Falando com quem?

Certo dia, estava eu em um consultório médico aguardando para fazer um exame de laringoscopia. O local estava lotado e eu bem sabia que esperaria um bom tempo. Esperei cerca de quatro horas para realizar o exame e, claro, não podia deixar de pegar um livro para ler. Em meio à leitura, parei um pouco para ver as pessoas que estavam à minha volta. Foi quando vi um jovem que aparentava ter um pouco mais de vinte anos e que era portador de necessidades especiais. Vi umas duas pessoas conversando e várias outras no celular. Vi que ele olhava para um lado e para outro e, de alguma forma, percebeu que todos estavam conversando ou ocupados, mas ninguém puxava assunto com ele. Havia uma senhora do seu lado que tentava fingir que ele não estava ali, parecia ter um certo receio.
Foi então que ele pegou um bicho de pelúcia em formato de um sapo, puxou uma cadeira de criança, colocou o “sapinho” na cadeira e logo disse: “Caio”.
Isso mesmo, ele conversava olhando para o bichinho. E completou, gritando para a mãe que estava umas cinco cadeiras distante: – Mãe, aquele dia estávamos na oficina do Caio era? A mãe respondeu: – Era.
E ele completou para o amigo de pelúcia: – Caio trabalha na oficina.
E começou a criar um diálogo.
Parte das pessoas pararam e olharam para ele, talvez se perguntando: – Ele está FALANDO COM QUEM?

Observei a cena atentamente e percebi que, muitas vezes, há pessoas que nem são portadoras de necessidades especiais, mas estão naquela mesma situação: olham para um lado e para o outro e veem cada um o seu “mundo”; que já não sentem que as pessoas se importam com o que elas estão sentindo ou que, simplesmente, não querem conversa.
Muitas vezes isso se reflete de duas formas:  1)achar que não é importante ir ao encontro do outro e, por isso, criam relacionamentos superficiais em redes sociais ou 2)simplesmente isolam-se, achando que a melhor pessoa para conversar é consigo mesma.

O que tenho feito em prol do outro?

A pergunta que temos feito é igual à que está escrita em Lucas 10:29 – “E quem é o meu próximo?”
O meu próximo está do meu lado, a cada instante, mas eu, muitas vezes, não o tenho visto nem atentado para ele.
As pessoas estão falando sozinhas ou evitando falar.
Que tal sermos aqueles que vão ouvir e estar atentos ao que elas têm a dizer?

 

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