem fé, mas em que ou em quem você deposita a sua fé. Quero lhe apresentar dois fundamentos a fim de você tomar uma posição.

Fundamento 1: fé no visível. Esse é o caminho mais percorrido: o prazer, a revolta, o misticismo, a religião e a ciência/materialismo acabam por se tornar o lugar mais razoável e concreto para depositarmos nossa fé. O único problema é que essas coisas, embora legítimas,  não são suficientes para nos dar uma base segura para viver. Elas são efêmeras e passageiras e só nos levam a viver com mais medo, ansiedade, fobias e angústias. Dá pra viver a vida baseado na sorte e no azar? Espero que não. Mais cedo ou mais tarde ficará claro que precisamos de outro tipo de fé pra viver.

Fundamento 2: fé no invisível. Esse é o caminho menos percorrido. Você depositará sua fé em quê ou em quem? Na razão humana ou nas verdades e promessas da Palavra de Deus? A Bíblia diz que  “Jesus sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder” (Hebreus 1:3). O fato é que sem fé é impossível agradar a Deus.

A fé muda nossa maneira de encarar o que não podemos ver: Pela fé entendemos que o mundo foi trazido à existência pela Palavra de Deus”. Então, qual a única forma possível de se viver? Pela fé no Filho de Deus. Por isso, as Escrituras nos garantem que “o justo viverá pela sua fé” (Romanos 1:17).

A fé que se apega ao que Deus revelou sobre si na sua Palavra e aceita o inexplicável, o imprevisível e o incontrolável como o caminho para se humilhar, depender, confiar e, humildemente, se prostrar em verdadeira adoração. “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, dos que foram chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28).

“Bem sei que tudo podes, nenhum dos seus planos podem ser frustrados… Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42:2,5).

*Orlando Neri é líder da Rede de Pequenos Grupos de Jovens da IBC (Rede Atos)