Cotidiano e Fé

Esquecimento

Interessante perceber como somos tendenciosos a esquecer as coisas boas e o tempo que pessoas depositaram em nos fazer o bem e, quando, de repente, a pessoa falha uma vez ou duas, parece que todas as outras coisas boas já feitas não são levadas em consideração. A tendência é sempre anular tudo de bom.

Houve uma disciplina cursada na faculdade que me fez estudar um pouco mais sobre memória. Ela é dividida em sensorial e de curto e longo prazo. Vimos como nossa memória é afetada pela nossa motivação, ou seja, por aquilo que nos interessa e, por isso, tem a tendência de guardar na memória com mais facilidade. Pergunto: por que, então, costumamos nos esquecer de coisas boas que nos acontecem? Ou por que esquecemos o que pessoas ou grupo de pessoas fizeram por nós, parecendo esquecer tudo e guardando só a falha das pessoas? Porque, arrisco
dizer, por natureza e de certa forma, somos um tanto quanto egoístas e autocríticos. Sempre tendemos a olhar o lado negativo daquilo que precisamos melhorar ou, simplesmente, daquilo que ainda não está bom. Um exemplo de exercício quanto a isso seria: Dez pessoas passam por nós e dizem “- Você está mais lindo(a) hoje! Ou dizem “- Você está mais magro(a). Mas, se apenas uma pessoa diz “- Engordou?”, a tendência é nos concentrarmos na fala dessa única pessoa que foi indiferente. Por quê? Porque tendemos a esquecer o que é bom e nos concentrar nas críticas.

Que problema pode ser gerado a partir disso? Creio que a Ingratidão. Tornamo-nos ingratos ou tendemos a ser pessoas mais ingratas. Creio que as consequências acabam vindo. Acabamos por acreditar que todos estão contra nós; Acabamos amizades de anos, porque achamos que já não são mais nossos amigos; levamos em consideração uma falha do amigo, esquecendo as cinquenta vezes que ele esteve ao nosso lado nos apoiando.

Isso, muitas vezes, não é diferente do nosso posicionamento com o próprio Deus. Basta parecer que Deus não está nos ouvindo ou basta vermos alguém que se diz “de Deus” falhar, que pomos a culpa em Deus. Nada do que foi feito importa mais. Não importa o acolhimento que tivemos das pessoas que Deus usou. Não importa o amparo. Não importa o tempo dispensado e as visitas realizadas. Tornamo-nos tão arrogantes e ingratos que a tendência é se afastar, sem ao menos dar uma satisfação, tanto para Deus como para as pessoas. “O problema está no outro” é o que pensamos e, em nenhum momento, reconhecemos que o problema também está em nós.

Antes, eu costumava olhar para as pessoas como vasos de vidro e que, ao falharem comigo, eu simplesmente as quebrava e as jogava no lixo, afinal um vaso quebrado não serve mais para nada. Hoje costumo fazer um exercício que me ajuda muito na forma de ver as pessoas. Vejo-as como vasos quebrados, porém remontados e colados com cola maluca. Isso me lembra: elas não são perfeitas e nem eu. Isso tem me ajudado a revelar mais e me lembrado a ser grato, mesmo elas sendo imperfeitas. Meu exercício hoje é trazer a memória quem Deus é e o sacrifício de Jesus e dizer como o amigo Jeremias:

Eu lembro da minha tristeza e solidão, das amarguras e dos
sofrimentos. Penso sempre nisso e fico abatido. Mas a esperança
volta quando penso no seguinte: O amor do Senhor Deus não se
acaba, e a sua bondade não tem fim. Esse amor e essa bondade são
novos todas as manhãs; e como é grande a fidelidade do Senhor!
Deus é tudo o que tenho; por isso, confio nele. (Jeremias 3: 19-24)

Procurarei também colocar em prática aquilo que me traz esperança com relação às pessoas. Somos falhos, mas não podemos deixar que uma situação seja motivo para nos afastar ou, simplesmente, apagar tantos meses e anos investidos na amizade .

Recomendado para você