Cotidiano e Fé

O tempo

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Há alguns anos tenho sido instigada a viajar acerca do conceito de tempo, a partir de uma disciplina do mestrado. Ao nos perguntamos sobre o que seria tempo, começamos por compreender que não existe uma definição precisa.

Tempo não pode ser apreendido! O tempo não é o que está no relógio, nos dias, meses e anos do nosso calendário. O tempo é algo imensurável e intocável. O que temos são maneiras de sincronizar os acontecimentos com a finalidade de não nos afastarmos de uma realidade imposta pela sociedade moderna. Se não tivéssemos esses elementos modernos (relógio, celular, despertador, calendário, etc) como faríamos para chegar no momento exato para começarmos nossa jornada diária? Esses elementos nos ajudam a viver em comunidade; entretanto, não sabemos dizer exatamente por que fazemos uso deles.

Temos a sensação de que sempre soubemos o que era o tempo. Não conseguimos nos lembrar que um dia fomos como nossas crianças e que precisamos de alguém para nos dizer que o “amanhã” não é qualquer dia do futuro e o “ontem” não corresponde a um dia qualquer do passado. Não nascemos entendendo o tempo, somos treinados culturalmente para fazer isso.

Biblicamente, O TEMPO só passa a ser cronometrado e referenciado a partir do pecado e da queda do homem, do momento em que o ser humano cometeu um deslize devido a sua vontade de ser como Deus; como podemos ver em Gênesis 3:5 “Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e VOCÊS SERÃO COMO DEUS, conhecedores do bem e do mal”. O tempo do homem no jardim do Éden era a eternidade; afinal não existe a necessidade de contabilizar tempo quando somos eternos.

No que tange ao tempo de Deus, conseguimos ter uma percepção da profundidade e grandiosidade do seu amor por nós quando nos deparamos com a sua materialização através do nascimento de Jesus. Deus se fez homem, mas isso não significa apenas que ele abdicou do céu; ele abriu mão da sua Glória. Quando Jesus nasceu, ele passou a agir e ser impactado pela urgência do tempo; ele precisava cumprir sua missão, e tinha um tempo cronometrado para isso. Ele abriu mão de uma eternidade com a qual não precisava se importar, muito menos correr para alcançar algum fim. Isso fez com que ele, enquanto homem, corresse contra o tempo para cumprir sua missão: preparar discípulos para fazerem discípulos que fazem discípulos.

Veja bem que desigual: Ele abriu mão da eternidade, veio pra terra ser corroído pela urgência do tempo para nos mostrar seu grandioso amor por nós. E nós não conseguimos, na maioria das vezes, abrir mão de uma horinha do nosso dia, para dedicar um momento para desfrutarmos da presença Dele, ou simplesmente não damos a chance de conhecermos um pouco mais sobre Ele.

Não esqueça que, o fato de Deus ter se feito homem para nos mostrar pessoalmente o seu amor foi tão importante que dividiu a cronologia da história. Na linha do tempo da História, existe um tempo anterior ao seu nascimento (antes de Cristo) e um posterior à sua volta para a Glória (depois de Cristo). E tem mais… Sabe o que nos espera? A vida eterna, uma onde não precisaremos nos preocupar em correr contra o tempo, o tempo todo; e a única coisa que precisamos fazer é reconhecer a soberania e o senhorio desse Deus-amor que foi, antes mesmo de ser; e que fez questão de criar a humanidade para com ela compartilhar todas as outras coisas que suas mãos foram capazes de concretizar.