Cotidiano e Fé

O Semáforo e seus sinais

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Estava dirigindo o meu carro pela Av. Rogaciano Leite e logo me chamou atenção um outdoor que anunciava uma grande festa na cidade. A criatividade dos promotores do evento foi brilhante, eles usaram as cores de um semáforo para identificar se uma pessoa estaria comprometida (vermelho), “enrolada” (amarelo) ou livre (verde). Continuei meu percurso e resolvi observar outros sinais que os semáforos de Fortaleza podem transmitir aos seus moradores.

Um pouco mais à frente, parei no cruzamento da Av. Eng. Santana Júnior com  Av. Antônio Sales e vi uma mãe com seu filho no colo pedindo um pouco de comida,  era o sinal da desigualdade social. Não muito distante dali, um indivíduo numa cadeira de rodas, com seus membros inferiores amputados, pedia ajuda. Mais adiante, próximo ao primeiro, outro pedinte que ao retirar da cabeça um boné, mostrava parte do crânio quebrado. No mesmo instante, ouvi uma voz que vinha do chão, inclinei a cabeça para fora do carro e vi uma pessoa se arrastando no asfalto quente pedindo um “trocadinho”. Foi quando percebi que estava diante do sinal dos mutilados.

Resolvi ouvir algo no rádio e sintonizei em uma emissora pública. Ouvi um político discursando. Pela voz parecia um desses parlamentares midiáticos proferindo frases de efeito. Porém sua mensagem sensacionalista penetrou meu inconsciente, acho que ouvi ele demais. Estava diante do sinal do engano.

Segui viagem e, não demorou muito, parei em no outro semáforo, nesse vi garotos correrem em direção ao meu carro. Levantei o vidro rapidamente. Eles jogaram água no vidro e limparam. Pediram qualquer coisa, era o sinal do abandono. Percebi que eles eram magros, quase esqueléticos, poderia até pensar que estavam desnutridos, contudo eram vítimas das drogas. É o sinal da dependência. Fiquei com medo, a luz vermelha acendeu na minha mente, pisei forte no acelerador, avancei o semáforo, uma luz piscou, era o fotossensor. Esse é o sinal da arrecadação. Afinal, quem pagará essa conta?

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