Discografia

A carta que não foi mandada

Tal qual dito por aqui, no sábado passado (7) o Kool And The Gang encerrou sua turnê brasileira com um show em Fortaleza. Infelizmente, eu não pudi assistir. Na ocasião, tentamos uma entrevista com a banda. Por conta da rotina de viagens, eles pediram que mandássemos as perguntas email. O pedido foi aceito, mas, infelizmente, as respostas só chegaram depois do nosso fechamento. Sem problemas, segue agora a integra com os integrantes do KATG, todos devidamente indicados na resposta.

DISCOGRAFIA – Vocês vão encerrar a turnê brasileira por Fortaleza. Como foram os shows no Brasil?

Kool – Maravilhosos. A primeira vez que viemos foi em 2008 e só tocamos no Rio e em São Paulo. Dessa vez foram seis cidades, a ultima será Fortaleza, e vamos fechar com chave de ouro aqui.

DISCOGRAFIA – Esta não é a primeira vez que vocês vêm a Fortaleza. Que lembranças vocês tem da cidade? Conseguiram conhecer algo da cidade?

Kool – Não, essa é a nossa primeira vez aqui. JT, o primeiro vocalista da banda já esteve aqui uma vez, mas ele não está mais com a banda, então essa é nossa primeira vez aqui.

DISCOGRAFIA – Entre as pessoas que colaboram com o Kool and the Gang está o brasileiro Eumir Deodato. Como vocês o conheceram? O que ele trouxe para o som da banda?

Kool – Conhecemos ele através do som, no estúdio, fazendo Ladies night. E todos estavam felizes trabalhando juntos. Foi uma grande colaboração. Somos uma banda de funk e jazz e a necessidade de ter um líder na banda, isso foi ideia de Eumir. Trabalhar com um líder na banda, essa foi a maior contribuição.

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DISCOGRAFIA – O que vocês conhecem da música brasileira?

Kool – Sérgio Mendes, Eumir Deodato, claro, as músicas do Brasil 66, Garota de Ipanema, entre outros da MPB e tal.

DISCOGRAFIA – Queria que você falasse sobre esta nova turnê. Quem é a banda que acompanha vocês no palco? Como é a seleção de repertório?

Kool – A original era nós quatro – eu, Robert Kool, George Brown, Dennis Thomas – e meu irmão, Ronald Bell. Clifford está há quase 30 anos conosco. Larry há cerca de 25 anos, assim como Amir. Curtis há 18 anos, Shawn há 15 anos e Tim há 10 anos. Lavell é o bebê da banda, está conosco há 5 anos. Isso nos dá essa sinergia toda. Somos como uma banda de quatro pessoas novamente. E com nossos líderes cantores. Eles têm muita energia e isso nos ajuda muito!

DISCOGRAFIA – Vocês começaram a carreira como um grupo de jazz e depois se tornaram referências na disco, funky e r&b. Queria saber quem são os mestres de vocês nesses estilos. Em quem vocês se inspiraram para criar o KATG?

George Brown – John Coltrane, o pianista maravilhoso, Bill Evans, Sergio Racmaninof, Elvin Jones, baterista, Art Blake, Buddy Rich, Mccoy Tyner, Louis Bellson, Chick Web, Gene Krupa, Kenny Barry, pianista. E Miles Davis, Louis Armstrong, Sarah Vaughn, Gloria Lynn, Eumir Dedato. Tom Jobim. Milton Nascimento. Célia Cruz.

DISCOGRAFIA – Certamente, vocês também influenciaram um grande número de artistas que vieram depois de vocês. Queria saber se vocês reconhecem as influências de vocês em algum artista? E o que vocês acham do pop de hoje em dia? Destacam o trabalho de algum artista?

George Brown – Nós amamos toda a música pop de hoje. É muito artística. A música pop de hoje traz toda essa diferença de som e não só verso e refrão. Você pode fazer o que quiser com a música, isso nos dá muita mobilidade. Pode manter a música, ou usar toda a tecnologia a seu favor. É muito individual. Me deixa ficar livre para trabalhar. Kesha, Usher, a Kate Perry, é o que eles fazem. Por isso são tão bons.

DISCOGRAFIA – Mesmo já passadas algumas décadas, o som das discotecas (Donna Summer, Michael Jackson, Earth, wind and Fire, Kool and the gang, etc.) continua animando muitas festas pelo mundo. O que esse estilo tem de tão forte?

D. Thomas – É o ritmo, a composição, a maneira como as músicas foram feitas. Acordes e melodias, tudo isso nos ajudou muito. Foi uma coisa mágica, e a maior prova disso é que essa mágica ainda funciona.

DISCOGRAFIA – Além da música, vocês costumam se envolver em causas políticas e humanitárias, como foi a participação no Band Aid, em 1984. Você acha que a música pode mudar o mundo?

George Brown – A música sempre vem mudando o mundo. Se voltar 400 anos atrás, os compositores vêm entrando no mundo, e de toda parte do mundo inclusive. Não somente as músicas de sua região, mas músicas do mundo todo são ouvidas no mundo todo. E acabam juntando as pessoas. Tem ajudado a juntar as nações. É comida espiritual e remédio de toda uma vida.

DISCOGRAFIA – Vocês já estão partindo para os 50 anos de carreira. Como fazem para manter a animação no palco?

D. Thomas – A nossa banda, como dissemos, todos eles tem uma participação muito especial, eles nos dão essa energia. E o fato de saber que nossa música ainda hoje toca as pessoas de muitas gerações. Isso é uma injeção de ânimo!

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DISCOGRAFIA – O que é o melhor em ter uma carreira tão longa?

George Brown – É que isso é para a humanidade. Você é o que você pensa, você se torna o que pensa, na mente, no corpo. Se focar tão profundamente, ter a paixão pelo que faz, você se torna apto a continuar, a conhecer. O trabalho do artista é se doar. Somos doadores. Doamos nossas almas, nosso trabalho é a medicina da vida, é a música. Todos os seres merecem a música. Tudo merece música e tudo faz música. A natureza, os animais, a vida é música. Isso explica nossa longevidade.

DISCOGRAFIA – A música deixou vocês ricos?

George Brown – Yaeh, somos rico. Não o dinheiro, mas meu espírito e o amor pelo ser humano, e conhecer pessoas e lugares. Essa é a maior riqueza que a música podia nos oferecer. Sou mais sensível e isso se deve a música. Às vezes até me sinto culpado porque ganho dinheiro e quero ajudar várias entidades e às vezes preciso escolher entre elas.

DISCOGRAFIA – O que o público de Fortaleza pode esperar desse show?

D. Thomas – Podem esperar uma grande festa para encerrarmos nossa turnê no Brasil. Vamos festejar, “get down on it” a noite toda!!