Discografia

Música para olhos, corpo e ouvidos

Uma nova lógica, às vezes bastante ilógica, vem há bastante tempo tomando conta do mercado musical. O disco deixou de ser uma forma rentável de negócio, os shows tornaram-se a principal fonte de renda e a internet um dos mais populares veículos de divulgação de um trabalho. Diante de um cenário ainda nebuloso, as opiniões ainda são discordantes quando o assunto é consolidar uma carreira.

Pensando nisso, a 6ª edição do Ponto.CE começa amanhã trazendo essa discussão a três espaços de Fortaleza – Centro Cultural Banco do Nordeste, SESC Iracema e Centro Dragão do Mar. O evento engloba apresentações e formação em linguagens artísticas, tendo a música como fio condutor. Há dois anos, o festival acrescentou na programação espetáculos de dança, que este ano ganham mais destaque com uma parceria com a Bienal Internacional de Dança do Ceará.

Entre os artistas convidados, a paulista Thelma Bonavita apresenta o espetáculo Eu sou uma fruta gogoia em 3 tendências. Tirada do folclore baiano, a canção Fruta gogoia foi gravada por Gal Costa no disco Fatal, um marco da estética tropicalista. Inspirada na canção, a bailarina reconstrói a antropofagia, o pop e a moda a partir das tendências ao fantástico, ao transbordamento e à transição. Já o projeto Estação Criança apresenta grupos de Fortaleza, Paracuru e Itapipoca com números para o público infantil. É o caso de Quintal de Mangue, da Companhia Vidança, sobre as dificuldades, brincadeiras e vivências dos moradores do bairro Vila Velha, na Barra do Ceará.

A parte audiovisual será representada por 14 filmes, entre videopoesia, videoperformance, experimental, ficção e documentários. Um dos destaques é Daquele instante em diante, de Rogério Velloso, longa sobre a vida e a obra de Itamar Assumpção, compositor paulista que levou toda sua carreira de forma independente e morreu em 2003 com reconhecimento abaixo do que merecia. Já o documentário Mr. Niterói – A lírica bereta, de Toni Gadioli, segue a trajetória de Gustavo Black Alien, ex-integrante do Planet Hemp e um dos nomes mais atuantes do underground brasileiro. O próprio rapper é um dos convidados para apresentar o filme sobre sua história.

E quando o assunto são as atrações musicais, o Ponto.Ce mira em 23 nomes da cena nacional independente que vem atraindo um público ainda limitado, embora cativo. As linguagens e misturas musicais são variadas, sempre misturando o regional com o universal. A seleção vai do manguebeat do Mundo Livre S/A (PE), ao rock plural dos Móveis Coloniais de Acaju (DF), passando pelo metal do Madame Saatan (PA) e pelo rock garageiro do Vespas Mandarinas (SP). Do Ceará, tem, entre outros, o blues de Felipe Cazaux e o peso do Lavage.

Para Rafael Bandeira, um dos organizadores do Ponto.CE, a música cearense vive um momento difícil por conta principalmente da falta de espaços, o que tem gerado uma articulação muito boa nos artistas. “Essa articulação vem acontecendo com pessoas de outros estados. Ainda é grande a dificuldade de expor esse trabalho nas casas de show, em jornal, TV. Mas é uma dificuldade comum de outras cidades”. Quanto ao Ponto.CE, Rafael acrescenta que os festivais são uma boa ferramenta de exposição dos artistas, que ganham com a mistura de linguagens. “No Ponto.CE, queremos mostrar que o festival é todo esse conglomerado de atividades. A Bienal é uma prova de que os atores se entendem. Espero que a gente consiga ter um público bacana e que ele entenda essa nova proposta”.

Serviço:

De 03 à 05/11 – Centro Cultural Banco do Nordeste (Rua Floriano Peixoto, 941 – 2º andar) – Shows, Palestras e Audiovisual. Entrada Gratuita.

De 03 à 06/11 – Sesc Iracema (Rua Boris, 90 – Praia de Iracema) – Dança. Entrada Gratuita.

04 e 05/11 – Praça Verde do Dragão do Mar (Rua Dragão do Mar 81 – Praia de Iracema) – Shows. Ingressos: R$20 (inteira)/ R$10 (meia). À venda nas lojas Chilli Beans (Benfica e Iguatemi) e Bronx (Centro)

Outras informações: 3219.3931