Discografia

Metamorfoses encaixota produção de Ney Matogrosso pós anos 1990

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Em 2008, o melhor presente de Natal que poderia ser dado a quem se ama era a caixa Camaleão, com os 16 discos lançados por Ney Matogrosso entre 1975 e 1991, mais uma coletânea de registros raros e inéditos organizada pelo pesquisador Rodrigo Faour. Três anos depois, o cantor volta com uma nova sugestão para o Papai Noel: um segunda caixa com a produção pós 1993. Metamorfoses reúne 14 discos discos do magnífico cantor e acrescenta duas coletâneas duplas. Em comparação com a primeira caixa, esta tem como ponto negativo o fato de trazer muitos discos ainda em catálogo, alguns deles encontrados a preços bastante confortáveis. Ainda assim, como tudo que tem a mão do inclassificável cantor é digno de reverência, Metamorfoses está longe de ser um presentinho qualquer. Além de ser um prato cheio para comemorar os 70 anos do intérprete. Na nova caixa, estão os songbooks que Ney fez em homenagem a Ângela Maria, Cartola e Chico Buarque e a explosiva parceria com os cariocas do Pedro Luis e a Parede. De fora, ficaram apenas os registros ao vivo da turnê com Pedro Luís e a Parede (lançada a contra-gosto de Ney Matogrosso) e o da turnê Beijo Bandido (lançado no início deste ano).

Conheça o conteúdo do box Metamorfoses:

As Aparências Enganam (1993) – Ney Matogrosso e o quinteto instrumental Aquarela Carioca recriam Alceu Valença, Jorge Ben e Ednardo em clima camerístico.

Estava Escrito (1994) – Belíssima homenagem à Ângela Maria. Mais contido, Ney dá início a uma série de trabalhos mais jazzísticos. A Sapoti participa grandiosa em Só vives pra lua.

Um Brasileiro (1996) – Novo songbook, agora em homenagem a Chico Buarque. Destaque para os sambas Corrente e Homenagem ao Malandro. Chico dueta em Até o fim.

Ney Matogrosso 25 (1996) – Coletânea dupla comemorativa dos 25 anos de carreira de Ney Matogrosso. Inclui três regravações inéditas, incluindo o sucesso O Vira, dos Secos & Molhados.

O Cair da Tarde (1997) – Homenagem em dose dupla, a Tom Jobim e Heitor Villa-Lobos, em tom camerístico. Destaque para a delicadeza de Tema de Amor de Gabriela, garimpada da trilha sonora do filme Gabriela.

Olhos de Farol (1998) – Disco marcado pela força das percussões, fruto do recente encontro de Ney com Pedro Luis e a Parede. Saindo dos discos acústicos, Olhos de Farol traz Ney de volta para o pop.

Ney Matogrosso Vivo (1999) – Registro do esplêndido show Olhos de Farol. Com uma banda de oito músicos, Ney se rebola entre canções de Rita Lee, Itamar Assumpção, Cazuza, Lenine e outros.

Batuque (2001) – Ninguém melhor do que Ney Matogrosso para homenagear Carmen Miranda. Cheio de sambinhas gostosos e choros rasgados, ele recria ao próprio modo O que que a baiana tem, Bambo de bambu e outras.

Ney Matogrosso interpreta Cartola (2002) – Novo songbook, agora sobre o Divino Cartola. Em tom de reverência, Ney transita entre o óbvio e o obscuro do sambista.

Ney Matogrosso interpreta Cartola – Ao Vivo  (2003) – Mesmo sendo uma exigência da gravadora, Ney consegue se superar no registro ao vivo em homenagem a Cartola. Aliás, o palco é o lugar do intérprete.

Vagabundo  (2004) – Algo como a fome e a vontade de comer, o encontro de Ney Matogrosso e Pedro Luis e A Parede é algo que se não existisse, teria que ser inventado. Indispensável.

Canto em Qualquer Canto (2005) – Após uma mega turnê dançante com Pedro Luís e a Parede, Ney volta ao modelo camerístico e lança um trabalho acompanhado somente por cordas. Destaque para O doce e o amargo, dos Secos & Molhados.

Inclassificáveis (2008) – Aos 67 anos, Ney desafia a lógica e lança um disco roqueiro e uma turnê grandiosa. Destaque para Fraterno (Pedro Luís) e Coração, coragem (Cláudio Monjope/ Carlos Rennó).

Beijo Bandido (2009) – Disco que transita entre o camerístico e o pop, o repertório vai de Evaldo Gouveia e Jair Amorim até Herbert Vianna. Pela primeira vez na carreira, Ney grava uma canção de Roberto Carlos (A distância).

Metamorfoses (2011) – Coletânea dupla inédita, exclusiva desta caixa homônima. São 31 faixas gravadas em discos de amigos e tributos. Destaque para os duetos com Cauby Peixoto, em Toda vez que eu digo adeus, e Serenata suburbana, com Raphael Rabello.