Cotidiano e Fé

Oração: prelúdio do milagre

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Ano novo, promessas renovadas, planos fresquinhos, verdejantes, viçosos. O carnaval passou e então, finalmente, o ano começou!

Cada mês do calendário tem seu próprio encanto e movimento. Janeiro é mês de férias; fevereiro, carnaval; e março entra com força total, pois do primeiro ao último dia, o tema que figura é Mulher.

Antes do dia 8, Dia Internacional da Mulher, há outra data comemorativa que é celebrada na primeira sexta feira de março, o Dia Mundial de Oração. O mês é dedicado às mulheres, e o Dia Mundial da Oração nasceu no coração de um grupo de mulheres cristãs estadunidenses e canadenses no final do século XIX.

Estas, diante dos desafios postos, reconheceram que precisavam de reforços. E para tanto, de pitada em pitada do fermento de cooperação e ajuda mútua, tornaram-se gigantes na força e envergadura, ao de joelhos se posicionarem buscando socorro do Alto para dar suporte, braço, ombro, acolhimento e suprimento aos necessitados e carentes. Pois a defesa das mulheres e crianças era um dos principais objetivos desse movimento. Hoje, essa data é comemorada em mais de 170 países.

Falar de mulher e oração, dessa mistura explosiva, enche-me de alegria, pois eu sou fruto dessa bendita parceria. Compartilhar com outras mulheres alegrias e tristezas, temores e incertezas, dúvidas, perdas, conquistas, vitórias, sonhos restaurados tem sido terapêutico e curador para mim. Uma verdadeira oficina de pequenos grandes milagres. Se algo me inquieta, e percebo minha alma começar a se agitar em mim, de imediato aciono amigas fieis e dispostas a por mim, e comigo, orar. E não demora muito, o cenário muda. As circunstâncias podem até permanecerem as mesmas. Mas o inquietava, bate em retirada.

Orar, o quê é então? Será algo reservado só aos iluminados e iluminadas? Claro que não!!! Orar é conversar, é rasgar o coração e desnudar a alma diante dAquele que já sabe de tudo, e mesmo assim pergunta: “ – O quê é que você quer que eu lhe faça?” Pergunta dirigida ao cego, ao coxo, ao leproso, situações do tipo “tá na cara”, óbvio. Mesmo assim o diálogo era, e continua sendo, prelúdio do milagre.

Quando você se vê em um aperto, daqueles que não consegue vislumbrar saída, e suspira um “ai, meu Deus, me ajude!”, e vai procurar alguém que por você interceda, pois acha que sua oração não passa do teto; eu quero dizer a você, caro leitor, cara leitora, que até os discípulos de Jesus, em determinado momento reconheceram que precisavam de direcionamento. Então, eles criaram coragem e ao mestre pediram:  “Ensina-nos a orar!” Este evento está registrado em dois evangelhos: Mateus, capítulo 6, versos de 9 à 14; Lucas, capítulo 11, versos de 1 à 4. É a oração do Pai Nosso, que é recitada por cristãos em todo mundo.

É na oração do Pai Nosso que está o segredo da oração que passa do teto e produz efeitos que estão além do que foi pedido ou imaginado. Como assim? Se orar é conversar, é sentir-se seguro, acolhido e à vontade para desnudar a alma, escancarar o coração e a boca, isso requer conhecimento e relacionamento. Conhecer a Deus, seu caráter e atributos, nos dá a segurança que precisamos. A certeza de que seremos ouvidos.

Ele não muda. É o mesmo ontem, hoje e sempre. Escute: “- O que é que você quer que eu lhe faça?” Então, abra a boca e fale, sem melindre nem palavras ensaiadas. Algumas vezes a única palavra que saiu de minha boca foi: “Socorro!” Ele ouviu muito mais do que eu disse. O socorro chegou e sua graça me surpreendeu, seu amor me consolou, sua fidelidade firmou meus passos.

Se depois de todo esse arrazoado você ainda não se convenceu de que orar é para qualquer um que de Deus quiser se aproximar, que orar não é difícil, pois sua mente fica apinhada de pensamentos ricocheteando no juízo, um tremendo barulho, muito ruído, dou-lhe outra sugestão: escreva. Sim, escreva cartas para Deus.

De fevereiro do ano passado até hoje, escrevi cerca de trezentas páginas em meus quatro diários de oração. Falo de tudo, e do jeito que vem da minha mente fica registrado no papel. Garanto a você que Ele lê, e responde! Pois nesses últimos dias, folheando meus cadernos, às margens das linhas, tenho edificado memoriais de gratidão Àquele que tem sido assíduo na leitura de nossa correspondência, e que no momento propício tem me surpreendido com seu amor fiel.

Quando as palavras me faltam, eu oro com as dele. “Ó, Senhor, por favor, olhe para mim com olhos de compaixão e misericórdia, como tem feito desde a antiguidade. (…) O peso que há no meu coração fica maior a cada dia; por favor, livre-me dele. Tire-me das situações difíceis em que me encontro.” (Salmo 25: 6,17)

Consolo minha alma com as promessas dele. E eu tenho experimentado pequenos grandes milagres de consolo e superação. E uma das minhas passagens favoritas está registrada no salmo 63:5: “ O Senhor dará à minha alma muito mais do que ela precisa, e eu o louvarei com palavras jubilosas.”

Então, se você se encontra em alguma situação na qual não consegue ver saída, não hesite, peça ajuda, clame, e certamente você dirá como o salmista:

“Clamei em alta voz ao Senhor, e ele me respondeu do seu santo lugar. Por isso posso me deitar e dormir em paz. Quando acordo, me sinto seguro porque o Senhor cuida de mim.” ( Salmo 3:4-5)