Discografia

Para o mar

Elisa Parente (elisa@opovo.com.br)

O calor parecia anunciar uma noite de muita chuva. Mas quem viu o por do sol de sexta-feira queimar o céu em tons de laranja e vermelho sabia que podia esperar por algo diferente. E assim foi. Noite estrelada que levou cerca de 10 mil pessoas a conferir o show do músico havaiano Jack Johnson (fotos de Edimar Soares) nas quadras do Marina Park Hotel.
Quem começou os trabalhos foi G. Love, amigo e parceiro de Johnson que subiu ao palco às 22 horas. Acompanhado da dupla gaita e violão fez um show de 35 minutos regado a muito folk e blues. Ainda que desconhecido pelo público, G. Love fez todo mundo interagir repetindo o refrão “Peace, Love and Happiness”, atendido com energia pelas pessoas. “Obrigado Fortaleza, espero que vocês se divirtam hoje” e encerra a apresentação com a belíssima Rainbow, trilha sonora do filme Thicker Than Water, dirigido por Jack Johnson e The Malloys.
Plateia eufórica quando as luzes se apagam às 22h59. Jack Johnson sobe ao palco acompanhado do tecladista Zach Gill, do baixista Merlo e do baterista Adam Topol e abre um sorriso quando vê a multidão. “Oh man”, diz para Zach, impressionado com o público que veio lhe assistir. “Como vai?”, pergunta em português antes de tocar You and Your Heart, primeiro single de trabalho de To The Sea. If I Had Eyes, acompanhado pelo coro do público, vem em seguida.
O repertório do show foi um presente para os fãs cearenses. Jack tocou músicas de todos os seus discos: Brushfire Fairytales (Bubble Toes), On And On, disco que o lançou no país (Times Like These, Taylor, Rodeo Clowns), In Between Dreams, álbum que consolidou o sucesso de Jack por aqui (Better Together, Banana Pancakes, Good People, Belle), Sleep Through The Static (Hope, If I Had Eyes) e To The Sea (Pìctures of People Taking Pictures, Ar Or With Me). Um trechinho de Mas que nada, de Jorge Ben, também foi tocada.
Jack mostrou ser aquilo que os fãs já esperavam. Um cara tranquilo, muito simpático, sem estrelismos, de calça jeans e blusa surrada. Ainda assim, não deixava de se surpreender com o público que estava à sua frente. “Wow, so loud man” não cansava de dizer para Zach reconhecendo que os cearenses estavam ali para fazer barulho. Tímido, cantou de olhos fechados, sem encarar o público. Mas ninguém se importou. Muito menos quando, na metade do show, ele pede desculpa para uma saída rápida. “Isso é meio constrangedor, mas preciso tirar água do joelho”, fazendo todo mundo rir.
O clima era de luau na praia, que não combinou com o tratamento da assessoria de imprensa nacional com os repórteres e fotógrafos, estes escoltados até a saída do Marina após a terceira música do show. Durante 1h45min os fãs cearenses cantaram, pediram músicas, aplaudiram e fizeram bonito. “Desculpa pelo meu português, mas estou tentando. Estamos longe de casa e vocês nos fazem sentir à vontade”, disse Jack. Somente ao final do show ele vem à frente do palco e se despede jogando as palhetas pro público, que voltou pra casa satisfeito e com o coração cheio de felicidade.