Discografia

Fito Páez manda seu recado para as estrelas

Imagine que você precisa apresentar seu país ou sua cidade para um estrangeiro que não tem a menor noção do que vai encontrar por aqui. A empreitada nem é uma novidade, mas ficou mais ambiciosa nas mãos do argentino Fito Páez. Aumentando a fama de megalômanos dos habitantes do país do Maradona, o músico decidiu elencar 14 canções fundamentais para alienígenas entenderem a música terráquea.

Foi dessa proposta meio maluca que surgiu Canciones para Aliens, 22º trabalho do cantor, compositor e pianista de 47 anos, nascido no pequeno município de Rosário. Apesar de ser reconhecido como um dos nomes mais referências do rock de sua terra, Fito Páez foi fundo na pesquisa na hora de escolher as faixas do disco, que reúne composições alheias vertidas (ou não) para o seu espanhol.

A ideia para o álbum de versões nasceu quando Fito regravou Esta tarde vi llover, de Armando Manzanero, sob produção do maestro Leo Sujatovich. Seguindo sob a batuta do produtor, ele foi em busca de novas regravações. Com diferentes resultados, Dancing in the streets, do soulman Marvin Gaye, virou a balançada Baila por ahi, enquanto a operística Somebody to love, do Queen, virou uma balada de piano e cordas rebatizada de Las dos caras Del amor.

Se não é todo um sucesso local, Fito Páez é um dos artistas latinos que tem mais conexões com o Brasil. Já teve música gravada por Caetano Veloso e Elba Ramalho (Un vestido y un amor), parcerias com Herbert Vianna (Trac-Trac) e participação em disco dos Titãs (Acústico MTV). Para fortificar esses laços, ele deu sua versão sinfônica para Construção, de Chico Buarque, com arranjos de sopros e cordas que lembram o original. Em seguida convidou o próprio Chico para cantar na faixa Tango, do japonês Ryuchi Sakamoto.

Canciones para Aliens traz ainda El breve espacio em que no esta, do cubano Pablo Milanés, que conta com um dueto do compositor. Responsável por boa parte das versões em casteliano, Fito Páez ainda se arrisca na complexidade de Bob Dylan ao transformar Ring them Bells em Doblen campanas. Nem a erudição do italiano Giusseppe Verdi ficou de fora. A peça operística O Coro dos Hebreus, escrita ao lado de Temistocle Solera e que ficou conhecida como Va pensiero, é a única que o argentino manteve na língua original. Buscando fugir do óbvio, Fito Páez dá o que tem de seu a cada reinterpretação. Um esforço nobre em nome de ver a Terra eternizada nas playlists interplanetárias.