Discografia

Vulcão psicodélico

Aos 77 anos, Serguei passa boa parte do seu dia postando dicas, conselhos e impressões pelo twitter. Sobre compras coletivas, ele diz: “acho meio careta isso. Prefiro surubas coletivas. Sorry!”. Sobre seu dia a dia: “Eu vi um siri muito louco na praia. Lembrava o Mick Jagger andando de lado. Aplaudi muito”. Sobre a natureza, ele aconselha: “Andem de bicicleta. Elas não soltam fumaça. Cada pedalada é um carinho na Mãe Natureza”. E sobre si mesmo: “Sou um vulcão de sensualidade que vive em erupção. Mas um vulcão do bem, que não atrapalha o vôo dos outros”. O quesito sexualidade, inclusive, é responsável por boa parte dos comentários.

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Ao que parece, a única coisa que faz o roqueiro sair do seu Templo do Rock – apelido da sua casa/museu na praia carioca de Saquarema – é um convite para subir ao palco. Como 77 anos de vida e mais de 40 de carreira, ele parece não cansar de fazer shows. Só este fim de semana, ele faz dois em Fortaleza como convidado da festa Rock in Rio Revival, no The Pub, e do festival Rock Até os Ossos, no Shopping Solidário Bom Mix. O repertório é tão lendário quanto o cantor de voz rouca e trejeitos elétricos. Vai de Beatles a Rolling Stones, passando por Steppenwolf, Queen e sua amada Janis Joplin.

Deitado no sofá de casa, após cuidar de grama do jardim, Serguei conversou com O POVO por telefone. “Eu canto música do mundo. Não existe esse negócio de cover. Não vou quebrar guitarra no palco, nem usar peruca Black Power como o Jimi Hendrix. Eu cantar e dar minha interpretação não tem nada a ver com cover”, explica ele adiantando que a primeira música será With a little help from my friends, composição de John Lennon e Paul McCartney recriada no festival de Woodstock por Joe Cocker.

Considerado por muito como uma enciclopédia do rock, Serguei até funciona como um conselheiro para artistas que querem seguir nesse ramo. Foi o caso do cantor Sylvinho (lembram?!) que decidiu tirar o Ursinho Blau Blau da sua vida para seguir carreira no heavy metal. A forma não poderia ser chocante. Subiu ao palco da Tenda Brasil, do Rock in Rio III (2001), na companhia de um imenso urso cor-de-rosa. À medida que a apresentação rolava, o convidado inusitado ia tirando a fantasia. Quem apareceu ao final? Serguei cantando Satisfaction, dos Rolling Stones, com direito a terminar o hino roqueiro montado no ombro de Sylvinho.

Foi com o mesmo interesse em defender o rock’n’roll com unhas e dentes que Serguei iniciou há três anos uma parceria com a banda Pandemonium, a mesma que o acompanha no show em Fortaleza. Formada por Alex Anjo (bateria), André Ribeiro (voz), Diego Brisse (guitarra) e Marcio “O Suíço” Baugartenh (baixo), eles se conheceram durante uma festa no Circo Voador (RJ) e logo surgiu o convite para um trabalho juntos que ficou registrado no disco Bom Selvagem (Blues Time). “Tocar e viajar com ele é muito engraçado. O cara não fuma, não bebe, só namora muito. No camarim, ele é o que pega mais gente”, ri Alex Anjo.

Pansexual assumido, Serguei não sente orgulho da sua fama de “namorador”. “Eu realmente sou um escravo do sexo. Em alguns momentos, até tenho que me conter um pouco”. E que momentos são esses? “Eu não faço sexo em véspera de show, que é pra não ficar cansado”. Mas, passado o trabalho, ele fica mais à vontade. Em seu museu, por exemplo, por onde 21.785 pessoas já assinaram o caderno de visitas, ele afirma que não cobra entrada, mas “se for gente muito bonita eu cobro um beijo da boca”.

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Se preparando para os últimos ensaios, Serguei confessa está ansioso para o show em Fortaleza e lembra com saudades quando esteve aqui em 2003 e o público comemorou seu aniversário durante a apresentação. “Eu até visitei aí um asilo de velhinhos. Cantei algumas coisas e eles gostaram demais. Todo mundo queria beijinhos e abraços. Quando fui embora, eles se levantaram e aplaudiram. Eu até chorei. Sou um cara muito sentimental”.