Cotidiano e Fé

Dia dos namorados

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Sob a perspectiva de Gênesis, capítulos 1 e 2, quando Deus cria todas as coisas, Ele as considera boas, mas, ao criar o homem e a mulher, Ele classificou como “muito bom.” Percebeu que, apesar de o homem ter tudo, ainda lhe faltava algo. Aí sim, Ele cria a mulher com a proposta de ser companheira, auxiliadora idônea, alguém em quem se pode confiar. Finalmente um “casalzão” desses, bicho!

Então é porque esse lance do relacionamento, do amor, é muito bom mesmo, concorda?

Obviamente Adão e Eva não formavam um casal estilo comercial de margarina; ao contrário, eles tiveram que lidar com muitas questões, inclusive a expulsão do paraíso em que viviam, com acesso ao melhor de Deus, sem preocupações com gastos; Eva não tinha que se preocupar com as “amiguinhas” de Adão; Adão não tinha que enfrentar trânsito para pegar crianças na escola; não tinha que responder inúmeras mensagens no WhatsApp, enquanto Eva ficava de olho nas conversas, “stalqueando” as redes das ex-namoradas de Adão; os dois não tinham que fazer terapia de casais, quase enlouquecidos com a fatura do cartão de crédito…

Era bom mesmo, ou melhor, muito bom! Mas, pelo erro que cometeram, tiveram que enfrentar uma nova realidade, incluindo atos de violência, desespero, dor, privações, tudo na contramão dos contos de fadas.

Mas, uma coisa ficou marcada na vida desse casal: o amor.

Deus não deixou de amá-los, não deixou de olhar por eles ou de abençoá-los. Mas, eles tiveram que arcar com as consequências do erro e ter jogo de cintura para conduzir o relacionamento.

Amar é uma decisão. Você ama porque ama, independente dos benefícios que recebe. Ama com os defeitos, qualidades, de cabelo curto ou longo, até com a cabeça raspada, seja como for!

Simplesmente ama.

Algumas pessoas insistem em fantasiar o amor, achar que é necessário haver a pessoa perfeita, a cara-metade, a metade da laranja, da batata doce (que está em alta), do ovo cozido, seja lá o termo que considere adequado para indicar sua metade, embora eu ache que ninguém tem que vir metade; creio que tem que vir inteiro, pronto para viver momentos bons e outros, nem tanto. Mas, tudo isso é válido, estando presente, chegando junto, compartilhando.

Se for para pedir arrego no primeiro momento, é melhor nem começar uma história. Não namore, não case com ninguém se você não está disposto a assumir esse capítulo de uma série especial, melhor que as da Netflix.

Deixe a pessoa em paz, livre! Não a aprisione emocionalmente! Quando não se tem a intenção correta, priva-se o outro de viver o amor na essência, na completude de aprendizado, amizade, e isso estimula a codependência. Daí tantos traumas pós-relacionamentos.

Se você, porém, deseja estar com a pessoa, “se jogue”, tenha atitudes e não só poste nas redes sociais, fingindo que vive um “paraíso” no seu relacionamento.

Conversar é importante e também incentivar os hábitos saudáveis; não só em relação ao exercício e alimentação, mas outros hábitos como bom papo, ações que envolvam trabalhos voluntários, leitura, saber ouvir, dividir tarefas domésticas, até dividir a conta no restaurante vale, afinal a parceria é fundamental.

E quando “quebrar o pau” seja humilde para reconhecer e pedir perdão. E se você foi o ofendido, lembre-se que é melhor estar em paz do que estar “certo” em algumas situações.

Não abra a premissa para indiferença, traição, compulsão, porque, nesses casos, a mágoa impera, o sentimento morre e todos pagam um preço muito alto.

Quem escreve aqui é uma mulher solteira, de 41 anos, que já teve namorado, mas acredita que é melhor estar só do que viver um relacionamento invasivo; acredita sim no amor, não das telas, nem fake, mas no amor-próprio, na identidade que, antes de tudo, vem de Deus e para Ele tudo tem um propósito e tempo determinado. É necessário acreditar e confiar!

Feliz Dia dos Namorados e que o “felizes” seja “agora e para sempre”

 

  • Aline Xavier