Dá pra viajar

Aventure-se em um intercâmbio voluntário

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Ama viajar, gosta de ajudar pessoas e quer viver uma experiência completamente nova e desafiadora? Um intercâmbio voluntário pode ser uma ótima opção para você! Mergulhar em uma cultura diferente e desenvolver competências pessoas enquanto se dedica em um causa social: é disso que estamos falando. O fato é que, quando nos doamos em favor de uma causa, não apenas estamos contribuindo com melhorias em determinada comunidade, mas também trazemos na bagagem valores imateriais que essa troca nos proporciona.

Além de todas essas vantagens, o voluntariado também pode ser uma boa oportunidade de aprender ou melhorar seus conhecimentos em outro idioma e enriquecer o seu currículo, já que esse tipo de experiência é vista com bons olhos pelos recrutadores. Há diversas agências e ONGs que oferecem programas de intercâmbio voluntário que envolvem necessidades e habilidades diferentes como cuidar de crianças em situação precária ou buscar soluções para problemas ambientais, por exemplo. Também não faltam opções em países e cidades diferentes ao redor do mundo – alguns, inclusive, com lugares incríveis onde você poderá aproveitar para “turistar”.

Minha experiência – Preparativos

Eu sempre tive vontade de fazer um intercâmbio, mas para mim era algo muito distante, achava que era muito caro e inviável para quem não tem muito dinheiro. Talvez você pense a mesma coisa, então vou relatar um pouco a minha experiência o e quem sabe você não muda de ideia assim como eu? Para começar, meu intercâmbio não foi algo planejado previamente. Aconteceu que uma colega da época de colégio postou um story no Instagram com uma promoção de black friday (novembro de 2018) da AISEC com um precinho incrível (taxa de R$ 500) e eu, como quem não quer nada, perguntei como funcionava, vi que dava no meu orçamento e dei início ao processo.

O primeiro passo foi entender o que é a AIESEC, um dos maiores movimentos de liderança jovem do mundo. “Acreditamos em liderança como a solução fundamental para os problemas do mundo e confiamos na juventude para liderar essa mudança. Através de intercâmbios, proporcionamos oportunidades para jovens explorarem seu potencial de liderança em ambientes desafiadores e multiculturais!” – informação do site oficial. Dentro desta perspectiva, há três tipos de intercâmbio: Voluntário Global, Empreendedor Global e Talento Global.

Eu escolhi o Voluntário Global, que é uma experiência voluntária em ONGs, Escolas ou Fundações em diversos países. Todos os projetos são vinculados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas e possuem grande potencial de impacto no mundo. Os projetos têm duração de 6 a 8 semanas e ter entre 18 e 30 anos é o único requisito para deixar sua marca no mundo. No site, são ofertadas diversas oportunidades em áreas de atividade e países diferentes. Meu primeiro passo foi escolher o lugar, apesar de também ter interesse na Colômbia e no México, a Argentina foi o país que considerei mais acessível. Tanto pela distância, como pelos valores das passagens e custo de vida no país.

Com um lugar pré-definido, pesquisei por alguns dias o projeto ideal para mim. Até que achei um que fez brilhar os meus olhos: ONG para crianças, trabalhar com comunicação (minha area de formação e atuação), em La Plata (70 km da capital Buenos Aires) e no primeiro semestre de 2019. Com a ajuda e orientação da minha colega e membro da AIESEC, me candidatei a vaga, fui aceita e iniciei os preparativos para a viagem. Aproveitei o período de black friday e, dias depois de fechar o intercâmbio, encontrei minhas passagens Fortaleza/Buenos Aires por R$ 816 ida e volta. Surreal, né?

Então, tive três meses para me preparar e não pensava/falava em outra coisa. Pesquisei tudo sobre o lugar que eu iria, já comecei a fazer roteiros de viagens, vi o clima no período que eu iria, conversei com outras pessoas que passaram pela experiência e mergulhei no intercâmbio antes mesmo de chegar lá. E não, eu não sabia nada de espanhol, e claro que não conseguiria aprender a falar fluentemente em tão pouco tempo. Mas eu me esforcei como pude para viajar com, pelo menos, o básico. Baixei um aplicativo de idiomas (Mosalingua Espanhol), mudei o idioma do celular e passei a escutar músicas e ver séries/filmes em espanhol diariamente.

Recapitulado: ONG OK, passagem OK, idioma local “OK”, e hospedagem? Isso fica por conta da AISEC (está incluso na taxa que paguei e citei no início do texto) e eu não precisei me preocupar financeiramente com isso. Geralmente, os intercambistas são recebidos por uma “host family” e isso é muito importante para a experiência, já que assim você interage e vive realmente como uma pessoa local. Outro ponto importante é o Seguro Viagem, item obrigatório para todos os intercambistas, eu contratei o meu pela Seguros Promo com um bom preço (cerca de R$400 para os 45 dias). Faltando uma semana para viagem, tive um encontro preparatório presencial com a equipe da AISEC Fortaleza para alinhar as expectativas e depois foi só arrumar as malas e partir.

Partiu Argentina

Até que finalmente chegou o dia de viajar. Era minha primeira viagem internacional e a primeira viagem sozinha, então a ansiedade estava a mil e eu não via a hora de carimbar meu passaporte pela primeira vez. Foi tudo tranquilo e eu já fiz minhas primeiras coleguinhas já no aeroporto de Fortaleza (então esquece essa de viajar sozinho e ficar solitário, não é assim!). Cheguei no aeroporto EZEIZA de Buenos Aires e depois fui de trem a La Plata de trem, conforme me recomendaram (opção mais barata e rápida, cerca de uma hora a partir do centro). Chegando lá tinha um rapaz da AISEC me esperando, ele me levou até a casa que fiquei durante os 45 dias e me deu as boas vindas a cidade.

Leia também: A dor e a delícia de viajar sozinho

A casa da minha host family era simples e ficava um pouco afastada do centro da cidade. Nota importante: nada de esperar luxo ou mordomias! Como já fui consciente que seria uma experiência desafiadora e  fora da minha zona de conforto, afinal era um intercâmbio voluntário, foi mais fácil pra mim. Nos primeiros dias, dividi a casa com alguns brasileiros que me ajudaram a me situar na rotina local da cidade, me falaram como funcionava os transportes públicos, os melhores lugares para sair, entre outras dicas de sobrevivência.

Cheguei na Argentina no sábado e na segunda-feira tive uma reunião preparatória com a equipe da AISEC de La Plata. Entre uma informação e outra, me passaram que a ONG que me candidatei tinha encerrado suas atividades algumas semanas antes de eu chegar e que eu iria trabalhar em outro projeto, em uma biblioteca. Imprevistos acontecem, não é mesmo? E esse foi só o começo dos desafios que eu iria enfrentar durante as 4 semanas de experiência. Mas tudo bem, era isso mesmo que eu queria: ser desafiada, sair da minha zona de conforto e crescer em meio as adversidades.

No meu primeiro dia de trabalho, fui apresentada ao Teatro Biblioteca UNLP e orientada sobre as atividades que faria durante a experiência. Meu papel era atualizar os livros em novo sistema para que a comunidade tivesse acesso aos livros do catálogo por meio de empréstimos. Era um trabalho metódico, mas que se tornava agradável pelos livros incríveis em espanhol que eu folheava e lia algumas páginas para praticar a leitura do novo idioma. Fora isso, as pessoas que trabalhavam lá eram extremamente amorosas e acolhedoras! Eu bebia café quentinho todos os dias com “farturitas”, uns pãezinhos doces incrivelmente gostosos. Meu horário era de 9h30 às 13h30, de segunda a sexta-feira, e, após o trabalho, eu tinha direito a um almoço maravilhoso do qual tenho muita saudade.

Fora as atividades no projeto social, nós, intercambistas, também tínhamos um encontro marcado todas as quintas com os voluntários da AISEC local. A “trainee meeting” é um momento de socializar, conversar sobre como está sendo a experiência e exercitar nossa cidadania e percepção pessoal por meio de dinâmicas. Eu amava, principalmente porque sempre tinha um “after” em algum barzinho e era um momento incrível pra conversar em espanhol, entender mais a cultura local e criar laços com intercambistas e voluntários locais. Saudades!

Turistando

No tempo livre, além de poder viver como uma pessoa local, andar pelas ruas, pegar ônibus e fazer compras no mercado, é possível “turistar” e muito. Conheci lugares incríveis em La Plata, a cidade das diagonais, como a República de Los Niños, Museu de Ciências Naturais, Planetário e os inúmeros prédios de arquitetura incrível e praças agradabilíssimas. Todos os fins de semana eu dava um pulinho em Buenos Aires e consegui conhecer todos os principais pontos turísticos aos poucos. Caminhei pelo centro, tirei fotos no Obelisco, Teatro Cólon, Casa Rosada, fui ao Caminito, visitei os jardins e bares de Palermo, encarei o cemitério de Recoleta, tirei foto com a Mafalda no bairro se San Telmo, apostei alguns pesos no Casino, me encantei com o luxo de Puerto Madero e tirei um dia inteiro para visitar a cidade de Tigre, tudo sem pressa e utilizando transporte público.

Além disso, aproveitei para dar a segunda carimbada no passaporte com um pulinho de 4 dias no Uruguai. Depois de pesquisar muito, cheguei a conclusão que o melhor custo benefício para mim era ir de Buenos Aires a Montevideo de ônibus. E assim fui, na cara e na coragem sozinha. Confesso que a capital uruguaia não me encantou muito, mas Punta Del Este, minha segunda parada no país, fez a viagem valer a pena. Que lugar incrível! Tudo muito caro, importante informar, principalmente para comer, mas faz parte. É lá que está a Casapueblo, a antiga casa de verão do artista plástico e arquiteto uruguaio Carlos Páez Vilaró, atualmente uma cidadela-escultura que inclui um museu, uma galeria de arte e um hotel. Vi o pôr do sol mais lindo emocionante da minha vida. Indico fortemente!

Viagem por dentro

Eu conheci muitos lugares, muitas pessoas, arranhei no espanhol, comi muito doce de leite e empanada. Mas a viagem mais importante foi por dentro de mim mesma. Em todos esses 45 dias sozinha (aqui entende-se longe da minha família, amigos e costumes), eu aprendi muito sobre o mundo, principalmente sobre o mundo de anseios e expectativas existentes no meu interior. Eu tive medo, eu me senti solitária, eu me senti sem norte, eu me revirei pelo avesso. Eu alternei entre momentos de mulher empoderada e dona de mim e “pelo amor de Deus eu quero voltar pra minha casa”. Eu tive que encarar meu lado escuro, minhas feridas e as minhas incertezas. Eu tive que aprender a abstrair as partes ruins e aproveitar tudo de bom no novo mundo que eu estava conhecendo.

Eu aprendi que eu posso fazer o que eu quiser na minha própria companhia, ao mesmo tempo que senti gratidão por ter para onde voltar. Eu passei a valorizar mais a minha família, minha casa, meu quarto, minhas coisas, meus amigos e minha cidade. Eu confirmei que viajar é o que mais amo na vida e que conhecer o mundo é o que faz minha alma transbordar, mas que Fortaleza será sempre o o lugarzinho no mundo que eu vou querer voltar. Enquanto estava lá, sentia saudades de casa. Agora voltei, queria viver tudo de novo. Então, se você chegou até essa parte do texto e tem interesse de fazer um intercâmbio voluntário, possui o mínimo de disponibilidade de tempo e recursos (não precisa muito e, se você quiser mesmo, dará um jeitinho), eu te aconselho a se planejar e ir! Com certeza será uma experiência incrível!

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