Discografia

Representando o metal aparaense, Madame Saatan lança segundo disco

Formada em 2003 em Belém do Pará, o Madame Saatan é uma banda de metal que vem ganhando espaço em festivais importantes como o MADA e o Porão do Rock. Apresentados com o EP O Tao do Caos, de 2004, eles lançaram o primeiro disco de verdade três anos depois, batizado apenas com o nome da banda. Logo na largada, foram apontados como o melhor disco de heavy metal no prêmio da revista Dynamite. Quatro anos depois, recheado de letras pesadas falando sobre morte, sangue, foice e ódio, o quarteto senta o dedo na guitarra e o pé na bateria para lançar seu segundo trabalho, Peixe homem. A avalanche sonora do quarteto é resultante de um mistura curiosa os sotaques do metal com algo do xaxado, da embolada. Mas não pense em Raimundos como uma referência. O assunto aqui é bem sério. O que pode parecer absurdo, de fato, fica acima da média de um estilo que teima em se repetir. A voz de Sammliz exala personalidade, força e testosterona em versos como “enterre os ossos, costure a força teu nome a ele. E o sacrifício de hoje é aguardente certo”. Peixe Homem tem produção de Paulo Anhaia (Charlie Brown Jr e Velhas Virgens) e masterização de Alan Douches (Aerosmith e Misfits). Um ganho para o trabalho, e bem incomum no universo heavy/trash metal, são as letras todas em português. E eles se saem bem assim. Mesmo que tanta raiva mais pareça mais uma exigência estilística do que uma mensagem para o ouvinte, a vocalista escreve bem coisas como “Esqueça o fundo que te aguarda ao deixar a tua velha margem”. O som vigoroso de Ícaro Suzuki (baixo), Ivan Vanzar (bateria) e Ed Guerreiro (guitarra) termina de pintar o quadro caótico da banda que demonstra claramente vocação para o palco. É certo que, para quem não é um iniciado no metal, chega um momento em que tudo parace ser a mesma coisa. Mas vale a pena ouvir mais uma vez e descobrir camadas de ideis ao longo do trabalho.

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