Discografia

Quarteto Brasil abre o Quarta da Cultura

Por Marcos Robério (marcosroberio99@opovo.com.br)

Valorizar cada instrumento na busca de construir um elo musical entre diversos ritmos bem brasileiros como a bossa nova, o samba e as influências nordestinas, além de uma pitada do jazz americano. O resultado é de uma sonoridade bem ritmada, daquelas que a gente escuta e fica marcando o compasso com o pé e dando uma leve batida no que estiver por perto. Esse é o efeito da mistura proposta pelos instrumentistas do Quarteto Brasil. O som, que apraz aos ouvidos mais exigentes e também aos que querem apenas se deixar levar pela boa música, poderá ser ouvido na noite de hoje (24), no Theatro José de Alencar, na abertura da 8ª edição da Quarta da Cultura.
 
O projeto é uma iniciativa do Instituto CDL de Cultura e Responsabilidade Social, que até novembro promoverá quatro apresentações gratuitas no Centro de Fortaleza. O Quarteto Brasil, que abre a série, vem se consolidando na cena instrumental brasileira, com apresentações que, por todo o País, são sucesso de público e crítica. Também pudera, o grupo é formado por músicos de currículo invejável, que transitam em meio à constelação da música brasileira.
            
Cristovão Bastos, pianista e compositor, é parceiro de grandes nomes da MPB. A bateria fica com Jurim Moreira, que participou de festivais de jazz na Europa e foi membro da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Bororó destaca-se principalmente no contrabaixo e é considerado um dos mais competentes instrumentistas brasileiros. E, completando o quarteto, tem Zé Canuto, tido por especialistas como um dos maiores saxofonistas do Brasil, também acompanhando grandes nomes da música brasileira.

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“É muito prazeroso estarmos juntos, é muito bom pra gente poder se reunir pra tocar”, diz Cristovão Bastos, explicando que mesmo com os vários projetos paralelos o grupo procura se manter sempre unido para dividir os palcos. Ele faz questão de esclarecer que o show não se trata de uma base jazzística com influências de ritmos nacionais, mas sim o contrário. “A gente improvisa muito, mas o fundo é bem brasileiro. Eventualmente você pode perceber alguma coisa de jazz, até porque faz parte da nossa formação, mas isso é mais uma influência, um sotaque”.
 
Formado há cerca de seis anos, o Quarteto Brasil é reconhecido e elogiado também no exterior. O primeiro álbum do grupo, intitulado Bossa Nova – Delicado foi lançado em 2007 apenas na Europa e por lá foi muito bem recebido. Na apresentação de amanhã, estarão músicas desse disco, como Entrada Real e Os Três Chorões, de autoria de Cristovão, Elo, de Bororó, e Juazeiro, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Cristovão Bastos adianta ainda que os músicos já estão fazendo reuniões para discutir a ideia do próximo álbum.
           
Tendo feito parcerias com nomes como Chico Buarque, Paulinho da Viola, Nana Caymmi e Edu Lobo, entre outros, Cristovão se orgulha de ter acompanhado de perto a própria evolução da música brasileira. “Tem um certo privilégio em trabalhar com pessoas tão ilustres. São todos absurdamente musicais”. 

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Sobre a música instrumental ter um público restrito e mais seleto, Cristóvão considera que isso está diretamente relacionado a uma resistência midiática, que muitas vezes, segundo ele, deixa o instrumental fora do conhecimento do grande público. Mas isso não chega a incomodá-lo: “A mídia faz o que ela quiser. Não podemos ficar na ilusão de música para o grande público”, salienta. “A gente faz uma música bem feita. De certa forma ela é mesmo sofisticada e a gente espera colocar a nossa competência pra satisfazer a quem vai assistir”, completa.           
 
8ª EDIÇÃO DA QUARTA DA CULTURA NO CENTRO
PROGRAMAÇÃO (apresentações gratuitas)

24/08, às 19hQuarteto Brasil, com show no Theatro José de Alencar, com abertura do instrumentista cearense Alex Ramon.
 
21/09Marcelo Leite & Carlinhos Crisóstomo, com show em homenagem a Noel Rosa, no Espaço Cultural da CDL.
 
19/10 – pianista Gilson Peranzzetta & flautista e saxofonista Mauro Senise, no Theatro José de Alencar, com abertura do grupo de choro cearense Murmurando.
 
16/11 – show de encerramento com o músico cearense Moacir Bedê, no Espaço Cultural da CDL.