Discografia

Mariana Aydar anda pra frente no estranho Cavaleiro Selvagem Aqui te Sigo

As primeiras notícias que saíram sobre o terceiro disco de Mariana Aydar especulavam que seria um disco puxado nos sons nordestinos, com um pezinho no forró. Muito disso se devia ao fato da cantora estar à frente de um documentário sobre Dominguinhos e deste ser um dos convidados do novo trabalho. A notícia acabou causando espanto entre os fãs. O fato é que ela chamou a atenção do público em 2006 com o ótimo Kavita 1 e logo colocaram o disco na prateleira das novas sambistas. Isso por conta das presenças de João Nogueira, Clara Nunes e Leci Brandão nos créditos e na inspiração. Entre as mais criativas intérpretes do seu tempo, ela nem era tão sambista nem é tão forrozeira neste Cavaleiro Selvagem Aqui Te Sigo (Universal), o tal terceiro disco. Para se ter uma ideia, uma das faixas mais contagiantes é a guitarrada paraense O homem da perna de pau, candidata a hit das pistas mais antenadas. Cheio de climas, opulências e sutilezas, o disco traz o baiano Letieres Leite como coprodutor (ao lado de Duani) e principal arranjador. Maestro da excepcional orquestra Rumpilezz, ele é responsável por boa parte da beleza de Cavaleiro Selvagem, explicitadas logo na vinheta de abertura (A saga do cavaleiro) e na pretensiosa Floresta. Mas Mariana Aydar também merece os créditos ao mexer de forma ousada na obra dos outros. Vai vadiar, samba famoso na voz de Zeca Pagodinho, por exemplo, vira um tango com ela no microfone. Sem a voz cavernosa de Zé Ramalho, a cantora faz uma leitura bem particular de Galope rasante, canção lançada pelo paraibano em 1981. Considerado o primeiro reggae brasileiro, Nine out of ten, de Caetano Veloso, é a única que sai pouco da ótima versão original. No entanto, o grande achado mesmo é Preciso do teu sorriso, forró do Trio Virgulino que ganha uma balanço gostoso com a sanfona parisiense do mestre Dominguinhos. Confirmando a tendência da nova geração em querer se mostrar eclética, Mariana Aydar ganha pontos por fazer isso de forma autênca e realmente eclética.