Discografia

Cores diferentes

Desde que a bela morena carioca Nina Becker colocou sua voz mansa a serviço da Orquestra Imperial, já era de se esperar que viesse um trabalho solo. O que seria difícil de imaginar é que ele demoraria tanto. De lá pra cá, Nina fez algumas participações em discos de amigos como Romulo Fróes e 3 na Massa. Tamanha expectativa só veio ser resolvida agora, com a chegada de Azul e Vermelho, produção de Maurício Tagliari, Carlos Eduardo Miranda e da própria Nina, e a sensação que fica é que tal expectativa foi bem resolvida. O repertório ora delicado, ora sensual, deixa a cantora à vontade para expor diferentes facetas do seu canto. A mesma voz aguda e pequenininha se mostra quase maternal em Ela adora (Azul) e sensualmente quente em Lágrimas negras (Vermelho), de Jorge Mautner. E é aí onde reside as diferenças entre Azul e Vermelho, na sonoridade que permite diferentes interpretações. Enquanto no segundo o quarteto Do amor (que inclui Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes, respectivamente bateria e baixo da Banda Cê, de Caetano) oferece um som cheio, entre o rock e o jazz, em Azul existem silêncios, diferentes formações, incluindo uma faixa, Medo, onde Nina Becker vem se acompanha apenas do próprio violão. O clássico samba Não me diga adeus, por exemplo, perde toda a percussão e vira um pedido sofrido, quase implorando, para que seu bem não vá embora. Um ponto importante a respeito dos discos de Nina Becker é que, mesmo com tantos conceitos, ambos são simples e fáceis de pegar o ouvinte de primeira. Pelo menos duas faixas, Do avesso e Não tema poderiam estar na programação de qualquer rádio comercial e até mesmo na trilha da novela das oito. Ponto pra ela. Com o lançamento destes discos, Nina abriu a porta para que venham outros e ainda passou a bola para que Thalma de Freitas, sua parceira de Orquestra Imperial, lance seu terceiro trabalho. A nós, resta aguardar.

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