Discografia

O Rock In Rio Foi, mas a água não voltou

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Pois é… O Rock In Rio encerrou sua 4ª edição e eu nem pus meus pés por lá. Preferi acompanhar o que fosse possível pelo Multishow. Claro, “preferir” não é bem o verbo. Não tava era a fim de desmamar uma grana em passagens, transporte e ingresso pra em seguida ser encoxado por uma horda sedenta por música. Em compensação, tive que aguentar o Beto Lee desconcertado elogiando o NX Zero e os comentários que nada diziam Luisa Micheletti e Didi Wagner. Ainda assim, das duas a loirinha era mais autêntica.

Entre os pontos altos e baixos, vejo o Rock In Rio como um evento meio social, meio musical, meio antropológico e… Bem, já tem um meio a mais. O fato é que acompanhar tudo do sofá da sala lhe evita determinados constrangimentos. Lá em casa, não peguei fila para a roda gigante nem para a tirolesa, nem recebi um jato de chantilly da Katty Perry. Em compensação não tive ninguém com quem dividir as emoções do ótimo show do Elton John. Como diria Dinho Ouro Preto, “foi do caralho”. Uma curiosidade é que enquanto os banheiros da Cidade do Rock viraram, um chafariz de xixi, o da Cidade dos Funcionários estava faltando água.

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O fato é que, como todo festival daquele tamanho, tudo se divide entre seus pontos altos e baixos. O mais polêmico, como sempre, é a escalação de bandas. Mas, meus queridos, o Stevie Wonder esteve aqui e isso basta. O cara é um deus vivo criador de uma obra fundamental para o funk, o jazz, o soul e sei lá mais o que. Apesar de eu não ser muito ligado em sons pesados, preciso tirar o chapéu para o peso vigoroso das apresentações do Slipknot e do Sepultura com os Tambores Du Bronx.

Na parte mais pop da coisa, a Ke$ha fazendo playback é uma das coisas mais sem sentido já criadas pelo mundo da música. Rihana e Ms. Perry, não fossem duas gostosas, não estariam onde estão. Claudia Leitte, tadinha, faz o que pode. Se pendura, voa, pula, grita, mas nunca deixa de ser uma cópia mal acabada da Ivete Sangalo (que inclusive estava belíssima de branco). O grande destaque nessa seara deixo para a Shakira. Que maravilha de show! Ótimo mesmo. A música era um detalhe, mas a silhueta…

A melhor noite acabou sendo a do segundo sábado. Marron 5 e Coldplay foram excelentes no exercício dos seus ofícios. E olha que eu nem conheço tanto assim. Foi só uma questão de competência e empatia com o público. Valeu a pena ter ficado até o final. E a pena nem foi tão ruim assim.

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Passando para os brasileiros, Frejat foi populista ao fazer uma seleção de sucessos alheios misturado aos seus próprios clássicos. Deu saudade do bom e velho Barão Vermelho, mas não posso deixar de negar que o cara mandou bem demais. O Skank é aquele trator. Chegou e mandou ver com um repertório que, de tão certeiro, poderia ter sido um pouco mais ousado. Uma semana antes, Capital Inicial mostrou que tem competência pra assumir um palco daquele tamanho. Agora, claro, ta na hora de voltar aos eixos e lançar um trabalho que faça jus à própria história.

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Pra encerrar, falemos do que realmente foi destaque no Rock In Rio: o Palco Sunset, o dos encontros inusitados. Meu irmão, Nação Zumbi e Tulipa Ruiz foi uma coisa de louco. Uma coisa já era de se esperar, a voz do Jorge Du Peixe engolia a delicada voz da cantora, mas ela se esgueirava e encontrava espaço pra colocar seus agudos. Milton Nascimento com Speranza Spalding foi mais chatinho, mas reservou momentos de emoção para uma geração que nunca dobrou o Clube da Esquina. Mike Patton aproveitou os olhares para enlouquecer junto com Mundo Cane e a Orquestra de Higienópolis. O resultado foi, no mínimo, exótico e curioso.

Por conta do horário da transmissão, muitos shows foram perdidos. caso por exemplo da Céu com o João Donato, que suponho tenha sido eficiente, cuidadoso, lombroso e lisérgico na medida. Minha duas maiores expectativas acabaram sendo cortadas ao meio. No sábado, Erasmo Carlos e Arnaldo Antunes foram interrompidos para que começasse o Palco Mundo. Já no domingo, Tom Zé começou cedo e a transmissão perdeu as primeiras músicas. Em seguida, os Mutantes subiram no palco para divir o microfone (que falhou) com o mestre baiano. Serginho Dias assustou pelas formas um tanto mais arredondadas e pela guitarra sempre afiada. Um mestre que merecia mais respeito. De quebra, ele ainda convidou Beto Lee para tocar violão. Há quem diga que Sérgio tenha falado antes com Rita sobre este convite ao seu pimpolho e que dali tenha saído uma reconciliação para os problemas de 40 anos antes. Mentira. Mutantes – leia-se Rita, Sérgio, Arnaldo, Dinho e Liminha – jamais vão tocar juntos novamente. Mas a nova formação sabe soar convincente. Discorde quem quiser.

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E eis que o maior festival de m,úsica dom mundo acabou. Apesar de toda a campanha sobre sustentabilidade, parece que ainda não pararam com o desmatamento. Assim como a água do meu condomínio não voltou. Ainda assim, é grande a expectativa pela próxima edição já agendada para 2013. Tentarei ir ver tudo in loco. Ou não. Sei lá, entende?