Cotidiano e Fé

Falando com meu copo

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“Satisfaze-nos pela manhã com o teu amor leal, e todos os nossos dias cantaremos felizes. Dá-nos alegria pelo tempo que nos afligiste, pelos anos em que tanto sofremos” (Salmos 90:14,15, NVI)

Felicidade. Alegria. Realização. Satisfação interior. Essas são palavras que apontam para o alvo da vida humana. Sendo assim, gostaríamos de propor a ilustração do copo para nos ajudar a verificar o nível do nosso “Felicidômetro”. Por isso, falemos com o nosso copo! A pausa para a autorreflexão diária é fundamental para que estejamos conscientes das causas da felicidade ou da infelicidade, da satisfação e/ou da insatisfação, da alegria e/ou da tristeza, enfim, da vida com ou sem sentido. Pensemos sobre a limpeza, o preenchimento e a integridade do copo que representa a vida de cada um de nós.

O copo pode estar limpo ou sujo. Limpeza ou sujeira de um copo depende da disciplina que deve ser desenvolvida numa cozinha para não acumular louça suja. Costumeiramente, diante do nosso dia-a-dia corrido, durante as refeições do dia, vamos usando todos os copos do armário com preguiça de lavar o que estamos usando. Isso porque é melhor pegar outro do que lavar o que sujamos. É mais fácil e prático. Da mesma forma, reflitamos: algumas áreas de nossa vida podem nos levar à insatisfação pois o copo pode estar sujo. Estamos sofrendo a colheita de erros passados que nos tiram a paz. O que fazer? Pegar outro copo? Desfocar a atenção sublimando nossos problemas? Não. Paremos para olhar a “louça suja” do nosso cotidiano para limpar o copo! A quem precisamos pedir perdão? O que precisa ser reparado? Lembremos que limpeza trás leveza, cheiro bom, sensação gostosa de tudo organizado. Assim é na vida também.

O copo pode estar trincado ou inteiro. Quase sempre durante a lavagem da louça um copo se quebra. Uma leve trinca nem sempre inutiliza o copo, mas algumas quebraduras podem inutilizá-lo para sempre. Assim, somos nós. Durante a trajetória de vida somos acometidos de várias situações que trazem ranhuras e quebraduras em nossas emoções.

No entanto, o copo quebrado só pode ser refeito se passar pelo processo de reciclagem do vidro. Nesse, o copo quebrado é colocado em alta temperatura. Tal situação desfaz a estrutura do vidro, possibilitando que seja remoldado e feito de novo. Assim, o antigo copo quebrado torna-se um copo inteiro. Diante disso, quando o amor leal de Deus intervém em nossos momentos de dor, somos derretidos e feitos de novo. No entanto, em muitas vezes, o fogo da dor vem antes da brisa do amor que traz o consolo.

O copo pode estar vazio ou cheio. No entanto, o copo estando pela metade pode ser visto como quase vazio ou quase cheio. Depende dos olhos que o enxergam.
Assim, cada situação da vida que enfrentamos diariamente pode ser vista pelo otimismo ou pelo pessimismo. Por exemplo: o desemprego é visto pelo pessimista como uma tragédia econômica e familiar sem saída; já o otimista percebe a mesma realidade como possibilidade para mudanças, qualificação profissional e/ou melhores salários em outra empresa.

Do ponto de vista emocional, podemos ser copos vazios em busca de coisas e pessoas que nos preencham. Focamos na esposa/marido, familiares, chefe, amigos, colegas de trabalho como a água que pode encher o nosso copo existencial. Temos como alvo de vida a compra da casa e do carro próprios, a realização de viagens e a ascensão da carreira profissional, fazendo destas coisas o horizonte maior que nos levará ao equilíbrio financeiro. Mas ao final de tudo isso, continuamos sendo copos vazios!

Quando a traição, o desemprego, o problema financeiro e/ou a frustração profissional batem a nossa porta, não conseguimos administrá-los. A depressão, a síndrome do pânico e em alguns casos, até a tentativa de suicídio, são as válvulas de escape pois não conseguimos encher o copo. Na verdade, muitos “enchem o copo” de outra maneira: tornam-se alcoolistas com todos os desdobramentos de uma vida marcada pela adicção.

Qual seria a solução de preencher este copo de maneira verdadeira e que traga plenitude existencial? O texto citado em epígrafe traduz a nossa oração diária de busca logo pela manhã que evoca o amor leal que nos leva a cantar felizes e alegres em meio as contradições da vida diária. Assim, o copo estará cheio. Qualquer elogio, conquista, riqueza e/ou amor partilhado não será o preencher, mas o transbordar da realização interior. Em resumo, viver dependendo do outro para se sentir realizado é tornar-se escravo de um algoz que nunca pode ser aplacado em sua ira com boas ações. Só o amor leal de Deus pode nos fazer cantar a vida alegres e satisfeitos mesmo em meio às aflições que devem ser entendidas por nós “como caminho para a paz”.