Cotidiano e Fé

O encontro entre o adeus e o até logo

Sabe aquela pessoa com quem você gosta muito de rir, brincar, se divertir ou
chorar, além de abraçar ou simplesmente estar ao lado? Pois é, essa pessoa
não dura para sempre, um dia terá que se despedir dela e não poderá fazer
nada com relação a isso, a não ser estar lá no último dia em que verá o rosto
dela pela última vez.
Eu não sei você, mas eu sempre tive dificuldade com situações desse tipo. A
minha dificuldade era tanta que eu não conseguia nem ir para velórios, muito
menos para enterros. Eu não gostava de dar adeus, eu não gostava de me
despedir, eu não gostava de imaginar que as pessoas se vão.
Lembro de períodos em que havia algum velório na minha rua, quando criança,
e aqueles eram os piores dias para mim, pois era quando eu pensava: um dia
será alguém próximo e o que farei? Eu chegava a ficar horas e horas pensando
sobre isso. Dormir era a melhor solução, porém o sono demorava e no
momento parecia ser a melhor opção.
Nunca convivi com meus avôs, não cheguei a me despedir deles. Porém, algo
muito mais difícil veio com as minhas avós: uma delas, por parte de pai, se foi e
aquele foi um dos momentos mais reflexivos que tive, mas também o momento
em que provavelmente fui o único neto e membro da família que não foi ao velório e ao
enterro. Eu não queria ficar com uma última imagem dela no caixão, era o que
eu pensava. E não fui. Hoje entendo que os velórios são mais para estar ao lado dos que ficaram do que simplesmente dar o último adeus.
Anos depois, especificamente há pouco mais de um ano, minha avó por parte
de mãe se foi e… eu estava no sertão do Piauí e sem internet. Foi quando, por
alguns instantes, a internet voltou e com ela a notícia de que já tinha feito mais
de 10 dias que ela tinha falecido. Ela se foi e eu não tive a oportunidade de me
despedir. Ali distante, tive o meu luto. Na hora que soube, lembrei-me de que,
alguns meses atrás, ela acabara de ficar completamente cega e veio aqui em
casa para passar alguns dias. Lembro-me de ver meu pai trazendo-a e
ajudando-a a descer do carro. Ela se aproximou e, com a ajuda das mãos, foi
até o meu rosto e falou: “- nunca mais poderei ver o rosto do meu neto.” Ela
chorava e confesso que, no dia, não tive como segurar as lágrimas e nem
agora, enquanto descrevo aquele momento.
Ela se foi.
A sensação era de que faltava algo. Algo ficou pendente e, logo depois, veio a
sensação do até logo.
Lembrei-me de quando ela decidiu entregar sua vida a Jesus e de quando a
visitei e ela me perguntou chorando: “- Como posso orar a Deus?
Eu achava que era só repetir uma ave- maria ou um pai-nosso.
Eu cheguei ontem no meu quarto e disse: – Como agora vou falar com Deus?”
E tive a alegria de dizer: “- Vó, sabe essa pergunta que a senhora fez no seu
quarto? Pois é, a senhora já estava falando com Ele.”
Ela abriu o sorriso, ainda com lágrimas, porém de alegria.
Lembrei-me desse dia o qual veio regado de alegria e lágrimas nos olhos, pois
foi quando entendi o que faltava e o que estava “pendente”.

A sensação de que faltava algo era o simples fato de que não acabou. Isso não
se trata apenas de um adeus e sim de um até logo.
Logo mais estaremos juntos numa eternidade.
Logo mais estaremos juntos com Jesus.
Esclareceu-lhe Jesus: “Eu Sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em
mim, mesmo que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá
eternamente.
João 11:25-26
Não sei de quem você se despediu ou não, mas lembre-se: não foi um adeus,
foi um até logo.

Poesia – Não duram para sempre

Ah se nós filhos nascêssemos
Cientes que elas não duram para sempre
O tempo passa e nem percebemos
E quando nem esperamos, vão de repente
Sobram os dias e a plena reflexão
Sobra-se então a dor da saudade
As lembranças e as memórias vividas
Vividas profundamente, vividas de verdade

Se você se sentir desafiado, faça algo para alguém que você ama hoje, e se quiser
compartilhar comigo no Instagram vou ficar feliz em saber que lhe levou a fazer algo.

 Fellipe Sousa
 Instagram: @sousasfellipe