Cotidiano e Fé

Cuide-se

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Há alguns dias, tive a oportunidade de ir a um treinamento sobre o combate e a prevenção contra o suicídio e ouvi algo lá que fez muito sentido até para o meu atual momento.

Registro com minhas próprias palavras o que foi dito: “Não queira sair ajudando todo mundo enquanto pode ser que quem precisa do cuidado agora é você mesmo.”

Há exatos 55 dias, estava em um acampamento com amigos e sofri um pequeno acidente enquanto pulava: quebrei por completo o quinto metatarso direito, ou seja, o dedo do lado do
“mindinho”. Sim, eu consegui essa proeza de quebrar um osso enquanto pulava.

O que aquela frase tem a ver com essa situação?

Primeiro: durante mais de quarenta dias em que estive com o pé quebrado percebi a importância de se permitir ser cuidado, desde o momento em que um amigo me levou para o hospital, até os acompanhamentos para ir fazer exames, pedir água, pedir comida e todas essas coisas em que meu pai e minha mãe foram sensacionais.

Segundo: nesses dias comecei a me martirizar porque eu não tinha vontade nenhuma de ligar para amigos e perguntar como eles estavam, se estava tudo bem, se precisavam de alguém
para ouvi-los. E isso me deixou mal, porque eu parecia estar indiferente a tudo que estava acontecendo a minha volta.

Por isso a frase, que citei logo no começo, fez todo sentido para mim. A frase me fez dizer para mim mesmo: – Ei, é hora de deixar de lado isso de querer sair ajudando todo mundo e começar a pensar no cuidado de que você precisa. Cuide de si mesmo, é o que importa no momento!

Parece um tanto egoísta, mas vi uma certa importância nisso tudo. Afinal, se eu não me cuidar
não poderei continuar cuidando.

Talvez hoje eu tornei os meus olhos mais atentos a pessoas que têm alguma dificuldade de locomoção como tive e ainda estou tendo durante esses dias. Comecei a chegar aos lugares e
ver como era difícil ver inclusão e acessibilidade por onde passamos e de como isso é de grande importância para a saúde física e mental do indivíduo.

Vivenciei as seguintes situações:
– Não pude ir a uma loja acima do andar térreo em um shopping para ver roupas masculinas porque, no local, só havia escadas.

– Quase cai certa vez porque as muletas deslizaram em um chão liso.

– Cheguei sempre com os braços doendo de tanto andar em locais com muitos degraus.

Mas ao mesmo tempo houve situações em que pude ver o quanto há pessoas disponíveis para ajudar e o quanto a gente precisa aprender a ‘abrir a boca’.

Houve uma vez em que pedi a um desconhecido para me ajudar a subir uma rampa que era longa demais.

 

Amigos me ajudaram a chegar a uma sala para fazer prova.
Recebi incentivo para participar de um congresso, mesmo com um pé engessado. Houve ajuda de quem foi comprar uma refeição por perceber que estava difícil para me
locomover.

E, por último, pude perceber como é possível começar uma conversa e conhecer pessoas novas a partir da explicação sobre como é andar de muletas ou como foi o acidente.

Você deve se perguntar o porquê de eu estar escrevendo sobre isso, mas uma coisa que aprendi foi que, enquanto as situações que vivenciarmos na vida não forem pensadas,
pontuadas e recebidas como aprendizado e enquanto apenas passarmos por uma situação sem termos aprendido algo com ela, então realmente não a teremos vivido.

Enfim, resumo essa experiência que ainda estou passando com as seguintes conclusões que aprendi como lições:

– Cuide-se de si mesmo! Aprenda a importância do autocuidado! Não viva essa experiência sozinho, pois, se não tiver pessoas para viver junto, você não a viverá de verdade.

– Aprenda a pontuar os aprendizados e as dificuldades. Quando as dificuldades passarem e você conseguir colocar o pé no chão, toda vez que pisar irá lembrar da superação, das pessoas
que estiveram ao seu lado e de ser grato pelas pequenas coisas da vida, como andar.

… agradeça em toda e qualquer circunstância, agradeça!
(1 TS 5:18)