Discografia

DJ Zé Pedro comenta sua Joia Moderna

Conhecido nas TVs quando dividiu um programa de televisão com Adrane Galisteu, o DJ Zé Pedro é também um pesquisador e colecionador de discos. Entre suas centenas de títulos, o destaque fica para as vozes femininas do tão falado “País das Cantoras”. É pela voz delas que ele mais se encanta. Em prova a tanta adimiração, ele resolveu chutar pra longe quem diz que “as gravadoras morreram” e lançar seu próprio selo, dedicado às grandes vozes femininas brasileiras. Logo no lançamento da sua Joia Moderna, realizado no início deste ano, Zé Pedro apresentou quatro trabalhos que, só pela proposta, já merecem destaque: a paulistana Cida Moreira em voz e piano; a atriz e cantora Zezé Motta em tributo a Jards Macalé e Luiz Melodia; uma esquecida Silvia Maria, voltando a gravar depois de 20 anos; e um tributo ao uruguaio/ brasileiro Taiguara somente com cantoras como Fafá de Belém e Aretha Marcos. Já com novos projetos a caminho, a Joia Moderna é uma declaração de amor do Dj às cantoras que habitam suas pick ups.  Acompanhe abaixo a entrevista realizada por email com Zé Pedro.

DISCOGRAFIA – Em tempos onde tanto se fala em trabalhos independentes, por que fundar uma gravadora?

Zé Pedro – Para iluminar os cantos escuros da MPB, cantoras que precisarem de mim para voltarem ao mercado por falta de verba ou desânimo depois de tantas tentativas, podem contar com a Joia Moderna.

DISCOGRAFIA – Quando e como essa ideia lhe surgiu?

Zé Pedro – O produtor Thiago Marques Luiz que é meu amigo e também um incansável batalhador pela memória da música brasileira, me falou de dois discos que estavam sem chance de conseguir uma gravadora: Cida Moreira e a obra do Taiguara na voz de 14 intérpretes. Minha indignação me fez tomar coragem.

DISCOGRAFIA – A Joia Moderna abriu com uma série de trabalhos de cantoras veteranas. Esse vai ser um perfil que será seguido nos próximos trabalhos ou pode haver uma “flexibilização” para cantores e para a nova geração?

Zé Pedro – Sempre acho que uma nova cantora tem mais possibilidades de alcançar o mercado. Uma cantora que já tenha feito sucesso em alguma década e resolva voltar a gravar é muito mais difícil. Mas nosso próximo pacote da Joia Moderna já terá algumas cantoras mais novas.

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DISCOGRAFIA – Que vantagem você vê hoje em se ter uma gravadora por trás de um trabalho?

Zé Pedro – O disco ainda é o passaporte para o artista conseguir fazer show e ter mídia. Os novos paulistas, por exemplo, que chegaram com força total no ano passado, conseguiram espaço através de seus álbuns lançados de forma independente ou por uma gravadora. O disco ainda é fundamental para quem vive de música no Brasil.

DISCOGRAFIA – O que você pretende oferecer de diferencial às artistas que trabalham com a Jóia Moderna?

Zé Pedro – Eu digo sempre para as cantoras que não sou casado com elas, sou apenas um amante profissional (rsrsrrss). Me comprometo a produzir o disco, fabricar mil cópias e depois o fonograma é delas. Ao final dessa tiragem elas podem negociar com outras gravadoras ou fazer novas cópias de forma independente. São muitas cantoras que precisam voltar ao mercado, não posso trabalhar somente com uma ou duas.

DISCOGRAFIA – A música, você falando enquanto gravadora, é um negócio lucrativo?

Zé Pedro – Lucro zero, mas sou um apaixonado pela música brasileira. São essas cantoras que fazem a história da minha vida em todos os sentidos. Talvez eu seja o ultimo romântico.

DISCOGRAFIA – Qual o maior problema do Brasil hoje em relação aos direitos autorais?

Zé Pedro – A chegada da internet no mundo confundiu tudo no bom e no mau sentido. Muitos anos ainda vão se passar até todos concordarem com uma nova forma de comercialização de música. Enquanto eles se batem, eu tomo uma atitude em relação ao imediato: o disco em estado físico ainda interessa ao consumidor, então vamos continuar produzindo.

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DISCOGRAFIA – Queria que você falasse sobre esses quatro primeiros trabalhos da gravadora.

Zé Pedro – Foram quatro projetos muito diferentes e apaixonantes de terem sido feitos. Cida Moreira num disco de voz e piano misturando Amy Winehouse e Chico Buarque; Zezé Motta interpretando a obra de Jards Macalé e Luis Melodia, seus dois grandes parceiros musicais nos anos 70; A cantora Silvia Maria que estava há 30 anos sem gravar e entrar num palco e que deu um show de vitalidade e inteligência no estúdio; e as 14 mulheres interpretando a obra do compositor Taiguara, um homem importante que o Brasil esqueceu e que volta agora nas vozes de Fafá de Belém, Claudette Soares, Teresa Cristina e Fernanda Porto entre outras.

DISCOGRAFIA – Quais os próximos lançamentos da sua gravadora?

Zé Pedro – Estamos finalizando os próximos 4 projetos: o relançamento do álbum Wanderlea Maravilhosa com um livro especial com imagens e depoimentos da época; Alaíde Costa e Fátima Guedes ao Vivo; a cantora Marya Bravo cantando a obra de seu pai Zé Rodrix e também o relançamento do álbum Alvoroço, de Leny Andrade gravado em 1973.