Cotidiano e Fé

Órfãos de uma guerra urbana

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Sempre quando falamos sobre guerra apontamos para o número de mortos. Por exemplo: Na segunda grande guerra, estima-se que cerca de 36,5 milhões de europeus morreram, entre 1939 e 1945. Os números são assombrosos. Conflito algum registrado pela história matou tanta gente em tão pouco tempo. Mas a guerra produz outro número, também assombroso,
que são os órfãos. Na Tchecoslováquia libertada havia 49 mil pequenos órfãos; na Holanda, 60 mil; na Polônia estima-se que o número de órfãos estivesse em torno de 200 mil; na Iugoslávia, talvez 300 mil.

A palavra órfão vem do grego, orphanos cujo sentido é “destituído”. Corresponde ao vocábulo hebraico yathom, que significa “solitário”, “sem pai”. Adaptando esse conceito de órfão ao front urbano, trata-se de menor de idade que perdeu pai ou mãe mediante morte violenta.

No estado do Ceará, segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública, no período de 2004 a 2017, 42.057 pessoas foram assassinadas. Esse número é muito próximo dos 58 mil soldados americanos que morreram na guerra do Vietnã. Isso levando em conta que naquela guerra eram usados morteiros, armas longas, tanques, aviões e helicópteros de guerra, armas e equipamentos que tem mais poder destrutivo do que as usadas nos assassinatos no estado do Ceará. Isso faz com que a nossa guerra urbana tenha mais ferocidade.

 

Apesar da frieza algoritmia da expressiva quantidade de mortos não se trata apenas de números, mas de pessoas assassinadas de forma violenta em um território formalmente pacífico. Um tragédia humana de fazer inveja a Sófocles. Perdidos nesses números de guerra estimamos que milhares de crianças ficaram órfãos nos últimos 13 anos, vítimas direta dessa violência. São números que mostram a face oculta dessa guerra urbana em um Estado que não evita as mortes e nem cuida dos vivos.

O trecho de Tiago 1:27 assevera que para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é está: Ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo. Diante dessa afirmação bíblica, nós, como templo do Espírito Santo, temos o dever cristão de entrar nesse front como verdadeiros soldados de Cristo, socorrendo e amparando essas pessoas órfãos e liga-las ao corpo de Cristo na Terra, a sua igreja verdadeira.