Cotidiano e Fé

Que não seja inútil sonhar

Recentemente acordei com a lembrança de um sonho: Estava na minha cidade natal quando me deparei por acaso com um amigo, não um amigo entre aspas, mas um amigo de coração. Ao vê-lo lhe dei um abraço e disse “como é bom estar em um local onde sei que posso encontrar um amigo de verdade a qualquer momento”. Fiquei com esse sonho na mente e prontamente
entrei em contato com ele agradendo pela sua amizade. Sonhos que nos move a agir.  O que escrevo hoje não é sobre amizade, mas sobre a nossa capacidade de sonhar.

Diante de tantos problemas que enfrentamos pessoalmente, relacionalmente ou socialmente, essa capacidade de sonhar com algo melhor, sendo um atuante na realização desse sonho, parece estar sendo colocado cada vez mais de lado, negligenciado, desvalorizado e até certo ponto tida como infantil ou coisa de românticos bobos, “deixem que as crianças sonhem” alguns dizem, “deixem que os apaixonados sonhem” dizem outros “nós, os racionais, precisamos seguir com aquilo que os olhos veem”.

O povo de Deus antigamente sonhava com suas promessas, com sua libertação, como o dia em que teriam sua terra e que seriam de fato um povo, uma nação. Sem esse sonho que os impulsionou para frente e encheram seus corações de esperança eles não teriam chegado lá. Esta capacidade de sonhar continuou fazendo parte da caminhada desse povo: José (Gn 37), Jeremias (Jr 23:28), Isaias (Is 55:8), Esdras (Ed 7:28), Neemias (Ne 8:10), etc, sonharam os sonhos de Deus e foram parte atuante de sua realização. Até a vinda do nosso Libertador, o messias prometido, foi anunciado através de um sonho (Mt 1: 20-21).

Como andam seus sonhos? O que Deus tem falado com você? O que tem queimado o seu coração? Particularmente tenho sonhado com uma Fortaleza melhor. Meu sonho não é sair dessa cidade cada vez mais insegura e perdida na sua gestão pública, tenho sonhado com a capacidade de ser um agente de mudança, a começar na minha casa com meus filhos, depois saindo como embaixador do Reino de Deus levando esperança, dignidade, restauração e salvação em Jesus. Para glória de Deus tenho atuado na realização desse sonho, eu e minha família.

Gostaria de encerrar essa nossa conversa com uma parte do discurso de Martin Luther King (28/08/1963), nascido em 15 de Janeiro de 1929, pastor batista, cofundador da Conferência da Liderança Cristã do Sul (SCLC), Premio Nobel da Paz (1963) e um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos. Segue:

“Eu tenho um sonho que um dia essa nação levantar-se- á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: “Consideramos essas verdades como auto-evidentes que todos os homens são
criados iguais.”

Eu tenho um sonho que um dia, nas montanhas rubras da Geórgia, os filhos dos descendentes de escravos e os filhos dos descendentes de donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.

Eu tenho um sonho que um dia mesmo o estado do Mississippi, um estado desértico sufocado pelo calor da injustiça, e sufocado pelo calor da opressão, será transformado num oásis de
liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho que meus quatro pequenos filhos um dia viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje.

E se a América quiser ser uma grande nação, isso tem que se tornar realidade”.

 

E se tornou.

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